A prova geral de acesso à profissão destinada aos professores contratados é da família de uma série de medidas que humilham este grupo profissional que foi escolhido pelo arco da governação com o objectivo de esconder o desvario financeiro com que os seus aparelhos partidários delapidaram o país. Se mais este desmiolo seguir em frente, daqui por uns meses teremos mais um rol de caricaturas a abrirem os telejornais para gáudio dos inimigos da escola pública e da igualdade de oportunidades.
É impressionante como o arco da governação continua a arrogar-se com o exclusivo da responsabilidade depois dos resultados que nos empurraram para a bancarrota. No caso do sistema escolar, há mesmo um fio condutor de políticas desastrosas. Contestam na oposição e eliminam a memória mal tomam posse em cargos do Governo e sempre em regime de plano inclinado. A New Public Management, cara aos ultraliberais, aos neoliberais mas também aos liberais e aos socialistas e social-democratas da terceira via, é, ou foi, a bíblia.
Foi assim com a gestão escolar, com a mobilidade especial para os professores dos quadros, com os concursos externos e internos de professores e podíamos ficar aqui a tarde toda a exemplificar. A prova geral de acesso é mais um episódio da saga. Soluções simples e sensatas como a autonomia das escolas para a distribuição equilibrada do serviço docente entre os professores que existem, eliminariam de vez este desmiolo e apenas exigiriam que os serviços centrais respondessem às necessidade oa longo do ano de uma forma civilizada, humanamente respeitável e com uma verdadeira eliminação de despesa. Mas para isso, era exigível que o arco governativo não obedecesse à lógica de aparelho, abandonasse o fio condutor dos interesses que nos consomem e defendessem mesmo a igualdade de oportunidades e o combate ao abandono escolar que nos envergonha.
É uma proposta tonta. Em vez de regular o ensino superior, nomeadamente o privado, Nuno Crato quer fazer aos professores aquilo que a Ordem dos Advogados já faz aos licenciados em Direito que querem seguir a vida da advocacia.
ResponderEliminarNo entanto, não se confundam as coisas. Se o PSD criticou há 5 anos esta ideia, o mesmo não se poderá dizer de Crato que, pelo que sei, sempre defendeu este tipo de exame.
O problema resolvia-se com um ensino superior de qualidade e exigente (e para isso haveria que encerrar muitas instituições do ensino superior!) e não com a criação de uma prova que quase faz equiparar os professores a alunos com exames nacionais...
ResponderEliminarE se fosse exigido aos político uma prova geral de acesso a cargos públicos, tais como gestores, presidentes de câmaras, deputados, ministros, presidente da república...
Com certeza que maior parte deles teria que se dedicar a outro modo de vida!
Depois de uma licenciatura e de uma profissionalização realizadas com sucesso, a submissão de um candidato a professor a uma prova geral de acesso à carreira é a maior manifestação de descrédito nas instituições de ensino superior do país.
ResponderEliminarContudo, sabemos que muitas dessas instituições de ensino superior albergam interesses particulares de políticos, ex-políticos e simpatizantes ou alinhados, que não convém beliscar, aliás, alguns deles vindo a lucrar com esta prova geral de acesso, com certeza.
Aplicar esta prova a professores contratados com dezenas de anos de serviço é o cúmulo do nonsense e, em caso de reprovação, devia permitir aos encarregados de educação de todos os alunos que já lhes passaram pelas mãos pedirem indemnização por danos causados, assim como esses candidatos a professores licenciados e profissionalizados com médias iguais ou superiores a 14 valores, quando reprovados na prova geral de acesso à carreira, deviam mover uma acção judicial contra a instituição de ensino superior que os certificou de forma fraudulenta.
Concordo inteiramente consigo. Vou, também, um pouco mais longe... Se a classe docente não fosse um tanto ou quanto desunida nas questões relacionadas com a posição/lugar que ocupam, apontando constantemente o dedo ao colega do lado, beneficiando, ao nível da progressão na carreira docente e seus benefícios, sempre os mesmos colegas (não por mérito próprio, apenas porque têm os Diretores das Escolas/ Agrupamentos como padrinhos), colocando os docentes mais "experientes" ou com mais tempo de serviço letivo a fingir que avaliam colegas a quem o Muito Bom ou Excelente já foi de certa forma atribuído pelo/a padrinho/ madrinha Diretor/a, e enquanto quem trabalha e se preocupa fica a ver o sistema instituído pelo próprio Estado a beneficiar quem não merece, é lógico que isto se torna numa bola de neve gigantesca. Quem se rala, deixa de se ralar com o passar do tempo, pois apercebe-se de um sistema viciado com ordem do próprio (des)Governo, contra o qual há muita gente a favor... Para limitar o acesso à profissão de quem quer trabalhar, de quem se desdobra em trabalhos e estratégias para ensinar crianças e aplicar na prática o que aprendeu numa universidade/faculdade/instituto superior/whatever. num curso homologado pelo Ministério, o que é que se faz??? Inventam-se histórias tristes de testes, tanto para passar um atestado de incompetência às universidades, aos docentes das mesmas, a quem lá estuda e até, ironia do destino, ao próprio Estado que faz a homologação da estrutura curricular dos cursos superiores :)
ResponderEliminarCom certeza. Vê-se pelo estado da nossa nação.
ResponderEliminarAté o Pedro?!
ResponderEliminarConcordo com a generalidade do que foi escrito, mas permitam-me que discorde de um aspecto referido pela Sophia que não ajuda nada à imagem pública dos professores "(...)apontando constantemente o dedo ao colega do lado, beneficiando, ao nível da progressão na carreira docente e seus benefícios, (...)" Progressão na carreira Sophia? Para além de isso ser há muito uma raridade, não concordo que tenha existido o que refere pelo menos de forma generalizada.
Parabéns Pedro! Você agora conseguiu surpreender-me não concordando com esta prova.
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