Quando, em meados de Junho de 2012, Nuno Crato executou os cortes a eito que provocaram um despedimento colectivo de milhares de professores contratados e a humilhação de outros milhares de professores do quadro, as organizações de professores ficaram "desarmadas". O calendário não permitia acções de luta contundentes.
O ano lectivo foi decorrendo e o ministro Crato não cessou de dar asas ao seu baralhado quadro conceptual. Foi apoiado pela jocosidade dos seus companheiros de tragédia que não se cansaram de espezinhar (estou a pesar muito bem) a dignidade dos professores portugueses e as inalienáveis conquistas da escola pública.
Só que os professores têm uma força surpreendente depois de anos a fio neste registo. E foram respondendo. Que ninguém se iluda. Ninguém mais do que os professores desejaria um sistema escolar esperançado e um período de exames tranquilo e centrado no essencial. Mas não é possível. Se as marcas da soberba e da tortuosidade dos tácticos são profundas, a resposta dos professores indica que continuam com os pés bem assentes na terra e com o olhar nas estrelas.
Excelente Paulo Prudêncio.
ResponderEliminarNa minha escola Greve a 100%.
ResponderEliminarGaspar culpa a meteorologia pelo aumento do desemprego:
ResponderEliminar«Para o ministro das Finanças, as condições meteorológicas nos primeiros três meses do ano que prejudicaram a actividade da construção»
Mesmo que estivéssemos num circo, a assistir a um número de palhaços, duvido que alguém conseguisse achar piada a esta graçola.
Greve a 100% - três rondas para a semana já preparadas.
ResponderEliminarAntónio Santos.
Certeiro...como é hábito...
ResponderEliminarObrigado.
ResponderEliminarObrigado aos três pela informação.
ResponderEliminarObrigado Donatien.
ResponderEliminarLindo e mainada.
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ResponderEliminarAo que parece, as negociações entre Governo e os Sindicatos de Professores não conseguiram suspender o período de greve anunciado. Apesar de alguns recuos e rebuçados oferecidos pelo MEC a decisão da greve mantém-se.
Neste contexto e depois do pungente apelo do Dr. Portas no seu papel de polícia bom, regista-se a intervenção do Presidente da República que apesar da retórica do direito constitucional à greve, etc. também afirma que "os estudantes não podem ser meios para atingir fins" e é necessário poupar os alunos que estão a preparar o seu futuro. Afirmações deste teor, diabolização dos malandros dos grevistas, são um clássico, quer estejamos face a uma greve de médicos, funcionários públicos, electricistas, transportes, etc, ou seja, a ideia demagógica de que uma greve não deve ter qualquer impacto e assim é que deveria ser. Creio que boa parte desta gente até nem se importaria por aí além que que se eliminasse o direito à greve ou que se determinasse que as greves só se podem realizar em período de férias dos grevistas.
Já afirmei que não me pronuncio sobre os aspectos de natureza profissional que estão envolvidos na decisão da greve como também sei que este processo não pode ser desligado da agenda política da conflitualidade partidária. Aliás, já o tenho afirmado, do meu ponto de vista, parte dos problemas que afectam o nosso sistema educativa radicam na deriva política e na agenda dos interesses partidários que se movem sempre no universo da educação
Por outro lado, tenho a profunda convicção de que a maioria dos professores prefeririam não lidar com motivos para realizar a greve e, portanto, criar algumas dificuldades a pais e alunos mas sentem-se suficientemente maltratados para recorrer a este procedimento com as consequências previsíveis e que certamente têm presentes, muitos professores são mães e pais.
Finalmente e mantendo o registo de preocupação com as crianças que estão a construir o seu futuro, também me parece e defendo que não devem ser prejudicadas mas estão a sê-lo.
Estão a ser prejudicas por muitas decisões da PEC - Política Educativa em Curso que têm reflexos evidentes na qualidade do trabalho de professores e alunos, que exclui e recursos e trajectos que promovam sucesso educativo para todos os alunos. estão a ser prejudicados por políticas que claramente degradam a qualidade da escola pública. Estão a ser prejudicados pela definição de prioridades em que os seus interesses não cabem. Estão a ser prejudicadas por políticas que empobrecem as suas famílias e lhes perturbam o bem-estar.
Acontece que os alunos não têm voz.
É por isso que afirmo, alguns dos problemas dos professores são também problemas nossos.