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sexta-feira, 7 de junho de 2013

da soberba e da tortuosidade dos tácticos

 


 


 


 


Quando, em meados de Junho de 2012, Nuno Crato executou os cortes a eito que provocaram um despedimento colectivo de milhares de professores contratados e a humilhação de outros milhares de professores do quadro, as organizações de professores ficaram "desarmadas". O calendário não permitia acções de luta contundentes.


 


O ano lectivo foi decorrendo e o ministro Crato não cessou de dar asas ao seu baralhado quadro conceptual. Foi apoiado pela jocosidade dos seus companheiros de tragédia que não se cansaram de espezinhar (estou a pesar muito bem) a dignidade dos professores portugueses e as inalienáveis conquistas da escola pública.


 


Só que os professores têm uma força surpreendente depois de anos a fio neste registo. E foram respondendo. Que ninguém se iluda. Ninguém mais do que os professores desejaria um sistema escolar esperançado e um período de exames tranquilo e centrado no essencial. Mas não é possível. Se as marcas da soberba e da tortuosidade dos tácticos são profundas, a resposta dos professores indica que continuam com os pés bem assentes na terra e com o olhar nas estrelas.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

signicativo

 


 


Os poderes formais sabem que é também assim que diminui a pressão numa nação de zombies em estado de revolta contida mas iminente.


 


 


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

da nova teoria do mal

 


 


 


 


Há tempos escrevi assim:


 


 


"Os livros de Miguel Real, "Nova teoria do Mal" e de Andrei Platónov, "A escavação", parecem fechar uma espécie de trilogia com o livro de Gilles Châtelet, "Vivermos e pensarmos como porcos" (sobre o incitamento à inveja e ao tédio nas democracias-mercados).


 


A contra-capa do último diz assim: "Poder-se-à reduzir a humanidade a uma mera soma estatística de cidadãos-consumidores que se vão entredevorando pelo tédio e pela inveja?(...)"


 


O livro de Gilles Châtelet começa com a seguinte advertência: "Antes de mais, que fique bem entendido que nada tenho contra o porco - essa "besta singular" de focinho subtil, que em todo o caso é bastante mais refinado do que nós em matéria de tacto e de odor. Mas que fique igualmente bem entendido: detesto a glutonaria açucarada e a tartufice humanitária daquilo a que os nossos amigos anglo-saxónicos chamam a formal urban middle class da era pós-industrial.(...)"




Encontrei há pouco em Adam Smith (2010:61), Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, uma passagem interessante sobre o assunto. Adam Smith reconhece que o mal é uma espécie de oxigénio da sociedade, que o devemos olhar como natural e que funciona como cimento social.


 


 



 


 


 



 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

quinta-feira, 10 de março de 2011

fragmentos

 



 


 


Não adiantam os eufemismos: as relações entre professores estão mais tensas do que em 2008 e isso pode ser mais explosivo. Houve um aspecto que me impressionou na queda dos titulares: o desespero de alguns titulados com a perda da condição.


 


Agora, deixa-me meio-boquiaberto o desconforto com a possibilidade de suspensão do desmiolado modelo de avaliação. Porque têm um excelente em perspectiva (santa ingenuidade e divina oportunidade) ou porque alcançaram uma posição inesperada na hierarquia da má papelada, os olhares manifestam desconforto com a inevitabilidade da queda. 


 


Estamos na presença de um fenómeno apenas discernido por uma qualquer lógica Husserliana e é perante mais essa pequena barreira que a razão se esforça por prevalecer.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

a indignação que preenche uma revolta ainda silenciosa

 


 


Estava a conversar com duas colegas contratadas e registei a revolta contida que lhes ia na alma. Tomaram consciência que este pode ser o seu último ano de trabalho como professoras. Uma, mais jovem, pensa em emigrar com as lágrimas a encobrirem o olhar. A outra, com filhos pequenos, está a proibir-se de pensar no futuro e racionaliza um discurso ainda mais indignado.


 


O que começa a sufocar a compreensão é a intocável máquina dos partidos políticos. Da Assembleia da República às autarquias, passando pelas benesses ilimitadas na traquitana do estado e nas suas empresas, nada parece comover uma classe instalada que tenta sobreviver à hecatombe como se nada fosse com ela. É um clima inédito na história dos últimos quarenta anos e não augura nada de bom.