Até arrepia o estado a que isto chegou.
"Foram condecorados no 10 de Junho e caíram em desgraça."
É inaceitável, e em qualquer ponto de vista, que dirigentes escolares com salários pagos pelo erário público, funcionários públicos ou não, escolham alunos com base nos resultados escolares esperados. Se nos privados - falta saber se são privados financiados pelo estado - 82% dos alunos são escolhidos com esse critério, os 28% nas escolas públicas não é menos chocante.
"28% dos alunos frequentaram escolas públicas que usaram notas como critério de admissão. Nas escolas privadas, o número de alunos onde os directores admitem usar este critério dispara para 82%. Relatório da OCDE com dados do PISA 2015 é lançado nesta quarta-feira.(...)"
Sucedem-se os governos resumidos a uma ideia nas políticas escolares: eliminar as formas de luta dos professores. A última e recente vergonha denominar-se-á Portaria 223Ade2018 ou "fim dos conselhos de turma". Cresce a tristeza com um Governo que não toca no ambiente não democrático das escolas. É que nem uma das esquerdas parlamentares levanta a voz.
É péssima a imagem dos concursos para directores na administração pública. Para além da gravidade das candidaturas irregulares (pessoas com esse perfil existem em todas as épocas), o que duplica a vergonha é a conivência e a parcialidade dos júris como se pode ler "nesta notícia" do DN e na ligação seguinte do mesmo jornal:
Em 4 de Novembro de 2013 escrevia assim (o título do post é desse dia):
A excelente reportagem, "Verdade inconveniente", conduzida pela jornalista Ana Leal da TVI é uma valente defesa de um valor primeiro das democracias: a escola pública.
Sabemos há muito a vergonha que se estabeleceu com os negócios da Educação, mas visto assim, de enfiada e em cerca de meia-hora, deixa-nos com uma mistura de tristeza e de raiva.
Será possível que, depois de mais este documento passado em horário nobre e na televisão com mais audiência, tudo fique na mesma?
Há crianças com a igualdade de oportunidades posta em causa de forma "impensável", há professores com horários zero e com a dignidade profissional severamente abalada e há um desperdício escandaloso de dinheiros públicos agravado pelo estado do país. Gostava que este não fosse o meu país.
Tem o vídeo completo aqui.
Sim, enojado com as últimas notícias da dispensa da prova de acesso para os professores contratados com cinco ou mais anos de serviço. O MEC e os sindicatos (iniciativa da FNE e de mais dois sindicatos afectos à UGT) que chegaram a este acordo devem ter vergonha. Se concordam que a prova é injusta, é injusta para todos e não apenas nestas circunstâncias. Como há muito acontece, os jovens adultos são usados para salvar faces diversas e como cobaias para estas jogadas de bastidores.
Abri o site do Público e lá está em destaque: "adolescentes responderam à prova e passaram".
A profissão de professor em Portugal é a mais devassada do planeta. Há anos a fio que é assim. Os governantes, convencidos que os professores são o problema maior do sistema esolar, também os "escolheram" porque são muitos.
Os membros dos últimos governos têm qualquer coisa contra a escola pública, o que é uma espécie de ingratidão. Importa recordar que há uma parte do negócio que passa pela precarização dos professores. O ciúme social faz o resto e ainda há acólitos de quem promove estas políticas a defendê-las como factor de valorização do estatuto dos professores.
Recebi por email, devidamente identificado, a indignação que vai ler a seguir sobre a prova de avaliação para os professores contratados. Foi só esperar pela coisa para concluirmos da abjecção. Isto só pode sair da mente de pessoas "mal resolvidas", digamos assim.
Ora leia.
Só são consideradas para classificação as respostas legíveis e cuja extensão seja superior a 150 e inferior a 450 palavras.
Na classificação deste item, só é considerada correta a grafia que segue o que se encontra previsto no Acordo Ortográfico de 1990, atualmente em vigor.
Os critérios de classificação estão organizados por níveis de desempenho, de acordo com os seguintes parâmetros:
–– respeito pela instrução relativa ao tema;
–– adequação da estrutura à tipologia requerida pela instrução (exposição introdutória, desenvolvimento argumentativo e conclusão);
–– clareza e coerência na apresentação das ideias e dos argumentos relevantes.
Os erros de ortografia, de morfologia, de sintaxe e de pontuação estão sujeitos a desvalorização.
São considerados erros ortográficos os erros de acentuação e de translineação, assim como o uso indevido de letra minúscula ou de letra maiúscula inicial. Todas as ocorrências de um mesmo erro estão sujeitas a desvalorização.
Os desvios aos limites previstos para a extensão do texto estão igualmente sujeitos a desvalorização.
São classificadas com zero pontos as respostas que não atinjam o nível de desempenho mais baixo ou quando se verifique uma das seguintes condições:
–– afastamento integral do tema;
–– mais de seis erros de sintaxe;
–– mais de dez erros inequívocos de pontuação;
–– mais de dez erros de ortografia ou de morfologia.
8. Indique a opção que contém uma frase sem incorreções.
(A) A calma imperturbável do guarda, contrastava com a agitação dos dois homens que discutiam ruidosamente no meio da rua, criando uma algazarra que atraía os moradores à janela.
(B) A calma imperturbável do guarda contrastava com a agitação dos dois homens, que discutiam ruídosamente no meio da rua, criando uma algazarra que atraía os moradores à janela.
(C) A calma imperturbável do guarda contrastava com a agitação dos dois homens que discutiam ruidosamente no meio da rua, criando uma algazarra que atraía os moradores à janela.
(D) A calma imperturbável do guarda contrastava com a agitação dos dois homens, que discutia ruidosamente no meio da rua, criando uma algazarra que atraia os moradores à janela.
A sequência abaixo é constituída por letras do alfabeto português.
A A B A C C D C E E ...
10. Mantendo o mesmo padrão de formação da sequência, qual das opções contém as quatro letras que permitem continuá-la?
(A) F E G G (B) F E H H (C) F F G F (D) F F G H
Os concursos de professores por oferta de escola são indecentes e os mais incivilizados da Europa e ponto final.
Recebi o seguinte email, devidamente identificado:
Bom dia. O Agrupamento de Escolas Manuel da Maia não contatou os contratados, publicitando apenas na sua página a mensagem que segue em anexo. Ao reparar que contrataram um outro candidato menos graduado que eu, procurei as listas na página do Agrupamento e deparei-me com esta realidade. Agora temos de passar a verificar as dezenas/centenas de páginas de escolas para onde concorremos? Talvez não tenha sido escolhida por não ter tido conhecimento da informação acima. Devo reclamar? Para onde? Terei razão?
Obrigado.
O email vem acompanhado da imagem que se segue:
O Arlindo Ferreira publicou um post sobre o mesmo agrupamento de escolas que diz assim:
"Se por um lado pedem para os 10 primeiros enviarem o curriculo para a escola por outro lado colocam os posicionados nos trezentos e tais."
Acrescentei, às 17h07, o vídeo sugerido no comentário da Ana: