Estranhei os factos ocorridos com o grupo GPS em 2004, 2005 e 2006. Fiquei atento ao assunto e publiquei alguns textos de opinião. Também estranhei que nas Caldas da Rainha o assunto só tivesse sido mediatizado há cerca de dois anos e no decurso dos cortes a eito nas escolas públicas.
Pelo que vai divulgando a comunicação social, a grande operação da semana passada foi preparada há mais de um ano e provocada também por acção do MEC em resultado de seis auditorias da Inspecção-Geral da Educação que, segundo o "I", foram arrasadoras para o Grupo GPS.
Basta googlar para se encontrar notícias com acusações graves, ao Grupo GPS e aos seus proprietários, com datas que remetem para 2006. A polícia judiciária há muito que confirma as investigações.
Ora leia, por exemplo, esta notícia de 27 de Julho de 2009, muito antes da sociedade ter acordado para o assunto.
"Despedimento “antecipado” para docentes.
Grupo GPS acusado de obrigar à assinatura de contratos e cartas de rescisão em simultâneo. Director desmente.
O Grupo GPS Educação e Formação, com mais de 20 escolas, exige aos professores cartas de despedimento no início de cada ano lectivo. Docentes falam de um ‘polvo’ de ilegalidades e terror. Director desmente tudo, mas PJ confirma investigações.
A 31 de Agosto, muitos serão os professores das mais de 20 escolas e colégios do Grupo GPS Educação e Formação, com sede no Louriçal, concelho de Pombal, que poderão cessar o contrato. Não por serem dispensados, mas porque os próprios foram obrigados a assinar uma carta de despedimento no início do ano lectivo, ao mesmo tempo que assinavam ou renovavam contrato, mesmo quando já lá leccionam há anos suficientes para fazerem parte dos quadros das escolas.
António José Calvete, director do Grupo GPS, nega as acusações, remetendo alguma turbulência para um conjunto de professores da Escola Profissional da Figueira da Foz que estão a ser confrontados com o facto de não poderem continuar a leccionar por falta de habilitações específicas.
A Polícia Judiciária (PJ) confirma investigações – não directamente relacionadas com os referidos contratos com docentes –de alegadas irregularidades relacionadas com os crimes de fraude e desvio de subsídios.
O presidente do Conselho de Administração do Grupo GPS, António Calvete, enquadrou o Colégio Internacional de Paços de Ferreira na vontade da comunidade pacense “em dar um passo qualitativo na construção de uma cidade educadora” e recordou que todas as escolas e colégios do Grupo GPS estão certificadas de acordo com a norma ISSO 9001.
A GPS foi constituída juridicamente em Novembro de 2003. Agregando inicialmente escolas dos distritos de Leiria (o Instituto D.João V, o Colégio Dr. Luís Pereira da Costa, o Instituto Vasco da Gama e o Colégio de São Mamede), de Coimbra (o Instituto de Almalaguês, o Colégio de Quiaios) e de Santarém (Colégio Infante Santo), hoje integram já este grupo vinte e três colégios e oito escolas profissionais, correspondendo a mais de dez mil alunos distribuídos pelos diferentes ciclos de Ensino. O Grupo GPS assume a relevância do maior grupo empresarial na área do Ensino Particular não Superior, apresentando uma estrutura profissionalizada ao nível de gestão financeira e pedagógica de todas essas unidades. O grupo conta com a colaboração dos ex-Secretários de Estado de Educação, Professor Domingues Fernandes e Professor José Manuel Canavarro. A GPS – Serviços e a GPS – Imobiliário são os dois outros vectores de investimento do grupo."
O I e os pontos nos I´s
ResponderEliminarSe me permites, Paulo.
ResponderEliminarNa sequência dessa notícia, de Julho de 2009, apareceu esta, no mês seguinte, também no "Jornal de Notícias":
"Professores denunciam precariedade
As cartas de despedimento assinadas por professores no momen-to da assinatura do contrato foram substituídas por "permutas". As escolas continuam a ser particulares, mas fora do Grupo GPS Educação e Formação.
Na prática, cada um dos professores que cessava contrato a 31 de Agosto foi confrontado, individualmente, pelos directores de cada uma das 20 escolas do Grupo GPS com duas situações. A possibilidade de aceitarem uma "permuta com outra escola sem qualquer direito a indemnização por perderem todo e qualquer vínculo ao GPS, mesmo quando se mantinham com contractos sucessivos há anos; ou o accionamento da carta que tinham assinado no início do ano lectivo. A outros, foi ainda proposto irem leccionar para escolas do Grupo, prática também corrente, mas longe da sua residência.
Os responsáveis do contencioso da Fenprof, em declarações ao JN, alertam não só para a "ilegalidade grosseira", como para o facto destes docentes perderem o vínculo se aceitarem assinar contrato por outra escola.
"Se não accionarem os meios jurídicos, primeiro, no prazo de um mês, para reivindicarem o pagamento de todos os salários e outros valores em dívida; e, depois, apresentarem queixa junto do Tribunal de Trabalho no espaço de um ano, não mais poderem reivindicar o vínculo à escola e ao GPS Educação e Formação".
Os professores dizem-se cada vez mais encurralados. "Somos ano, após ano colocados numa posição cada vez mais fragilizada", salientam alguns dos docentes que continuam a solicitar anonimato por medo de represálias.
"Entre o aceitar a oportunidade de leccionar mais um ano e ficar em casa sem direito a subsídio de desemprego, nem mesmo receber qualquer indemnização pelos anos em que já trabalhei no grupo, porque seria eu a 'despedir-me', só tive uma opção: aceitar pela necessidade que tenho em ter um trabalho, um vencimento", explicou ao JN um dos docentes visados.
Referem também que, por vezes, lhes é garantido que, se adquirirem um casa do Grupo GPS Imobiliária, poderão obter um contrato sem termo.
Na escola, além das aulas, do trabalho considerado superveniente, organização de eventos (que referem ser apenas para protagonizar na comunicação social), trabalhos extracurriculares (que garantem também levam ao esgotamento dos alunos com reflexo no aproveitamento), os docentes têm ainda de fazer trabalho de secretaria.
O JN noticiou no passado mês de Julho que, no dia 31 de Agosto, muitos professores arriscavam-se a perder o seu contrato. Não por serem dispensados, mas porque os próprios foram obrigados a assinar uma carta de despedimento no início do ano lectivo.
Contactado pelo JN, António José Calvete, director do Grupo GPS , rejeitou todas as acusações e remeteu a polémica para a responsabilidade de um conjunto de professores da Escola Profissional da Figueira da Foz. Explicou que esses docentes estavam a ser confrontados com o facto de não poderem continuar a leccionar por falta de habilitações específicas."
Pois é, isto já vem de longe. Só não viu quem não quis e, agora, só não vê quem não quer.
Para quando a elaboração de uma colectânea de "hits" GPS na imprensa? Só reportagens da TVI dava para encher alguns dvds...
Ah, talvez os mais de 100 agentes da Judiciária já possuam essa colectânea, mais os depoimentos de quem ousou dizer a verdade.
Exacto.
ResponderEliminarObrigado João. Claro que permito.
ResponderEliminarFechem os colégios e cadeia com os responsáveis. Chega!!
ResponderEliminarVamos aguardar com serenidade.
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