domingo, 9 de junho de 2013

gente perigosa

 


 


 


 


 


TSF foi, ontem, o único contacto com o "mundo da informação". Viajei umas horas de automóvel e apanhei uma entrevista em directo ao SE Hélder Rosalino que o I resume de forma distante. Ouvi com atenção um testamento da tragédia que assola a administração pública. Rosalino disse que é o decisor primeiro da vida profissional de milhares de funcionários públicos e está em roda livre.


 


Rosalino é um ultraliberal e até é das acusações mais brandas que se repetem. Compreendo-as melhor agora. O que mais me impressionou na entrevista foi o entusiasmo com que disse: "gosto de gerir pessoas"; algo que qualquer "gestor de pessoas" da France Telecom não desdenharia.


 


Rosalino gosta de "gerir pessoas" no âmbito nacional. É a sua experiência. A proximidade e os "olhos nos olhos" devem embaraçá-lo, mas está tão determinado e seguro que a ambição de "gerir pessoas" só parará na escala planetária. Rosalino não é um gestor mobilizador e não gere procedimentos ou instrumentos de gestão. Fala dos seus semelhantes como recursos (a exemplo dos financeiros ou materiais) cognitivos e produtores e despidos de emoções, sentimentos e expectativas. Rosalino olha o humano através de um recuo de décadas e durante quase uma hora evidenciou que a tragédia financeira que nos consome também é da sua responsabilidade e de Vitor Gaspar. Gente perigosa, tecnocratas com muito poder sobre as pessoas e inchados de convicção.


 


A requalificação foi um tema muito focado. Rosalino teve dificuldade em pronunciar o grupo profissional dos professores. Mostrou-se impaciente. Não é o único. Abordou o assunto como relata o I mas, com o entusiasmo, foi mais longe e revelou um profundo desprezo por quem tenha mais de cinquenta anos (e pelos outros também, claro). São mesmo os descartáveis de Rosalino. A requalificação é um eufemismo. Para o SE, estes improdutivos devem ser empurrados para uma reforma com forte penalização, para rescisões amigáveis ou para o subsídio de desemprego. É uma ideia que já vem do Governo anterior e que fez escola nestes jovens eternos. Como foi possível esta gente ter este poder? Não será por acaso que o Público não se cansa de repetir a fotografia que lá encontrei.


 


 


 


22 comentários:

  1. As mentiras dos energúmenos como este Secretário de Estado são cada vez mais do mesmo. São desprovidos de imaginação. São burros que nem portas. Deve ser da chuva.

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  2. No último parágrafo tens "este gente", não devia ser "esta gente"?

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  3. Será o Rosalino uma espécie de Helder?

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  4. Hélder Paulo Prudêncio9 de junho de 2013 às 17:00

    Coincidência ou não, o que já me ri com esta sequência.

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  5. Helder Fernando Sousa9 de junho de 2013 às 18:03

    AH AH AH Que tragédia este secretário... Será apoiado pelo Helder Pedro?

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  6. Mas o PSD não tem gente mais capaz do que estes incapazes que se acham donos de Portugal? Este é ainda mal formado e diz que não negoceia. Quando Portugal acordar veremos se já não é tarde demais. Era giro que a requalificação atingisse o Banco de Portugal e deitasse o próprio Rosa lindo para o subsídio de desemprego.

    Este governo de arrogantes assumiu agora o desprezo e até a repugnância pelas negociações. É a ditadura da alta finança mais execrável que detesta o conceito de cidadania. A "democracia" cinge-se a um papel na urna do voto que é para alguns, como Cavaco Silva, a legitimação do poder mesmo que com reserva mental.

    É o mal destes tempos, em que os loucos guiam os cegos (Shakespeare)

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  7. Hélder Paulo Prudêncio9 de junho de 2013 às 18:54

    Corrigi, obrigado Helder Salomão.

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  8. Gente perigosa e que sabe o que esta fazer conscientemente..mais debaixo da falácia da tal requalificação está a verdadeira intenção despedir de facto e privatizar as áreas chaves...o sofismo criminoso desta gente leva-me a pensar que esta é somente um parte da solução....talvez mesmo a solução final seja voltar aos tempos de Dickens...no fundo eles sabem disto..se sabem...
    Os ideais da democracia e da liberdade chocam com o facto brutal da sugestibilidade humana. Um quinto de todos os eleitores pode ser hipnotizado quase num abrir e fechar de olhos, um sétimo pode ser aliviado das suas dores mediante injecções de água, um quarto responderá de modo pronto e entusiástico à hipnopédia. A todas estas minorias demasiado dispostas a cooperar, devemos adicionar as maiorias de reacções menos rápidas, cuja sugestibilidade mais moderada pode ser explorada por não importa que manipulador ciente do seu ofício, pronto a consagrar a isso o tempo e os esforços necessários.

    É a liberdade individual compatível com um alto grau de sugestibilidade individual? Podem as instituições democráticas sobreviver à subversão exercida do interior por especialistas hábeis na ciência e na arte de explorar a sugestibilidade dos indivíduos e da multidão? Até que ponto pode ser neutralizada pela educação, para bem do próprio indivíduo ou para bem de uma sociedade democrática, a tendência inata a ser demasiado sugestionável? Até que ponto pode ser controlada pela lei a exploração da sugestibilidade extrema, por parte de homens de negócios e de eclesiásticos, por políticos no e fora do poder?

    Aldous Huxley

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  9. Gente perigosa e que sabe o que esta fazer conscientemente..mais, debaixo da falácia da tal requalificação está a verdadeira intenção: despedir de facto e privatizar as áreas chaves da sociedade…o sofismo criminoso desta gente leva-me a pensar que esta é somente uma parte da solução…. a solução final será mesmo voltar aos tempos de Dickens…
    No fundo eles sabem disto..se sabem…como sabem…
    Os ideais da democracia e da liberdade chocam com o facto brutal da sugestibilidade humana. Um quinto de todos os eleitores pode ser hipnotizado quase num abrir e fechar de olhos, um sétimo pode ser aliviado das suas dores mediante injecções de água, um quarto responderá de modo pronto e entusiástico à hipnopédia. A todas estas minorias demasiado dispostas a cooperar, devemos adicionar as maiorias de reacções menos rápidas, cuja sugestibilidade mais moderada pode ser explorada por não importa que manipulador ciente do seu ofício, pronto a consagrar a isso o tempo e os esforços necessários.

    É a liberdade individual compatível com um alto grau de sugestibilidade individual? Podem as instituições democráticas sobreviver à subversão exercida do interior por especialistas hábeis na ciência e na arte de explorar a sugestibilidade dos indivíduos e da multidão? Até que ponto pode ser neutralizada pela educação, para bem do próprio indivíduo ou para bem de uma sociedade democrática, a tendência inata a ser demasiado sugestionável? Até que ponto pode ser controlada pela lei a exploração da sugestibilidade extrema, por parte de homens de negócios e de eclesiásticos, por políticos no e fora do poder?

    Aldous Huxley

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  10. Blue discordo, vinha daí talvez mais soft mas vinha..o caminho começou aí...não distingo muito uns dos outros...entaão a lurdnhas nem pintada com ouro...

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  11. Gente acossada cada vez mais refugiada num bunker; outros, como o referido no post, em delírio, testando teorias que aprenderam, memorizando.

    No topo, uma presidência senil que apoia uns e outros e que vem discursar sobre agricultura e pescas no "dia da raça"

    Gente acossada é perigosa; tecnocratas em delírio são perigosos; os senis, por vezes, têm a sua piada. Não é o caso.

    O cocktail é perigoso, mesmo.

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  12. Eichmann também era um grande gestor de recursos humanos.

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  13. Este assunto dava para uma interessante discussão Blueshell e Bulimunda. A ideia de "empurrar" os mais velhos com fortes penalizações não é de agora. Mas há várias semelhanças nas ideias, desde logo no monstro da avaliação de professores que alguém classificou com oportunidade como "fascismo por via administrativa".

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  14. Uma coisa é certa: tipos dessa índole não surgiram apenas naquela época e temos de acreditar que outros andarão no meio de nós.

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  15. Não sei Buli. Ainda estou em crer que não.
    bj

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  16. É um exercício difícil, concordo Blueshell.

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  17. Ou "é mais difícil ser honesto no escuro"

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