Como é que se deve interpretar a absolutização da busca do lugar cimeiro, e a qualquer preço, nos rankings escolares num país com 27% de abandono escolar precoce, com 3 milhões de pessoas que não concluíram os 9 anos de escolaridade e em que 1 milhão e meio das pessoas que ultrapassaram essa barreira não obtiveram o diploma de conclusão do ensino secundário?
Interpreto as evidências de exclusão como um grave sintoma de terceiro-mundialização, que dá corpo ao empobrecimento que preenche a mente dos nossos governantes e que instituiu um salve-se quem puder a que ninguém escapa. Um empobrecimento exige mais inclusão e só sociedades ausentes e imaturas é que reagem em sentido inverso.
Não há muitos anos (já neste milénio, seguramente), as escolas portuguesas orgulhavam-se, naturalmente, pela integração de alunos com necessidades educativas especiais e pela redução do abandono escolar. Os bons resultados são reconhecidos. A igualdade de oportunidades era uma pública virtude (nem sempre um vício privado, sabemos isso) própria de uma democracia que se esforçava por acompanhar os países mais desenvolvidos onde os rankings escolares são assuntos sérios tratados com competência docimológica e integrados na avaliação das organizações e dos sistemas escolares.
Nós cedemos à cíclica tentação para o empobrecimento empurrados por uma "elite" que se cansa com facilidade com os "gastos" na escolarização para todos.
Os episódios da caça ao ranking recordam-me aqueles países do terceiro mundo onde as crianças são pobres e sem escolaridade e em que os "talentos precoces" e os filhos dos endinheirados são internados em "centros de alto rendimento" ou "academias desportivas (repare-se no "academia")". Nessas sociedades, os filhos do pessoal da oligarquia frequentam colégios e universidades da Commonwealth e regressam aos países de origem com um devorador apetite financeiro ultraliberal. Por cá já vai acontecendo o mesmo com essa parolice dos MBA's na estranja que garantem o acesso aos negócios do J. P. Morgan e do Goldman Sachs com os "complexos" produtos tipo Swaps no caderno de encargos.
“Certamente, quando a comunidade educativa regressar às escolas, vai deparar-se com uma situação em que vai ter de reagir. É impossível que não o faça. Estamos a falar de milhares de desempregados, docentes e não docentes. Estamos a falar de problemas de organização do ano letivo que vão colocar problemas imensos ao funcionamento das escolas, com as crianças, jovens e famílias a serem fortemente prejudicados. Aquilo que colocamos à comunidade educativa, e aos portugueses em geral, é que lutem em defesa da escola pública. É muito difícil garantir um regime democrático sem uma escola pública”.
ResponderEliminarExcelente!
ResponderEliminarEle é Rankings, ele é cheque-ensino, ele é privatização a torto e a direito. Lá vamos ter finalmente os filhos dos bairros de barracas ou afins, ou bairros problemáticos como o Pica Pau amarelo, Vale da Amoreira, Bairro do Aleixo, Bairros de Setúbal e Amadora, entre outros, a estudar nos Colégios Moderno, Maristas, Manuel Bernardes, Salesianos, Alemão, Liceu Francês e dos Carvalhos, entre outros. É certo e garantido. Topam ?
ResponderEliminarO crato aprendeu o jogo do rato e do gato para tramar os portugueses no que refere à educação. Aparentemente parece ser boa ideia para as famílias, só que o cheque é entregue às escolas privadas, ou seja o poder está nos lobis políticos. Os alunos de NEE, CEFS e cursos profissionais podem ir para os colégios? Claro que não estes não os aceitam, só querem alunos bons para o ranking. Acresce que o poder de decisão da escola pública, como entidade estatal de resposta às necessidades da sociedade fica ainda mais enfraquecido, enfim os poderosos, governo querem controlar tudo e todos.
ResponderEliminarO mito da competição remete-nos, enquanto humanos, à nossa condição unicamente zoológica.
ResponderEliminarNão será nada bom para a nossa espécie certamente.
Atente-se à mensagem do artigo do público de hoje, 9 de agosto de 2013, por Francisco Teixeira, com o título "Escola pública, justiça e o ministério da destruição".
Tanta falta nos faz a Filosofia. Isto das disciplinas nucleares ...
“A ideia de que a Educação, enquanto bem social primário de um país, pode alcançar-se como se alcançam os bens de mercado, através da competição, é irracional. O mercado tem como principal objetivo o lucro e a vitória de um produto sobre o outro. A justiça, a igualdade e a liberdade são-lhe alheias. A competição das escolas entre si implica a aceitação do pressuposto de que haverá escolas vencedoras e escolas perdedoras. Acontece que as escolas têm alunos dentro. A derrota de umas escolas em favor de outras significa a derrota dos seus alunos, dos seus professores, das suas famílias, do ideal de justiça social e da ideia de país enquanto comunidade justa e livre.”
E mais não digo.
Subscrito Rui Ferreira. Nem precisa dizer mais...
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