terça-feira, 18 de junho de 2013

o dia seguinte

 


 


 


 


"Hoje é o dia em que a lei, ontem suspensa para dar lugar à prepotência e arrogância de um ministro que se está nas tintas para os interesses dos alunos, será reposta nas escolas onde se realizam exames. Regressa novamente às escolas o espírito do Despacho nº 5/2013, de 8 de Abril, e a Norma 2/JNE/2013. O dia de ontem – o dia da greve - foi um parêntesis no Estado de Direito.
Os poucos professores que ontem garantiram a Nuno Crato que uma adesão de mais de 90% dos professores a uma greve justa permitisse a realização de exames, voltam hoje, zelosos, à “observância da mais estrita legalidade, novamente investidos do dever de garantir “ princípios de equidade, justiça, rigor e ética. “ Amanhã ressuscita a máquina burocrática que rodeia o processo de exames e toda a complexidade de regras e procedimentos exigidos pelo MEC.
Com a incompetência e falta de ética deste governo já eu lido bem. Um governo que não consegue conviver com a democracia e que adopta como estratégia de governação colocar-se acima do Estado de Direito (a Lei faz oposição ao governo? Altere-se a Lei!) não pode durar muito.
Que este governo, não tendo conseguido de um Tribunal Arbitral uma definição de serviços mínimos, tenha conseguido que se realizassem exames com um mínimo de serviços, isso sim é difícil de aceitar. Porque isso foi possível com o silêncio de consciências que, reduzidas a serviços mínimos, se ofereceram como objecto de "requisição civil" e asseguraram ao ministro a possibilidade de mostrar à opinião pública (manipulada de forma ignóbil nos últimos dias) a realização de exames em muitas escolas. 
Porque penso que para eles será mais difícil este dia seguinte, quero reafirmar-lhes a minha solidariedade (sempre presente, aliás, pois foi também por eles o meu dia de greve). Para quem ontem participou num processo onde todas as irregularidades foram possíveis, não deve ser de ânimo leve que hoje regressam ao cumprimento "da mais estrita legalidade" e ao reconhecimento de que "as normas aqui (Norma 2/JNE/2013) apresentadas são de fundamental importância para o normal funcionamento do processo de provas e exames..." É que isto implica ter de assumir que o funcionamento do processo ontem não foi normal. Nem ético.
Uma dúvida fica: estaria também convocada para ontem, dia 17, uma greve de inspectores? Ou o único procedimento que foi assegurado com todo o rigor e eficácia foi a afastamento da Inspecção de todas as escolas do país?"


 



Manuela Silveira

2 comentários:

  1. "... estaria também convocada para ontem, dia 17, uma greve de inspectores?"

    Era preciso o MEC garantir que nada atrapalharia aquela normalidade.

    Já fui incomodada por um inspector, no decorrer de um exame de que eu era coadjuvante, por estar numa sala, devidamente isolada, a resolver a prova e em respeito por todas as normas, depois de ter assinado a presença no Secretariado de Exames, mas sem ter ali documento de identificação pessoal que provasse que aquele nome designado nos papéis correspondia ao boneco físico que estava na frente do inspector (eu).
    É claro que isto não se passou nestes tempos de rigor preconizados por Nuno Crato!

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  2. A bandalheira continua.
    Os "jornalistas" esqueceram-se de pedir as gravações.
    A Tvi 24 tem um programa em que entra O Prof.Santana Castilho,uma dona de casa da confap, um bicho quase extinto,enfim sem representação de professores envolvidos na greve...giro...

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