domingo, 23 de junho de 2013

da eliminação dos professores contratados

 


 


 


 



 


 


Os cortes a eito de Nuno Crato têm uma percentagem mínima da sua epifania-modernista e uma dose elevada de além da troika. Há, quando muito e se quisermos, uma conjugação de factores. Não substituir os professores que se iam aposentando e eliminar professores contratados foi a táctica. Se tal não chegasse, os despedimentos entrariam pelos do quadro, primeiro nos de zona pedagógica, enquanto se preparava a precarização de todos e a eufemística escolha da escola que era, e é, o alargamento do negócio na Educação. E já se sabe: só se privatiza depois de se reduzir drasticamente nas pessoas, no seu custo e nos seus direitos.


 


E porquê os professores? Como se lê na notícia do Expresso de ontem, porque são muitos. Não é por acaso que os professores lideram destacadíssimos os despedimentos na administração pública. Portugal, ao contrário da Irlanda, por exemplo, e basta googlar um bocadito, foi muito para além do memorando e não impôs qualquer área intocável. Há, nas nossas "elites", uma secular questão mal resolvida com a escola que impede que se alcance alguma vez a literacia para todos.


 


 


 

13 comentários:

  1. Mas será que ninguém consegue demonstrar ao MEC que se há uns anos atrás havia professores a mais (tendo em conta a média da OCDE), agora já não há!!!
    O que andam os sindicatos a fazer nas reuniões?
    Os professores do quadro rondam os 100 mil. Havendo milhão e meio de alunos, isto dá qualquer coisa como 67 professores por cada mil alunos. Ora, a média da OCDE é de 75 professores por cada 1000 alunos. Logo não há professores a mais. E continuarão a ser necessários contratados...
    Os professores podem é estar mal distribuídos pelo país, pelo que terá que ser na mobilidade geográfica que têm de ser feitos os necessários esforços de racionalização. Sempre com bom-senso!

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  2. O que é que lhe aconteceu senhor comentador professor Pedro?

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  3. Pedro o que é que bebeu?
    diga lá nós gostamos de saber,pois fez-lhe bem.

    alunos do publico com melhores resultados no fim dos cursos

    Um estudo da Universidade do Porto concluiu que a classificação de entrada não permite prever o desempenho académico individual e que, em média, os estudantes provenientes de escolas privadas revelam pior desempenho do que os das escolas públicas.

    O percurso dos estudantes admitidos na Universidade do Porto em 2008/2009, pelo regime geral, avaliou 224 estudantes que perfazem o grupo dos 10 por cento melhores desempenhos ao fim de três anos e encontrou grandes diferenças entre escolas secundárias.
    Como exemplo, os responsáveis pelo estudo apontam as duas escolas que mais estudantes colocaram na U.Porto em 2008/2009: o Externato Ribadouro, privado, com 154 estudantes e a Escola Secundária Garcia da Orta, pública, com 114.
    Três anos após a entrada na Universidade do Porto, o Ribadouro contribuiu com cinco alunos para o grupo dos melhores, enquanto a secundária Garcia da Horta conseguiu 14.
    A diferença entre a proveniência "Privado" ou "Público" é estatisticamente significativa para qualquer das três populações consideradas no estudo: estudantes admitidos, estudantes que não saíram ao fim dos três anos (por abandono ou recandidatura) e estudantes que concluíram mais do que 135 unidades de crédito (ECTS).
    Por exemplo, por cada 100 estudantes pertencentes ao último conjunto (com mais de 135 ECTS) e que são provenientes de escolas públicas, 10,69 estarão entre os 10 por cento melhores. No caso de escolas privadas, tal número é de 7,98.
    O mesmo tipo de análise foi repetido para os 394 estudantes admitidos nos cursos de Medicina do ICBAS e FMUP, verificando-se que a diferença "Privado"/"Público" se acentua.
    Por exemplo, por cada 100 estudantes provenientes de escolas públicas e pertencentes ao conjunto com mais do que 135 unidades de crédito concluídas, 12,50 estão entre os 10 por cento melhores resultados, enquanto que tal número é de 7,58 no caso de escolas privadas.
    No caso concreto do Externato Ribadouro, a escola com mais alunos (60) admitidos em Medicina (ICBAS e FMUP), no Porto, no ano 2008/2009, apenas um aluno (dois por cento) integrava o grupo dos 10 por cento melhores.
    Da escola pública Garcia da Orta, entraram no mesmo curso e no mesmo ano, quatro estudantes, um dos quais incluído no "top ten" (25 por cento).
    O mesmo estudo concluiu que entrar num curso em 2.ª ou 3.ª opção piora o desempenho relativamente àqueles que o fazem em 1.ª opção.
    No ano letivo 2008/2009, cerca de 49 por cento de estudantes entraram na Universidade do Porto com uma média de acesso igual ou superior a 16,5 valores. Dentro desse grupo de 2.091 estudantes, a população feminina predomina, perfazendo 57,4 por cento.
    A grande maioria dos estudantes (78,7 por cento) entrou no curso correspondente à sua primeira ou segunda opção (respetivamente, 63,3 por cento e 15,4 por cento) e 95 por cento dos alunos admitidos tinham menos do que 21 anos. Apenas 1,3 por cento (57 estudantes) tinham mais do que 25 anos.
    Dos 4.280 estudantes admitidos, 21,6 por cento fizeram as suas provas de acesso em estabelecimentos de ensino privado e os restantes 78,4 por cento em escolas públicas.

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  4. desculpa Paulo postei duas vezes

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  5. Rui Rodrigues, Amadora23 de junho de 2013 às 23:16

    Os seus não ouvem Caro Pedro. Os seus só ouvem o Deus mercado e o espírito santo.

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  6. O Rui tem razão Pedro. Espero amanhã fazer um post com a comparação entre o investimento com professores contratados e os milhares que exercem cargos por nomeação política e até com a despesa em órgãos intermédios do estado que representam 16% do PIB e que subiu 12% em 1012 enquanto que toda a quantia com salários da função pública e pensões representa 9% do PIB.

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  7. Paulo, penso que o argumento principal não pode ser baseado nesse tipo de comparações! Pelo menos não terá a eficácia que se pretende junto do MEC...
    A comparação tem de ser feita com o mesmo indicador (número de professores) e os restantes países da OCDE.

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  8. Depois de me rir com alguns comentários decorrentes da perplexidade resultante da lucidez aqui revelada pelo comentador Pedro, acrescento que está-se mesmo a ver que a estratégia é precarizar tanto quanto possível as relações de trabalho, planeando, no futuro, suprir com professores contratados as faltas agora criadas por tanto desvario, no que restar de uma escola pública destinada aos que não tiverem posses para ingressar numa privada.

    Ainda ontem estive a conversar com um colega colocado no IEFP, a que concorreu por se encontrar com horário zero, tendo ouvido relatos incríveis das diferenças de tratamento e exigência entre professores do quadro e professores contratados, estes últimos aceitando realizar tarefas que nada têm a ver com a profissão docente, para além de beneficiarem de muito menos "regalias".

    Se ninguém travar os desígnios deste Governo, só quando a maioria da população trabalhadora for precária e, na ideologia preconizada pelos governantes, amestrada, acéfala e submissa q.b., é que terminarão as manobras de aniquilamento das instituições do Estado, sobretudo nas áreas da Saúde e da Educação, sob subterfúgio da Troika e de uma ajuda financeira impreterível e indispensável.
    A literacia para todos só atrapalha a implantação do modelo de sociedade almejado pela ideologia vigente.

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  9. Claro que não Pedro. Era apenas mais um. Espero voltar hoje ou amanhã ao assunto.

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  10. É uma vergonha, realmente. Contaram-me estórias parecidas sobre o IEFP.

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  11. "E já se sabe: só se privatiza depois de se reduzir drasticamente nas pessoas, no seu custo e nos seus direitos." Ora cá está a verdadeira razão de tudo isto: desmantelar para privatizar! Depois até se poderá afirmar: temos de aumentar as turmas com contrato de associação pois a escola pública (esvaziada de recursos humanos e não só) não consegue dar resposta às necessidades!!! Ou então, convidam-se os empresários da educação a assumir a gestão da escola pública...ou um misto, tipo tosta coroada com cheque-educação e uma pincelada de liberdade de escolha!

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