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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Do Tamanho Das Turmas

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revisão de literatura (já antiga e centrada nos EUA) sobre o tamanho das turmas promovida pela organização "Teresa e Alexandre Soares dos Santos – Iniciativa Educação", registou alguma discussão à volta daquela tendência de martelar os números para que eles se aproximem do que pretendemos.


E lembrei-me da célebre "se acha que a educação é cara experimente a ignorância". A frase de Derek Bok, antigo reitor da Universidade de Harvard, tornou-se mais verdadeira com o passar do tempo.


Agora, compete a cada país escolher.


Peguemos em dois exemplos: Nuno Crato, que ao que saiba nunca leccionou no não superior e foi um legislador de turmas numerosas com base em estudos como o apresentado, disse à SIC, em 15 de Junho de 2013, que "uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15: depende do professor e da sua qualidade”; William Golding, Nobel da literatura e professor no 1º ciclo durante três décadas, disse à RTP2, em 1983, que “com 30 alunos não há método de ensino que resulte, mas com 10 todos os métodos podem ser eficazes.”

terça-feira, 6 de abril de 2021

"As nações das turmas numerosas promovem a exclusão"


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"As nações das turmas numerosas promovem a exclusão"Pelo Público em 06 de Abril de 2021; como acordado, publiquei-o no blogue e acrescentei-o aqui.


Título: As Nações das Turmas Numerosas Promovem a Exclusão


Lide (lead): Ainda do debate partidário, percebe-se que o PS não considera a questão encerrada. Fala em “gradualismo”. Mas considerando os 30 alunos de Nuno Crato, e com a redução de dois alunos por turma em cada década, em 2060 chegaremos a um número civilizado.


Texto:


Como ponto prévio, sublinhe-se que as escolas voltarão a incumprir nos critérios de distanciamento físico, espaços lotados e fechados e aglomeração de pessoas. As nações das turmas numerosas falham neste domínio. Estaremos na condição que antecedeu os confinamentos, mas desta vez com as vacinas a abrirem uma janela da esperança.


E vem isto a propósito da segunda reprovação em menos de um ano (Junho de 2020 e Março de 2021), na Assembleia da República (AP), de qualquer redução de alunos nas turmas numerosas. Desta vez, os projectos de lei do PEV, PCP e BE, votados em 31 de Março de 2021, foram rejeitados pelo PS, PSD, CDS-PP, IL e Chega.


Os projectos de lei preocupavam-se com a incerteza temporal da pandemia, mas associavam uma relevante inscrição estruturante. Se os fundamentos pedagógicos são há muito conhecidos, discuta-se a argumentação imposta por toda a direita partidária e pelo PS. Aliás, antes de mais e pensando na pandemia, recorde-se as palavras do Presidente da República (PR) que parecem contrariar uma visão positivista do primado absoluto da lei. Concorde-se ou não, o PR parece integrar uma concepção mais recente, que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso", principalmente quando se legisla na margem da relação entre o direito e a política: "é o direito que serve a política e não a política que serve o direito". Como vivemos em sucessivos estados de emergência, todas as respostas cruciais devem ser consideradas e a redução de alunos por turma integra esse quadro.


Por outro lado, a posição vencedora remete para a ausência de estudos concludentes sobre as vantagens das turmas pequenas. Como se sabe, os estudos empíricos em educação são muito difíceis. Não há estudos sustentáveis de variáveis, dependentes e independentes, em regressões lineares múltiplas para turmas pequenas nem para numerosas (já agora). O que há, é a história da política económica: sociedades inclusivas com mais ambição escolar, e com meios económicos que a suportem, atingem níveis mais elevados de sucesso escolar. Podemos atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90% na responsabilidade pela escolaridade das nações. Os resultados seriam elucidativos se sujeitássemos 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, mas é uma asserção impossível o que também explica a dificuldade destes estudos.


Dito isto, e para que o progresso e a inclusão reduzam as desigualdades, o número de alunos por turma é  diferenciador. Deve integrar acordos de regime que incluam alunos por escola, rede escolar inclusiva, autonomia pedagógica, clima escolar, carreira dos professores, currículo completo, meios de ensino e tempo que as crianças e jovens passam com a família. E se não há estudos quantitativos conclusivos, existe a possibilidade de investigações qualitativas com análises de conteúdo a entrevistas. Peguemos em dois exemplos: Nuno Crato, que ao que saiba nunca leccionou no não superior e foi um legislador de turmas numerosas, disse à SIC, em 15 de Junho de 2013, que "uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15: depende do professor e da sua qualidade”; William Golding, Nobel da literatura e professor no 1º ciclo durante três décadas, disse à RTP2, em 1983, que “com 30 alunos não há método de ensino que resulte, mas que com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes.”


E depois, temos a remissão para a irresponsabilidade financeira dos partidos favoráveis à redução. Pois bem: a governação da recente geringonça provou que já não é assim. Até na China se substituiu Mao Tsé-Tung pelo filósofo Confúcio. O filósofo, e ao ser questionado, pelo discípulo Zi-gong, se era um homem instruído, respondeu: "simplesmente descubro o fio da meada". E é exactamente o que falta fazer nas nações das turmas numerosas. No nosso caso, a rede escolar extractiva e não democrática, a gestão do tempo dos alunos, a carreira dos professores e a burocracia complementam as palavras-chave. E para além de tudo o que se evidencia, a redução financeira na educação desde o início do milénio tem números taxativos: eliminação de cerca de 9000 escolas (o "dobro" das cerca de 5000 que existem) e de cerca de 30% dos professores.


Por isso, o crescimento económico nas nações das turmas numerosas dificilmente será a "maré enchente que subirá todos os barcos". A riqueza não será redistribuída e acentuará as desigualdades. Sublinhe-se que a história da distribuição da riqueza é política. Não se circunscreve a procedimentos puramente contabilísticas. Lê-se em três clássicos normalmente citados pelo espectro partidário: "Riqueza das nações" de Adam Smith, "O capital no século XXI" de Thomas Piketti e "Porque falham as nações" de Daron Acemoglu e James A. Robinson.


Ainda do debate partidário, percebe-se que o PS não considera a questão encerrada. Fala em gradualismo. Mas considerando os 30 alunos de Nuno Crato, e com a redução de 2 alunos por turma em cada década, em 2060 chegaremos a um número civilizado. Obviamente que o gradualismo é incontornável e fundamental depois de tanto erro de planeamento estratégico no que levamos de milénio. Contudo, é mais inclusiva uma lei referencial de 20 alunos por turma com excepções do que uma de 30 com excepções. Já os partidos da direita refugiam-se em variáveis que não quantificam: custos, salas de aula e escolas. E invocam a autonomia das escolas para contestar a necessidade de uma lei do poder central. É lamentável que não se tenham lembrado destas variáveis quando aprovaram 30 alunos por turma.


E para finalizar, concorda-se com quem se indigna com a gestão dos orçamentos da educação nos governos que se vão sucedendo. É um assunto vasto e conhecido, onde a prioridade para um extenso elenco de projectos especiais é, inequivocamente, menos estruturante e inclusiva do que a redução de alunos por turma. Infelizmente, as nações das turmas numerosas promovem repetidamente as políticas extractivas e a exclusão.


domingo, 14 de março de 2021

De Escola Segura a Tema Central da Pandemia

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A saga da escola tornou-se um exemplo do natural desnorte provocado pela pandemia que deve servir de lição para o futuro. O distanciamento histórico permitirá muitas leituras significativas. Mas há dados já consolidados. Por exemplo, a repetida irresponsabilidade da "escola é segura" deu lugar a um quebra-cabeças que ocupou o lugar central dos debates. A comparação com outros países foi recorrente, mas sem se discutir dados essenciais sobre as condições escolares com o objectivo de assegurar o mais possível o ensino presencial.



 



E podemos consultar a OCDE que não será considerada antipática para os governos Europeus; muito pelo contrário. O relatório “The impact of Covid -19 on Education- Insights from Education at a Glance 2020” analisou oito indicadores fundamentais nas consequências da pandemia nos sistemas escolares: 1. Investimento público em educação; 2. Mobilidade de estudantes internacionais; 3. Perda de tempo lectivo; 4. Medidas para ensinar durante fecho das escolas; 5. Capacidade dos professores para apoiar o ensino digital; 6. Momento de reabertura das escolas; 7. Número de alunos por turma; 8. Ensino profissional durante a pandemia.



 



E o ponto 7, número de alunos por turma, foi o factor determinante; e é estruturante para o futuro, desde logo, do ensino presencial, mas também para alternativas à distância. Foi essencial nos tais 3 c´s dentro e fora da escola. Repare-se nas conclusões da OCDE: "o número de alunos por turma constitui um parâmetro crítico no ensino presencial, já que a distância social provou ser a medida mais eficaz na prevenção do contágio da covid-19.(...)registou-se, em vários casos, um limite de 15 alunos por turma no 1º ciclo ou um número, em todos os ciclos, que garantiu 1 a 2 metros de distanciamento nas salas de aula(...)num contexto de turmas reduzidas, para que todos os alunos tenham a oportunidade de beneficiar do ensino presencial, escolas em cerca de 60% dos países membros e parceiros da OCDE organizaram turnos nas turmas para alternar a presença dos alunos(...)"; e Portugal é uma nação de turmas numerosas.



 



Também se percebe que as regiões mais pobres da Europa (dos 15 milhões de pobres na Europa, 2 milhões estão em Portugal), ou que historicamente cometeram erros graves no planeamento da rede escolar, são as que registaram mais turmas numerosas; e a pandemia terá incidido maioritariamente nessas populações. Por isso, a nossa apreensão com a reabertura das escolas não é apenas com a incerteza nas testagens maciças, nos rastreios e na vacinação dos profissionais. A apreensão reforça-se na inércia em relação às condições de realização das aulas presenciais. E essa inacção coabita com uma espécie de buraco negro comunicacional que suga o essencial para tentar torná-lo invisível e dar lugar ao marketing político manipulador; em vão, como se viu, e com efeitos desorientadores e nefastos. Resta-nos desejar que se acelere e consolide a janela de esperança aberta pela vacinação e saúda-se o facto das manchas de pobreza terem beneficiado dos fundos europeus e dos confinamentos que permitiram um maior distanciamento em relação ao vírus.

domingo, 28 de junho de 2020

Afinal, Nuno Crato (e não só) tinha razão

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Esta semana, discutiu-se a redução de alunos por turma. E as decisões de Crato nesse domínio resistem a tudo: troika, geringonça, superavit e pandemia. Em 15 de Junho de 2013 declarou que "uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade". A epifania tornou-se irrefutável e não apenas por pragmatismo. É considerada madura e tem a tolerância dos gurus da inclusão (inclui mais alunos por metro quadrado). A educação tem esta sorte. São anos a fio com ministros com pensamento consolidado suportado por pares gurus. Aliás, Nuno Crato reconheceu esta semana "que o regime de ensino a distância pode ser positivo, mas apenas se servir como um complemento ao ensino presencial que é aquele que funciona melhor"; é, realmente, uma opinião incomum e com merecido destaque.


Mas não é caso único de solidez, intemporalidade e patrocínio de gurus. Os determinados e elogiados governos de Sócrates eliminaram 30 anos sem se avaliar professores e o inferno "reprovado" por todos continua vigente. Também impuseram um modelo de gestão das escolas para meter os professores na ordem iliberal. Para ajudar a isso, criaram duas câmaras de eco mediático: um órgão de dirigentes escolares (é um exercício temporário que representa 0,8% dos professores e que já vai em três espécies de associações) e um profissional para representar encarregados de educação. O trio, governantes, dirigente e profissional, disserta sobre tudo o que é didáctico e científico no ensino. Para se perceber melhor e pensando na actualidade, é como se na saúde, e quando se discutem actos médicos, infecções e epidemias, não se ouvissem ordens, especialistas e sindicatos, mas o dirigente hospitalar e o profissional dos utentes e amigos dos hospitais.


Mas na educação há associações científicas de professores nas mais diversas áreas. Só que nunca se uniram e a mediatização não as ouve. E há dezasseis sindicatos. Um é ostracizado por gurus, analistas e comentadores com argumentos (limitação de mandatos e exercício profissional diário) que não escrutinam nos restantes que, em regra, só opinam autorizados por quem governa.


Acima de tudo, e se o ensino tivesse verdadeira representação institucional, era mais difícil avançar no parlamento com uma proposta destinada ao insucesso, havendo soluções estruturais, exequíveis e sustentadas para o problema (para além disso, reduzir alunos por turma na incerteza que aí vem pode passar também por criar dois grupos numa turma que frequentam a escola em semanas diferentes). A redução de alunos por turma foi reprovada, mas os papéis partidários satisfizeram os desígnios populares e a imutabilidade cratiana.


Encontrei a imagem como uma adaptação no blogue Escola Portuguesa

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Escolas no Meio da Ponte

 


 


1ª edição em 23 de Setembro de 2018.


"O fundamental é descobrir o fio à meada", disse Confúcio. Enquanto não temos mais classe média (o fio inquestionável da meada do sucesso escolar), o caderno de encargos da escola continua pesado. Mudar o acesso ao ensino superior (AES), por causa da saúde dos jovens e da industria dos exames e da desigualdade, será um fio comprovado que responsabilizará as instituições do ensino superior na escolha de alunos. A OCDE concluiu que os nossos estudantes são os mais ansiosos (e a Universidade do Minho diz "que a falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora"), e haverá uns dois países, em quarenta e cinco, com um AES tão "stressante". Se dermos nomes às coisas, perceberemos a contradição educativa em manter este AES e, simultaneamente, lançar três eixos: flexibilidade curricular, inclusão e sucesso escolar.


O Governo ficou-se pelo mais fácil. Legislou os eixos e não tocou no AES. Parou a meio da ponte e estacionou as escolas por lá. Não teve suporte parlamentar, e muito menos selfie presidencial e autorização do eurogrupo, para o fundamental: a dimensão civilizada e democrática das escolas (mudar ordens de grandeza: turmas a eito, horários ao minuto - e recheados de trabalho inútil, esse flagelo da actualidade -, estatuto dos professores e de outros profissionais, mega-agrupamentos e gestão de escolas e hiperburocracia). Há um risco de derrapagem nas melhores intenções (flexibilidade curricular e inclusão) e de queda da exigência através de um sucesso escolar de gabinete e dos papéis. 


Obtive a imagem a meio do tabuleiro superior da Ponte D. Luís, no Porto. A ribeira é encantadora, mas a imagem não traduz a sua complexidade quando se passeia com atenção pelas ruas "ouvindo" portuenses e o que resta dos moradores: "estamos como um tolo no meio da ponte".


 


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Ribeira do Porto.


 


 

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Menos Alunos Por Turma

A argumentação dos representantes dos partidos políticos está longe da realidade; e custa escrever isto. Ninguém escapa: os a favor da redução e os contra. O ensino não está representado e voltarei ao assunto noutro dia.


Defender a escola pública no parlamento não é avançar com uma proposta irrealista (reduzir alunos por turma é diferente de criar dois grupos numa turma que frequentam a escola, por exemplo, em semanas diferentes). É reprovada, mas trabalha-se para a popularidade e mostra-se quem é que defende a escola pública.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

50.000 reprovações anuais não equivalem a 250 milhões de euros

 


Há muito que se combate o insucesso e abandono escolares. Há países que eliminaram esse flagelo com a evolução da sociedade e a redução da pobreza. É óbvio que para isso é essencial uma boa rede de escolas públicas. Qualquer democrata deseja este objectivo e sabe como é fundamental para a consolidação da democracia. 


Hoje, noticia-se que as 50.000 reprovações anuais nos primeiros ciclos de escolaridade equivalem a 250 milhões de euros do orçamento do estado porque existem uns cálculos que dizem que cada aluno destes ciclos representa um investimento anual de 5.000 euros. Que 5.000 euros vezes 50.000 alunos é igual a 250 milhões é a falácia dos aritméticos. Para isso, era necessário que cada aluno reprovado exigisse a formação de mais uma turma no ano seguinte. Como se sabe, a maioria dos reprovados integra, no tal ano seguinte, turmas que existiriam sempre e nem adianta argumentar com despesas de funcionamento pelo uso das instalações escolares ou dos subsídios.


Nota: como há escolas que dizem que funcionam sem turmas, a questão do aumento da despesa nem se coloca.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Dos Detalhes

 


 


 


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Um aluno com características que exijam a constituição de uma turma reduzida (os fundamentais 20 e não 28 alunos) tem que frequentar, diz a lei, 60% da carga curricular para que a turma se reduza. Ou seja, as disciplinas que incluem o espaço inferior a 60% integram o aluno num universo de 28 e não de 20 alunos. É um detalhe que faz toda a diferença e que espartilha a inclusão entre o centralismo dos números e a desconfiança nas escolas e nos professores. 


A mediatização sobre a inclusão escolar aumentou com a publicação, em 2018, do nova lei (Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho) sobre educação especial. Mas a discussão continua afastada das salas de aula. Resume-se a contendas ideológicas, importantes mas insuficientes. É crucial recuperar uma ideia chave dos bons exemplos de gestão nos mais variados domínios, "o segredo está nos detalhes", e transformá-la em lei (bastaria recuperar o clima de confiança).

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

"Professores quase sem emprego a partir de 2020"

 


 


 


 


"Professores quase sem emprego a partir de 2020", é uma conclusão de um estudo publicado pelo CNE. Para que seja sim, será necessário manter o número de alunos por turma e não alterar o degradado estatuto da carreira nem os indecentes programas de aposentação. Para a actual presidente do CNE, o ensino expositivo generalizado contribui decisivamente para o abandono escolar que reduz o número de alunos no terceiro ciclo e no ensino secundário. Parece um disco de vinil com um qualquer risco. Ou seja, as décadas passam e os estudos concluem sempre no mesmo sentido.

sábado, 12 de agosto de 2017

das escolas abrirem todas em Setembro

 


 


 


Há décadas que as escolas abrem todas em Setembro. O início é ruidoso quando há devaneios como a eliminada BCE. O Governo reverteu cortes salariais, eliminou contratos com "privados", integrou professores nos quadros e alterou provas dos mais pequenos. Mas grande parte das variáveis que degradaram a escola pública estão intocáveis. António Costa, que confessou a guerra aos professores decretada nos primeiros conselhos de ministros de Sócrates, mantém as variáveis fundamentais. Não reverteu. O tempo passou e já não adianta a escusa com a herança.


Sumariemos: anos a fio com avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), carreiras congeladas desde 2005, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horários zero, contratados "eternos" e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tanta desconfiança e agravada pela idade avançada do grupo de professores. Mas seria indecente que se fizesse das reformas antecipadas uma espécie de cortina de fumo que pede repetidamente o "impossível" para que o desespero acabe num mal menor e na manutenção dos instrumentos da referida guerra.


 


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quarta-feira, 12 de julho de 2017

12 alunos por turma?!

 


 


 


O Governo Macron anunciou a redução para "12 alunos em cada uma das 2200 turmas dos primeiros anos em escolas mais problemáticas".


Reduzir de 30 para 28 é, para quem está dentro da sala de aula, uma insignificância. O que se está a passar em França surpreende. Veremos como se desenvolve o exercício de Macron. Também surprrende nas políticas energéticas, desde o abandono de cerca de 60% do nuclear à eliminação até 2040 de automóveis a diesel e a gasolina.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

da curta radiografia dos professores - 5ª edição

 


 


   


A pessoas estão mais optimistas com este Governo, mas mantêm-se - e acentuam-se com o tempo "inamovível" - as componentes críticas da vida profissional de milhares de professores. E nem todas têm implicações financeiras; algumas melhoravam a capacidade volitiva, atenuavam o burnout e reduziam a despesa.


É a 5ª edição desta curta radiografia. A 1ª é de 5 de Novembro de 2015, a 2ª de 10 de Junho de 2016, a 3ª de 20 de Novembro de 2016 e a 4ª de 26 de Janeiro de 2017. Repito o post enquanto se justificar, não esquecendo as intervenções positivas em variáveis importantes (por exemplo: concursos BCE, prova de acesso e rede escolar).



Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além dos cortes transversais e da aposentação retardada. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira (um histórico com marcas profundas), mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".


 


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  Faces, Picasso


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Uma curta radiografia da profissão de professor

 


 


 


O ambiente no país melhorou com o novo Governo, mas é inquestionável, e com todo o realismo, que se mantêm as componentes críticas da vida profissional de milhares de professores. Temos o dever de o sublinhar. E nem todas têm implicações financeiras; algumas melhoravam a capacidade volitiva, atenuavam o burnout e reduziam a despesa.


É a 4ª edição desta curta radiografia. A 1ª é de 5 de Novembro de 2015, a 2ª de 10 de Junho de 2016 e a 3ª de 20 de Novembro de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar, sem esquecer boas intervenções em variáveis importantes (por exemplo: concursos BCE, prova de acesso e rede escolar).



Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais e da aposentação retardada. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".


 


 


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 Faces, Picasso


domingo, 20 de novembro de 2016

Uma curta radiografia de um grupo profissional

 


 


É a 3ª edição desta curta radiografia. É um facto que o ambiente no país está desanuviado, mas também é inquestionável que nada mudou no essencial na vida profissional de milhares de professores. A 1ª edição foi em 5 de Novembro de 2015 e a 2ª em 10 de Junho de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar e apesar da eliminação de algumas variáveis importantes que não constavam do exame (por exemplo: concursos BCE e prova de acesso).



Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".


 


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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Do momento e das elites

 


 


 


 


Ouvi há pouco na TSF a seguinte conclusão: "as nossas elites, de esquerda e de direita, estão muito mais próximas do que imaginam." Não reparei no nome do investigador. Do ponto vista da Educação, a conclusão tem validade e até considerando a ideia mais contundente: "são historicamente viciadas em viver à custa do trabalho dos outros". Em geral, viveram da escravatura durante três séculos, também com o ouro e as especiarias e até com o colonialismo. Em tempos recentes, o dilúvio de fundos europeus acomodou as almas. Na crise actual, os "desgraçados" são os pagadores de impostos e as políticas sociais. Na saúde, os alarmes soam quando "começam" a morrer pessoas e é surpreendente a sobrevivência do SNS. Na justiça, há que manter os povos minimamente em ordem e na segurança social o objectivo é impedir que os descontinuados se aglomerem perigosamente. Na Educação, até se pode encher salas de aula, entreter o auditório com "reformas", encerrar ou aglomerar escolas sem critério civilizado, manter números elevados de analfabetismo ou negligenciar o insucesso escolar em crianças e jovens. Também é surpreendente a sobrevivência da rede de escolas públicas, apesar da babilónia criada pelas tais elites que, como sublinhou o investigador, nunca "olharam para a organização como um valor precioso".


 


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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

menos alunos?

 


 


 


"Em 2021 as escolas públicas vão ter menos 109 mil alunos", diz o Público. É uma oportunidade para recuperar o ensino público, desde logo reduzindo o número de alunos por turma. O estudo diz que a redução se verificará em todos os ciclos. Veremos. Há, contudo, um dado importante não abrangido pelo estudo: a mudança de sentido dos fluxos migratórios. No nosso caso, há sinais de menos emigração e mais imigração (não apenas de portugueses regressados ou de outros europeus).


 


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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Da redução do número de alunos por turma

 


 


 


Crato aumentou a eito o número de alunos por turma. O Governo, pela voz do ministro da Educação, anunciou que a "forma como se fará a redução de alunos por turma depende do impacto financeiro". Aguardemos pelo processo. Mas há matérias, e muitas não financeiras ou com reduzido impacto, que devem ser revertidas.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Relacionar escolas com o lado ilegal (o maior) dos offshores?

 


 


 


As nossas "elites", por exemplo, são historicamente viciadas em viver à custa do trabalho dos outros. Foi assim durante três séculos com a escravatura, também com o ouro e as especiarias e até com o colonialismo. Na crise actual, os "desgraçados" são os pagadores de impostos e as políticas sociais. 


 


Na saúde, os alarmes soam quando "começam" a morrer pessoas. Na justiça, há que manter os povos minimamente em ordem e na segurança social o objectivo é impedir que os descontinuados se aglomerem perigosamente. Na Educação, até se pode encher salas de aula, passar a vida em "reformas" para entreter o auditório, encerrar ou aglomerar escolas sem critério civilizado, manter números vergonhosos de analfabetismo ou aumentar o insucesso escolar em crianças e jovens. O que interessa é que os Dragui´s que controlam o protectorado se satisfaçam com a coluna excel da despesa e aprovem os sucessivos governos.


 


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