Recebi por email, devidamente identificado, a indignação que vai ler a seguir sobre a prova de avaliação para os professores contratados. Foi só esperar pela coisa para concluirmos da abjecção. Isto só pode sair da mente de pessoas "mal resolvidas", digamos assim.
Ora leia.
Só são consideradas para classificação as respostas legíveis e cuja extensão seja superior a 150 e inferior a 450 palavras.
Na classificação deste item, só é considerada correta a grafia que segue o que se encontra previsto no Acordo Ortográfico de 1990, atualmente em vigor.
Os critérios de classificação estão organizados por níveis de desempenho, de acordo com os seguintes parâmetros:
–– respeito pela instrução relativa ao tema;
–– adequação da estrutura à tipologia requerida pela instrução (exposição introdutória, desenvolvimento argumentativo e conclusão);
–– clareza e coerência na apresentação das ideias e dos argumentos relevantes.
Os erros de ortografia, de morfologia, de sintaxe e de pontuação estão sujeitos a desvalorização.
São considerados erros ortográficos os erros de acentuação e de translineação, assim como o uso indevido de letra minúscula ou de letra maiúscula inicial. Todas as ocorrências de um mesmo erro estão sujeitas a desvalorização.
Os desvios aos limites previstos para a extensão do texto estão igualmente sujeitos a desvalorização.
São classificadas com zero pontos as respostas que não atinjam o nível de desempenho mais baixo ou quando se verifique uma das seguintes condições:
–– afastamento integral do tema;
–– mais de seis erros de sintaxe;
–– mais de dez erros inequívocos de pontuação;
–– mais de dez erros de ortografia ou de morfologia.
8. Indique a opção que contém uma frase sem incorreções.
(A) A calma imperturbável do guarda, contrastava com a agitação dos dois homens que discutiam ruidosamente no meio da rua, criando uma algazarra que atraía os moradores à janela.
(B) A calma imperturbável do guarda contrastava com a agitação dos dois homens, que discutiam ruídosamente no meio da rua, criando uma algazarra que atraía os moradores à janela.
(C) A calma imperturbável do guarda contrastava com a agitação dos dois homens que discutiam ruidosamente no meio da rua, criando uma algazarra que atraía os moradores à janela.
(D) A calma imperturbável do guarda contrastava com a agitação dos dois homens, que discutia ruidosamente no meio da rua, criando uma algazarra que atraia os moradores à janela.
A sequência abaixo é constituída por letras do alfabeto português.
A A B A C C D C E E ...
10. Mantendo o mesmo padrão de formação da sequência, qual das opções contém as quatro letras que permitem continuá-la?
(A) F E G G (B) F E H H (C) F F G F (D) F F G H
Paulo,
ResponderEliminarDepois de partilhar contigo a minha indignação, ainda concluí coisas interessantes.
Por exemplo, a formulação do item 8 não passava num simples teste de Didáctica do Português para estagiários, pois mistura erros de acentuação/ortográficos com erros de pontuação/sintácticos e induz o examinando em erro.
A alínea B desse item, para além de um erro de acentuação/ortografia ("ruídosamente"), possui vírgulas desnecessárias a isolar uma oração adjectiva relativa explicativa (",que discutiam ruídosamente no meio da rua,") vírgulas essas que não retomadas na resposta assinalada como correcta, ou seja, na alínea (C).
Pretende-se testar afinal o quê???
Isto é ultrajante e mais parece aquela série de livros infanto-juvenis «Onde está o Wally?», que se promove como...
"A mais fantástica série de livros-passatempo, popularíssima em todo mundo! Mas os livros do WALLY não se esgotam no aspecto lúdico, uma vez que possuem também aspectos que permitem classificá-los na área do paraescolar, pois estimulam a concentração, o espírito de pesquisa, de descoberta e conhecimento."
Leia-se:
ResponderEliminar"... vírgulas essas que não SÃO retomadas na resposta..."
É ultrajante Ana, concordo. Que tempos estes. Nunca mais pára o desmiolo contra os professores; apre.
ResponderEliminarPeço desculpa, Paulo, mas isto tudo é um escarro!
ResponderEliminarConcordo Carlos. Nada a desculpar.
ResponderEliminarEstes senhores devem ter um trauma de infância contra os professores, que fizeram deles os homens, os "letrados", os políticos que são hoje.
ResponderEliminarUma vergonha!
Cumprimentos.
Concordo.
ResponderEliminarCumprimentos também.
Bom dia,
ResponderEliminarO seu post está em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.
Atenciosamente,
Portal SAPO
Ainda bem que os professores irão ser avaliados por parâmetros externos e igualitários a nível nacional. Este teste é bom para os professores poi permitirá separar os bons dos maus. Indiscurivelmente há maus professores, tão maus que não saberão concluir o teste. Esses maus professores até são licenciados, têm um mestrado e até cantarão no coro da paróquia mas são maus, prejudicam os bons e, por isso, devem ser afastados, ainda que lecionem há muitos anos. Não é o facto de se possuir uma licenciatura que habilita automaticamente ao exercício da profissão, nem a circunstância de lecionar há muitos anos serve de habilitação. Veja-se, por exemplo, o caso de outras profissões que exigem estágios, formações, períodos probatórios e exames para aceder ao exercício da profissão e/ou inscrição na respetiva ordem profissional. Esta dificuldade acrescida para o exercício da profissão não tem prejudicado aqueles (tantos) profissionais, bem pelo contrário, as suas profissões são socialmente reputadas e aos seus profissionais é reconhecida idoneidade. Assim, os bons professores não devem temer esta ou qualquer outra prova, aliás, deviam, antes, clamar em sua defesa, pois com ela só beneficiarão.
ResponderEliminarJá relativamente à justiça e às razões da sua atual introdução e seus efeitos retroativos, isto sim deve ser discutido mas sem as desculpas que se estão a ouvir da antiguidade e da habilitação. Discuta-se o modelo e introduzam-se as alterações que se julgarem necessárias mas nunca se afirme que basta derer curso superior para se estar habilitado ao exercício da profissão e, muito menos, que a circunstância de exercer há muitos anos, igualmente ou cumulativamente, habilita. Defenda-se a profissão com a razão e com a qualidade provada dos bons professores. Não se defenda a qualidade dos profissionais com o argumento do direito adquirido. Hoje, um auxiliar de ação educativa que queira exercer tal profissão tem que se sujeitar ao prévio escrutínio das suas qualidades para o exercício do cargo, independentemente das habilitações que possua. Excluam-se os maus e os mediocres professores, já, com urgência, pois são estes os responsáveis pela educação de um povo burro que elege maus governantes, igualmente formados pelos maus professores. É uma questão de sobrevivência deste país e é muito urgente.
Que não faz nenhum sentido,presumo que até estaremos de acordo... mas não iremos assistir a uma boa taxa de reprovações com um nível destes? Desculpem,mas nenhum de nós gostará de ver os nossos filhos serem ensinados por indivíduos que conseguem escrever \"ire-mos\" e por aí adiante. A dureza das específicas levou a que existam doutas mentes que escrevem melhor em inglês do que falam e escrevem português,sendo isso inqualificável! Terá esta prova (quase totalmente descabida) esse único mérito??
ResponderEliminarSobre a actividade docente todos opinam. Todos têm certezas. Todos sabem o que é melhor ou pior. Todos se sentem capacitados para julgar. Todos se sentem legitimados para condenar. Todos se sentem superiores nas suas competências e saberes.
ResponderEliminarMuitos, pelos vistos, fariam de bom grado uma prova deste tipo para testarem as suas capacidades e méritos profissionais.
Triste e pobre, o meu país...
Desculpem, doutos julgadores, não ter feito o comentário respeitando as regras do AO de 1990 que, confesso, não domino. De todo...
ResponderEliminarObrigado caro Portal SAPO.
ResponderEliminarTens razão, Paulo.
ResponderEliminarLamento que julgue mau e desagradável que o Sapo dê este pico de audiências e abra o blogue a outro género de comentários de gente de fora da quintinha, pasme-se, até com opiniões diferentes, tão diferentes que chegam ao ponto de afirmar ser bom o que é mau e, como se isso não bastasse, tais opiniões pertencem a pessoas alheias ao meio, isto é, pasme-se de novo, qualquer um pode ter opinião sobre o assunto. Inacreditável.
ResponderEliminar/
É claro que qualquer pessoa pode ter opinião sobre qualquer assunto, desde que não seja um simples gosto ou não gosto (como um Like no Facebook ). Qualquer opinião é válida desde que fundamentada, independentemente de quem a tenha/formule, seja de dentro ou de fora da quinta.
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Façam-se homenzinhos e, já agora, deixem-se de birras e deixem de escrever philosophia e toiro ou loiça e cresçam, abrindo a mente ao Mundo, ao presente e ao futuro.
ResponderEliminarNão foi isso que escrevi, se me permite. Disse que gosto que me leiam e agradeço sempre ao SAPO.
Normalmente, o SAPO salienta posts do blogue sobre os mais variados assuntos, e, nesses momentos, os comentários são estranhos para os leitores habituais.
Não sei se costuma ler o blogue que tem quase 10 anos (comemora-os em 25 de Abril de 2014) e 7191 posts sendo que 2796 são sobre política educativa.
O que sublinhei no comentário a que se refere é uma evidência:
"A profissão de professor em Portugal é a mais devassada do planeta. Há anos a fio que é assim. Os governantes, convencidos que os professores são o problema maior do sistema esolar, também os "escolheram" porque são muitos.
Os membros dos últimos governos têm qualquer coisa contra a escola pública, o que é uma espécie de ingratidão. Importa recordar que há uma parte do negócio que passa pela precarização dos professores. O ciúme social faz o resto e ainda há acólitos de quem promove estas políticas a defendê-las como factor de valorização do estatuto dos professores."
A mediatização destas coisas devassa a carreira dos professores e os alunos, crianças e jovens, vêem os telejornais. O clima de indisciplina que tantos referem passa também por isso, pela autoridade dos professores e pelo seu reconhecimento social. É a isso que me refiro, para além da natural injustiça de que os professores têm sido alvo e que penso que concordará.
Já agora, obrigado por comentar.
"Qualquer opinião é válida desde que fundamentada(...)"
ResponderEliminarNão podia estar mais de acordo consigo!
Exacto Carlos, se me permites.
ResponderEliminarReli os seus comentários José C. M. Velho. Não imagina como já se discutiu o seu argumentário.
Basta clicar numa das etiquetas que está na coluna esquerda do blogue para perceber o que penso.
Quando escreve "Veja-se, por exemplo, o caso de outras profissões que exigem estágios, formações, períodos probatórios e exames para aceder ao exercício da profissão e/ou inscrição na respetiva ordem profissional."
Alguma vez foram discutidos desta forma os critérios de ingresso nessas profissões?
É capaz de me indicar um comentário que tenha inserido sobre o assunto em qualquer lugar do planeta? O que é que pensa dos critérios de integração nas carreiras dos advogados, enfermeiros, médicos, engenheiros, jornalistas e por aí fora.
Deixo-lhe mais uma interrogação. O que pensa dos critérios para se integrar a "carreira" de encarregado de educação ou de governante?
Boa noite,
ResponderEliminarEm primeiro lugar tem que ter cuidado com os erros:
- pois (e não poi)
-indiscutivelmente (e não indiscurivelmente)
- deter (e não derer)
Em teoria concordo com alguns dos argumentos que defende. A prova não é lícita, nem tão pouco oportuna. Existem maus profissionais na docência, tal como existem na política (TODOS), na saúde (muitos); na justiça (quase todos), e em TODAS as àreas de trabalho no mundo. Os maus profissionais devem ser punidos? Claro! Os bons devem ser elogiados? Claro que sim!
Não é o facto de se possuir uma licenciatura que habilita automaticamente ao exercício da profissão, nem a circunstância de lecionar há muitos anos serve de habilitação. Como?? O facto de obter um curso através de estudo, de trabalho ( e não de faxes enviados ao domingo para o reitor que, por acaso é amigo) e de avaliação não dá direito a exercer a profissão???
E como é que a inscrição na ordem dos professores seria efetuada? Em portugal não existe, ou será que sim?
Ao fim de 12 anos a lecionar para o ministério da educação, sendo SEMPRE avaliado, até com notas elevadas de muito bom, pelos parâmetros impostos pelo próprio ministério, agora tenho que mostrar que, afinal tenho as capacidades que já me foram reconhecidas?
Esta prova não é só abjeta, é a prova de que quem manda é IMBECIL.
E não faltam imbecis neste mundo...
Aqui está um infiltrado, um sabujo do partido, um dos tais que manipulam a opinião nas redes sociais.
ResponderEliminarPois... Pirou-se o sabujo... Com medo de ser descoberto...
ResponderEliminarNão é com a avaliação da capacidade de raciocinio ou a contar os erros ortográficos que se vão separar os bons e os maus professores... Os professores distiguem-se entre maus e bons pela vocação, capacidade de ensinar e relacionamento com os alunos. Estas capacidades não serão avaliadas neste teste que apenas serve para o governo argumentar que há menos professores no desemprego.
ResponderEliminarCumprimentos de um não professor.
É Ruca. Parece.
ResponderEliminarCumprimentos também. Obrigado pelo comentário.
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