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quarta-feira, 4 de maio de 2022

Fim dos Horários Incompletos

Este post é de 29 de Agosto de 2017. (Se todos os horários, com um mínimo de 12 ou 14 tempos lectivos, das reservas de recrutamento fossem considerados completos, reduzia-se a falta de professores). 
Uma parte diz assim:


(...)Quem acompanha o sistema sabe, e há muito, que eliminar a quase totalidade dos horários incompletos não seria financeiramente significativo. Houve governantes que tentaram acabar progressivamente com a praga. Em vão. Não por acaso, o Governo declarou recentemente que a gestão financeira dos funcionários públicos passará das finanças para a presidência do conselho de ministros. Está em causa a tomada de decisão com conhecimento mais efectivo - e não aparente, difuso ou preconceituoso - das variáveis: "O objectivo é valorizar a dimensão humana e profissional da administração pública e fazer com que os trabalhadores públicos deixem de ser olhados apenas como números e como uma área do Estado em que é possível cortar despesa".(...)

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Fim dos Horários Incompletos

Este post é de 29 de Agosto de 2017. (Se todos os horários, com um mínimo de 12 ou 14 tempos lectivos, das reservas de recrutamento fossem considerados completos, reduzia-se a falta de professores). 
Uma parte diz assim:


(...)Quem acompanha o sistema sabe, e há muito, que eliminar a quase totalidade dos horários incompletos não seria financeiramente significativo. Houve governantes que tentaram acabar progressivamente com a praga. Em vão. Não por acaso, o Governo declarou recentemente que a gestão financeira dos funcionários públicos passará das finanças para a presidência do conselho de ministros. Está em causa a tomada de decisão com conhecimento mais efectivo - e não aparente, difuso ou preconceituoso - das variáveis: "O objectivo é valorizar a dimensão humana e profissional da administração pública e fazer com que os trabalhadores públicos deixem de ser olhados apenas como números e como uma área do Estado em que é possível cortar despesa".(...)

domingo, 20 de setembro de 2020

Fim da primeira parte: Bolhas 0 x Intervalos 0

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Se cada turma é uma bolha escolar para enfrentar os tempos difíceis da pandemia, repito o que escrevi em 8 de Julho de 2020: "o ministro da Educação integra os fóruns do futebol e das aulas em Setembro. É natural que com tanta informação já confunda intervalos dos jogos com os escolares. Se não se percebe que diga que os alunos vão caber todos na mesma sala, que não haverá desdobramento de turmas, que a única obrigatoriedade é a máscara a partir do 2º ciclo e que distanciamento não, é ainda mais surpreendente que elimine os intervalos escolares."


Portanto, se é decorrente da pandemia que se insiste na desconcentração dos intervalos e no desdobramento de turmas, é importante que se diga que vai para além do que disse, e desdisse, o ministro. Precise-se: com a aplicação das duas ideias, uma escola com 1000 alunos nunca tem mais do que 250 na escola (e descongestiona muito o seu exterior) e um máximo de 60 (um valor entre 15 e 60) a frequentar cada um dos espaços ou serviços fora das salas de aula; e com a vantagem de se manterem as especificidades fundamentais dos horários já a pensar no pós-covid-19 (não se sabe quando será, obviamente).


Ou seja: as propostas dos desdobramentos (ou turnos) e dos intervalos são sustentadas e evitam os 3 c´s (aproximação física, espaços fechados e aglomeração de pessoas). Repito: "grupos de 10 ou 15 nas turmas para frequência presencial semanal alternada não exige que um professor leccione também à distância, duplicando a sua carga horária e o seu desgaste energético ou contratando outro professor. O professor terá a turma na plataforma, até para antecipar todos os futuros, e lecciona apenas as aulas presenciais onde controlará o processo. A RTP memória é mais um apoio para a semana em casa. É preferível ter metade da carga curricular presencial do que nenhuma; ou dito doutro modo: é preferível aprender menos do que não aprender."


Como também é óbvio, desconcentrar intervalos não implica que os tempos lectivos não comecem todos ao mesmo tempo. A ideia de desconcentração acentuou-se com as aulas de 90 minutos (1998) para todos os anos de escolaridade e disciplinas (do 5º ao 12º). Aulas com esse tempo nem sempre são aconselhadas com idades e didácticas tão diversas. Ter os intervalos ao critério dos professores, antecipando-os e continuando as aulas depois ou prolongando-os no início das aulas, não significa que alunos e professores não estejam a horas para as aulas seguintes. Basta pensar um bocado. E nada disto altera a forma tradicional de fazer horários; pelo contrário: melhora-a. Este modelo de intervalos descongestiona os serviços da escola, educa para o silêncio nos espaços comuns e pode ser articulado por disciplina, ano ou conjunto de salas. Está documentado com resultados muito positivos e sem ser preciso ir à Finlândia. Pode ser aplicado em qualquer escola e prepara-a para um ambiente mais inovador, autónomo e responsável. Oxigena as bolhas, e protege-as, e elimina o ruído das campainhas. Claro que há alternativas mais complexas que exigem uma adaptação à tipologia de cada escola. De qualquer dos modos, iniciamos a segunda parte da pandemia com um empate a zero entre as bolhas e os intervalos e a temer uma prolongada ineficácia.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Da Erosão do Centro

 


 


 


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A erosão do centro político (ou arco governativo) explica os sucessos eleitorais dos extremos finais no universo político global. Se o triunfo em toda a linha do neoliberalismo é um argumento essencial para descrever o fenómeno, o descuido com os detalhes da democracia também integra a razão. Contudo, sublinhe-se que, e nosso caso também, a corrupção é tão ubíqua e persistente que pode funcionar como buraco negro e ocultar os outros argumentos. 


Olhe-se para a imagem que recolhi na internet e que teve inúmeras partilhas. Se formos justos e considerarmos os vencimentos e a carreira, afirmamos que o zero não é verdadeiro e que é semelhante à sobrelotação das turmas que se situa no zero vírgula um. Se o tempo de serviço não sai do zero porque a disciplina orçamental da zona euro só não tem rigor austeritário para o financiamento resolutivo da banca, os horários, na sua componente não financeira, e a gestão democrática continuam surpreendentemente no zero. O zero nos horários não é um grau determinado apenas por mais turmas por professor. Há inutilidades responsáveis por milhares de baixas médicas prolongadas e pelo aumento da despesa. Por outro lado, o zero na gestão democrática insere-se nos referidos detalhes e na decisiva qualidade educacional nas democracias. Quando ouço que o poder político não valoriza estas questões, que estão amplamente documentadas, é de recear a erosão do centro político que a breve prazo incluirá a totalidade do parlamento (impressiona o argumentário de jovens deputados do BE e do PCP sobre as lutas laborais mais mediatizadas ou a ilusão palavrosa de jovens ministros sobre a obra "feita" para eleitor ver). Alguém acredita que a oposição, PSD e CDS, faria diferente? Em regra, desprezar os detalhes da democracia e precarizar as classes médias inscreve "uma questão de tempo" para resultados eleitorais extremados (as pessoas frágeis e isoladas são vulneráveis aos excessos ideológicos). Aliás, e a exemplo do problema bancário (somos o único país em que a banca ainda não resolveu a crise de 2007), é histórico o nosso atraso na corporização do "novo".


 

quarta-feira, 11 de abril de 2018

burnout é reconhecido pela OMS

 


 


 


Como o burnout é a doença mais comum nos professores (já fiz umas dezenas de posts sobre o assunto), leio as notícias sobre o tema. Desta vez, fui parar ao futebol. Já se conhecia a estratosfera em que vive a indústria que capturou todos os poderes, mas agora sabe-se que os protagonistas também sofrem de burnout. É um lado algo humorado (como é uma doença grave, não merecerá grandes brincadeiras) de um jogo que transportou a irracionalidade para níveis impensados.


Mas leia o que encontrei sobre o burnout.



"Tristeza, irritabilidade, perda de controlo emocional, alterações comportamentais, dificuldades de concentração ou manifestação de sintomas psicossomáticos (como falta de ar, coração acelerado, entre outros)(...)A síndrome está associada ao stresse profissional prolongado ou crónico e é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença ocupacional.


Descrita pela primeira vez pelo psicoterapeuta norte-americano Herbert Freudenberger, em 1974, segundo o psiquiatra Pedro Afonso, “poderá ser definida como uma reação emocional crónica caracterizada pela desmotivação, desinteresse, e um mal-estar geral na relação com o trabalho”.


Os diferentes sintomas vão-se manifestando de forma gradual “e muitas vezes impercetível”, acrescenta o médico, que na sua página online explica que este cansaço emocional progride “para sentimentos de inadequação e fracasso com quebra do rendimento laboral, conduzindo a um absentismo e negligência”. Um estado de “exaustão”, que acaba por contaminar a vida pessoal, atingindo o relacionamento do indivíduo com a família e com os amigos. Nomeadamente, acrescenta Pedro Afonso, porque “a falta de concentração, a irritabilidade e a baixa tolerância à frustração tornam-se frequentes, acabando por provocar conflitos nas relações interpessoais”.


Do quadro evolutivo da doença constam ainda o aparecimento de perturbações depressivas e de ansiedade, associadas ou não a outros sintomas, podendo “em situações limites” levar ao suicídio.


Observado com frequência em grupos profissionais como médicos, enfermeiros e professores, o burnout pode ocorrer em qualquer atividade profissional, mas está muito ligado a desempenhos vocacionados “para o apoio permanente e direto na resolução de problemas das pessoas”, diz o psiquiatra.


Entre os fatores de risco associados ao desenvolvimento desta síndrome, Pedro Afonso salienta, “do ponto de vista pessoal, os indivíduos [...] com um idealismo exaltado, altruístas ou com traços obsessivos, que investem e se dedicam demasiadamente no seu trabalho como único meio de gratificação narcísica (ser amado, ser reconhecido)”. Por outro lado, aponta outros fatores, como “a existência de trabalho excessivo, monótono ou pouco gratificante”, “a falta de resultados imediatos”, “a presença de conflitos com as chefias, e a interferência significativa do trabalho na vida familiar”.


O psiquiatra também explica como evitar o burnout. Ajuda melhorar o ambiente de trabalho - em aspetos como o conforto ou a flexibilização de horários - assim como “estimular a divisão de responsabilidades e o planeamento do trabalho por objetivos”. “Estabelecer limites” é muito importante, sublinha."


 


Actialização às 15h25:


 


"João Santos Carvalho, psicólogo clínico, explicou do que se trata. «É uma situação clínica que tem a ver com excesso de trabalho, tem a ver com uma fase complicada na profissão. É uma entidade clínica usada para identificar pessoas que ao longo da sua vida viveram momentos de grande tensão e stress, mas sempre ligado à vida profissional. O burnout só se relaciona com a atividade profissional, é um esgotamento», explica o clínico, que revela, também, o tratamento: «É o descanso, o afastamento. Em casos de pessoas com idade mais avançada pode encaminhar-se para a reforma, o que não é o caso. Quanto à medicação, depende dos sintomas»."


sexta-feira, 5 de maio de 2017

da curta radiografia dos professores - 5ª edição

 


 


   


A pessoas estão mais optimistas com este Governo, mas mantêm-se - e acentuam-se com o tempo "inamovível" - as componentes críticas da vida profissional de milhares de professores. E nem todas têm implicações financeiras; algumas melhoravam a capacidade volitiva, atenuavam o burnout e reduziam a despesa.


É a 5ª edição desta curta radiografia. A 1ª é de 5 de Novembro de 2015, a 2ª de 10 de Junho de 2016, a 3ª de 20 de Novembro de 2016 e a 4ª de 26 de Janeiro de 2017. Repito o post enquanto se justificar, não esquecendo as intervenções positivas em variáveis importantes (por exemplo: concursos BCE, prova de acesso e rede escolar).



Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além dos cortes transversais e da aposentação retardada. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira (um histórico com marcas profundas), mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".


 


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  Faces, Picasso


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Uma curta radiografia da profissão de professor

 


 


 


O ambiente no país melhorou com o novo Governo, mas é inquestionável, e com todo o realismo, que se mantêm as componentes críticas da vida profissional de milhares de professores. Temos o dever de o sublinhar. E nem todas têm implicações financeiras; algumas melhoravam a capacidade volitiva, atenuavam o burnout e reduziam a despesa.


É a 4ª edição desta curta radiografia. A 1ª é de 5 de Novembro de 2015, a 2ª de 10 de Junho de 2016 e a 3ª de 20 de Novembro de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar, sem esquecer boas intervenções em variáveis importantes (por exemplo: concursos BCE, prova de acesso e rede escolar).



Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais e da aposentação retardada. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".


 


 


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 Faces, Picasso


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Injectar sangue novo nas escolas?

 


 


 


O DN diz que o "Ministério queria injetar sangue novo nas escolas, mas não tem como fazê-lo" por questões financeiras. É um assunto discutível e com muitas variáveis. Repito o que tenho escrito: há uma legião de professores em burnout. Basta olhar para os números (mais de 40% dos professores tem mais de 50 anos de idade) e conhecer horários e a generalidade das burocracias. Pelos vistos, nada vai acontecer brevemente. Há, desde logo, inutilidades horárias e burocracia cuja eliminação reduzia a despesa.


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domingo, 20 de novembro de 2016

Uma curta radiografia de um grupo profissional

 


 


É a 3ª edição desta curta radiografia. É um facto que o ambiente no país está desanuviado, mas também é inquestionável que nada mudou no essencial na vida profissional de milhares de professores. A 1ª edição foi em 5 de Novembro de 2015 e a 2ª em 10 de Junho de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar e apesar da eliminação de algumas variáveis importantes que não constavam do exame (por exemplo: concursos BCE e prova de acesso).



Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".


 


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sábado, 23 de julho de 2016

Uma breve radiografia de um grupo profissional?

 


 


 1ª edição em 5 de Novembro de 2015.


 


 


Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

sábado, 25 de julho de 2015

os professores foram silenciados durante a troika?

 


 


 


Os professores desencadearam a luta mais difícil (Junho de 2012) da última década com uma impopular greve a exames do 12º ano e a todas as avaliações de final de ano. Não teve o impacto mediático das grandes manifestações (há hoje, e até em 2012, menos professores, 100 mil, do que os que se manifestaram em 2008,140 mil de 170 mil), mas atingiu objectivos de forma mais precisa. Se não o tivessem feito, mais de 10 mil professores dos quadros seriam empurrados para uma injusta e brutal requalificação rosalina e mais uns 10 mil ficariam sem contrato. Ou seja, aos 30 mil eliminados que refere o chefe do Governo acrescentaríamos 20 mil.


 


É bom que se sublinhe, e nesta altura mais ainda, que as lutas valem a pena. Está em vigor um despacho de crédito de horas que disfarça os cortes a eito dos além da troika: alunos por turma, cortes curriculares, horários dos professores e mega-agrupamentos. E já se sabe: se estes cortes a eito se mantiverem, basta que um Governo elimine o referido despacho para que a tragédia se acentue.


 


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quinta-feira, 25 de junho de 2015

avoluma-se a saga "professores colocados no vazio"

 


 


 


Como ontem interroguei, "professores do quadro concorreram e foram colocados noutras escolas em vagas sem horário?"


 


O Público diz hoje que os "sindicatos denunciam erros e injustiças nos concursos".


 


Lendo os depoimentos sobre o assunto, conclui-se: existem dois tipos de erros das escolas: de planeamento ou no lançamento digital das vagas a concurso. No segundo caso, o MEC não terá corrigido as solicitações para a reparação do erro.


 


Mas há erros do MEC: num possível lançamento digital das vagas ou no algoritmo da aplicação informática. Percebe-se que o processo errático tem uma grande dimensão e que os professores seriamente lesados (os que concorreram e os que não concorreram e ficaram com horário zero) não podem entrar em mobilidade especial. É o mínimo; mas mais: era uma boa oportunidade para acabar com esta praga dos horários zero.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

um pico de eduquês

 


  


 


Nuno Crato revelou toda a impreparação em Maio de 2013. Daí para cá tem sido ainda mais penoso, uma vez que a demisão lhe está vedada e os "equívocos" sucedem-se. Dois anos depois, sabe-se que o seu MEC acrescenta o eduquês hiperburocrático, que tanto criticava, vezes dois: dezenas de objectivos, centenas de descritores e milhares de metas para o português, com a sublime contagem de 40 palavras lidas por minuto no 1º ciclo. Vale a pena ler a "Educação afunda-se com Nuno Crato no convés", em mais uma lúcida e demolidora crónica de Santana Castilho.


 


Recordemos um pico do plano que de inclinado passou a vertical.


 


 


 


 



O Público de 22 de Maio de 2013 retratou bem, com a seta para baixo, a condição de Nuno Crato.


 


Maria de Lurdes Rodrigues iniciou o exercício ministerial com um corte na redução da componente lectiva dos professores. Conseguiu uma rápida eliminação de mais de dez mil docentes e transformou-se numa "estrela financeira" por ser a única governante que conseguia cortar nas pessoas. Os professores foram colocados na linha da frente da enésima "reforma" da administração pública e animaram o ciúme social tão caro a quem espera por votos. Desenvolveram uma luta isolada e só não conseguiram mais vitórias porque foram traídos pelos seus sindicatos e pelos partidos políticos da actual maioria.


 


Nuno Crato já é uma "estrela financeira". Executou um despedimento colectivo de cerca de quinze mil professores e empurrou mais uns milhares para reformas com forte penalização. Aumentou os alunos por turma e os horários dos professores. É também o governante mais "premiado" no corte de pessoas. Vai à frente e bem isolado. Torna insuportável o exercício dos professores com mais idade e ameaça o grupo profissional com uma mobilidade especial intolerável que se alarga a toda a função pública. Mais uma vez a "festa" da luta começou com os professores e com os seus sindicatos. Os outros grupos profissionais, a maioria com menos voz, esperam pelos resultados. Os professores esperam que os seus sindicatos não os voltem a trair e que quem aspira a governar diga ao que vem e sem mentir.



 


 


Este post é de 22 de Maio de 2013.


Acrescentei-lhe os caracteres que estão acima da imagem.


 

terça-feira, 20 de maio de 2014

números irrefutáveis

 


 


 



 


 


Bem sei que "o que é irrefutável é falso" (Karl Popper), mas há números que traduzem asserções irrefutáveis. Sabe-se que "mais de 70% dos portugueses que trabalham por conta própria têm apenas o ensino básico" e que apesar dos progressos assinaláveis das últimas décadas estamos novamente em plano inclinado.


 


O aumento do número de alunos por turma, os cortes curriculares, o aumento nos horários dos professores e a constante terraplenagem da cultura organizacional das escolas públicas são um sinal evidente de que as nossas "elites" cansaram-se depressa de investir no sistema escolar e não encontramos nos partidos que aspiram a governar qualquer referência objectiva às variáveis enunciadas. E não adianta argumentaram com a falta de alunos. Os fenómenos recentes de quebra de natalidade e de alteração dos fluxos migratórios sentir-se-ão, e se nada for feito, apenas daqui por uns anos. Os alunos que abandonam a escolaridade sem o secundário completo nasceram no século passado.


 


segunda-feira, 7 de abril de 2014

está a referir-se a quê?

 


 


 


Crato diz que a autonomia das escolas teve progressos notáveis ao nível da organização de horários e de currículos. Crato está a referir-se a quê?


 


O que se alterou significativamente no seu exercício foi o aumento do número de alunos por turma, o aumento da componente lectiva dos professores e os cortes curriculares. Tudo decidido centralmente e de forma igual para todas as escolas. Aliás, os horários dos professores, os currículos e a composição das turmas obedeceram a um inédito centralismo burocrático (feito de forma digital) de autorizações.


 


O MEC permite que as aulas se organizem em 45 ou 50 minutos o que criou uma contabilidade horária ao minuto que é perversa e controlada centralmente. Mais uma vez. Querem ver que Crato se está a referir ao facto de, por exemplo, a aula de segunda-feira às 08h30 não ser da mesma disciplina em todas as escolas como se calhar imaginou no seu devaneio centralista? Não é essa aula nem as outras. E já era assim em 1950, 1960, 1970, 1980, 1990, 2000, 2010 e será em 2020.


 


Estes governantes deviam ser responsabilizados por estas afirmações. Parece que Portas disse que as pessoas que ficaram sem RSI tinham 100 mil euros na conta. Ao que se sabe, menos de 10 pessoas estavam nessa condição e 85 mil ficaram sem RSI. Esta tirada de Crato tem o mesmo rigor.


 


 



 


 


 


 


 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

mais vale acordar tarde do que não acordar

 


 


 


 


 


As causas imediatas deste problema estão identificadas: os cortes a eito armazenaram alunos, a contabilidade dos tempos lectivos incluiu, em regra, mais uma turma nos horários dos professores e os docentes sem componente lectiva andam a ocupar tempos noutros ciclos para que se eliminem do sistema os professores contratados.


 


Basta pensar num grupo disciplinar do secundário com 10 professores e 4 tempos curriculares semanais de 45 minutos: uma turma a mais em cada professor elimina dois horários e seis a oito alunos a mais em cada turma eliminam duas a três turmas em cada dez. É empobrecer e desistir. O holandês que chefia o eurogrupo, e que promove estes cortes a eito (e depois o nosso Governo traduz como delapidação da escola pública), é dum país que instituiu a fuga aos impostos sediando as sedes fiscais de inúmeras empresas europeias. Mas quanto a esse saque nem uma palha se move.


 


Uma série de organizações dos encarregados de Educação e dos sindicatos de professores acordaram para a realidade que faz com que os professores do ensino secundário e do 3º ciclo leccionam as AEC´s no 1º ciclo. O problema não é novo e há anos que testemunho a desorientação de uma boa parte dos professores que são colocados nessas circunstâncias.


 


Podíamos ir mais longe e encontrar causas no modelo de gestão escolar inspirado num qualquer marciano. Foi aí que começou o imperativo dos cortes a eito desenhado por quem tem horror às salas de aula e desprezo pela profissionalidade dos professores. É inadmissível que os professores com mais tempo de serviço tenham mais turmas, e ainda por cima com alunos armazenados, e que os seus colegas sejam colocados nesta situação.


 


 


 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

dos objectivos imediatos (e não em Junho de 2014)

 


 


 


 


 


A defesa da escola pública requer três objectivos imediatos  (e não em Junho de 2014, embora de aplicação no próximo ano lectivo): redução do número de alunos por turma, alteração da carga lectiva dos alunos principalmente na relação com o primeiro objectivo e horários dos professores. Em relação à última meta, dito assim para usar linguagem cratiana, é fundamental que se estabeleça que não pode existir qualquer sobrecarga da componente lectiva derivada do facto de uma aula ser de 45 ou de 50 minutos. Não há estudo empírico no mundo conhecido que prove o contrário do que afirmei. É evidente que a agregação de escolas e a relação público-privado são matérias incontornáveis na defesa desse valor absoluto das democracias: a escola pública.


 


 


Recordo um post que escrevi em 5 de Junho de 2013 (Nuno Crato revelou-se mesmo, s é que ainda era preciso).


 


 


"Uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade", disse ontem Nuno Crato numa inenarrável entrevista televisiva em que se pôs a dissertar sobre a relação entre a formação dos professores e o número de alunos por turma. Nuno Crato disse que concorda com o especialista norteamericano (é mesmo um hanushekiano) que andou por aí noutro dia a apregoar o mesmo e revelou-se mais uma pessoa que nos deixa dúvidas quanto ao juízo ou ao conhecimento sobre uma escola do não superior. Temos de concordar: os professores portugueses têm azar com a sucessão de ministros. Nuno Crato afirmou a sua tese e nem sequer se escudou na troika; nesta variável está, também, para além dela.


 


William Golding, prémio Nobel da literatura em 1983 e professor no 1º ciclo durante 30 anos, foi taxativo numa entrevista à RTP2" Com 30 alunos não há método de ensino que resulte, mas com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes". Essa entrevista descansou-me muito. Tinha leccionado cerca de 10 turmas do ensino secundário, cada uma com mais de 30 alunos, e estava preocupado com a profissão que tinha escolhido e com a minha memória. Já íamos em Maio e nem o nome dos alunos todos conhecia. Numa sociedade ausente como a nossa, e mais ainda nos tempos que correm, a relação entre os professores e os alunos atenua muito a taxa de abandono escolar para além de ser um indicador da qualidade do ensino. Nunca imaginei que 30 anos depois ouviria o ministro da Educação do meu país, qual Taliban, a defender uma coisa destas com a máxima convicção. Que tempos, realmente.


 


 


 


 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Ao caos habitual somou-se a ganância das ppp's escolares

 


 


 


Basta ver um jornal televisivo para chocar com coisas assim. Esperemos pelos relatórios com os números de 2013 e constataremos a queda vertiginosa do nosso sistema escolar em todos os indicadores.



Estamos a empobrecer de forma acelerada, mas os interesses encostados ao Estado até se babam com o que vai acontecendo e com o destino que querem dar ao próximo quadro comunitário. Vamos a caminho do terceiro mundo, o salve-se quem puder acentua-se e ninguém se sentirá a salvo a não ser a malta da oligarquia. Normalmente, estes estados têm um fim trágico.





É uma imagem. Não é um vídeo.





quarta-feira, 31 de julho de 2013

e as pessoas, pá?

 


 


 


 


 


 



 


 


Será que estes milhares de professores não têm direito a descansar e a recarregar baterias? Não é só a tradicional bagunça organizacional dos finais de ano lectivo acrescentada das PPP´s da rede escolar, são, como sempre se disse, os cortes a eito verificados no verão de 2012.


 


Os aumentos nos horários dos professores e no número de alunos por turma, a revisão curricular e os mega-agrupamentos institucionalizaram um inaudito desrespeito pela profissionalidade dos professores e exigem um qualquer ponto final. O sistema escolar atingiu um rol tal de brutais injustiças, perpetradas na última década, que a coisa já só vai lá com um reset.


 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Haverá alguém que consiga explicar a diferença entre uma aula de 45 e uma de 50 minutos?

 


 


 


 


 


 


 



 


 


A Fenprof anuncia uma queixa contra Nuno Crato na Procuradoria-Geral da República por causa do desrespeito pelo lei negocial. Para além das questões referidas na notícia, ficam por esgrimir os cortes a eito verificados no ano passado e que se mantêm intocáveis. Se já até o SE Rosalino anuncia que  se pode equacionar a passagem dos horários das administrações públicas novamente para as 35 horas passado o estado de emergência, espera-se que os aumentos no número de alunos por turma e nos horários dos professores regressem a um estado de alguma sanidade. Numa primeira fase, cada escola ou agrupamento poderá adaptar-se aos recursos que tem para paulatinamente recuperar a prevalência do ensino. É bom que se sublinhe que não existe neste regresso aumento de despesa (preferia usar investimento, mas enfim) e que se entenda de uma vez por todas que a mobilidade especial em curso representa uma migalhinha orçamental e um prejuízo relacional incalculável.


 


A contagem ao minuto dos horários dos professores é uma tortuosidade mirabolante só possível na mente de quem não tem sala de aula ou horror a esse espaço. Haverá alguém que consiga explicar a diferença entre uma aula de 45 e uma de 50 minutos?


 


Se numa escola, e Nuno Crato não se cansa de propalar uma qualquer autonomia neste assunto, a opção for por 45 minutos um professor com direito a leccionar 18 tempos lectivos, por exemplo, lecciona 20. Se a escola optar por aulas de 50 minutos lecciona 18 tempos lectivos mas a maioria das disciplinas perde horas curriculares. Este absurdo, de condicionar, por exemplo, que uma disciplina seja leccionada em 4 tempos lectivos (no caso dos 45) ou 3 (no caso das 50) é uma espécie de chantagem que caracteriza de forma lapidar o estado a que chegaram estas variáveis fundamentais da gestão escolar e que tem apenas uma resultado: a maioria dos professores lecciona mais uma turma, o que para os mentores da coisa é desprezível e sem qualquer relação com a qualidade do ensino.