quinta-feira, 12 de setembro de 2013

dos objectivos imediatos (e não em Junho de 2014)

 


 


 


 


 


A defesa da escola pública requer três objectivos imediatos  (e não em Junho de 2014, embora de aplicação no próximo ano lectivo): redução do número de alunos por turma, alteração da carga lectiva dos alunos principalmente na relação com o primeiro objectivo e horários dos professores. Em relação à última meta, dito assim para usar linguagem cratiana, é fundamental que se estabeleça que não pode existir qualquer sobrecarga da componente lectiva derivada do facto de uma aula ser de 45 ou de 50 minutos. Não há estudo empírico no mundo conhecido que prove o contrário do que afirmei. É evidente que a agregação de escolas e a relação público-privado são matérias incontornáveis na defesa desse valor absoluto das democracias: a escola pública.


 


 


Recordo um post que escrevi em 5 de Junho de 2013 (Nuno Crato revelou-se mesmo, s é que ainda era preciso).


 


 


"Uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade", disse ontem Nuno Crato numa inenarrável entrevista televisiva em que se pôs a dissertar sobre a relação entre a formação dos professores e o número de alunos por turma. Nuno Crato disse que concorda com o especialista norteamericano (é mesmo um hanushekiano) que andou por aí noutro dia a apregoar o mesmo e revelou-se mais uma pessoa que nos deixa dúvidas quanto ao juízo ou ao conhecimento sobre uma escola do não superior. Temos de concordar: os professores portugueses têm azar com a sucessão de ministros. Nuno Crato afirmou a sua tese e nem sequer se escudou na troika; nesta variável está, também, para além dela.


 


William Golding, prémio Nobel da literatura em 1983 e professor no 1º ciclo durante 30 anos, foi taxativo numa entrevista à RTP2" Com 30 alunos não há método de ensino que resulte, mas com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes". Essa entrevista descansou-me muito. Tinha leccionado cerca de 10 turmas do ensino secundário, cada uma com mais de 30 alunos, e estava preocupado com a profissão que tinha escolhido e com a minha memória. Já íamos em Maio e nem o nome dos alunos todos conhecia. Numa sociedade ausente como a nossa, e mais ainda nos tempos que correm, a relação entre os professores e os alunos atenua muito a taxa de abandono escolar para além de ser um indicador da qualidade do ensino. Nunca imaginei que 30 anos depois ouviria o ministro da Educação do meu país, qual Taliban, a defender uma coisa destas com a máxima convicção. Que tempos, realmente.


 


 


 


 

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