Como sempre escrevi, os programas de reconhecimento, validação e certificação de competências são ideias interessantes e próprias de sociedades que avançam nos sistemas escolares. O programa novas oportunidades foi objecto de uma componente crítica que o desacreditou e que foi injusta para o esforço de muitas pessoas: a propaganda congeminada pelos governos de então que fizeram da estatística não rigorosa uma arma eleitoral.
As críticas de uma boa parte da oposição da altura sempre me pareceram inflamadas. A exemplo do que foi dito para as novas oportunidades, também os cursos de educação e formação ou de percursos curriculares alternativos foram alvo da habitual terraplenagem: quem chega destrói o que existe para criar mais do mesmo algum tempo depois.
Nuno Crato promove mais um programa com uma série de atropelos semelhantes aos que tanto criticou e com um objectivo essencial: aumentar, também aí, o número de alunos por turma. Evidente que também se reconhece o preconceito ideológico da família ensino+dual+precoce.
Olá Paulo!
ResponderEliminarAs críticas às novas oportunidades pareceram-me certeiras e pertinentes por abusos bastantes, pela leviandade com que se certificavam as pessoas (em muitos casos) e até pelo acesso a portefolios "públicos" que serviam vários alunos... Mas concordo com o princípio, parece-me consistente apesar de eu ter tido uma aluna de 6º ano que andou a não estudar e que com 16 anos já estava a preparar a vida dela, inclusive o desemprego, para poder vir a "estudar" através das NO.
Os CEF agora estão a acabar - este ano há ordens para os substituir por vocacionais e abrir só para alunos que ainda possam fazer (CEF) dentro da escolaridade obrigatória mas que estejam muito próximo do limite (18 anos). Pelo que conheço, os vocacionais não são melhores, e até excluem mais cedo porque preveem a inclusão a partir dos 13 anos...
Mas, em minha opinião, é tudo mais do mesmo porque não se pergunta a razão do insucesso - fabrica-se sucesso através destas supostas opções... E não são vocacionais coisa nenhuma (embora não queira generalizar), são globalmente para alunos com retenções, "mal sucedidos" do sistema que, em situações normais nos ajudariam a questionar o sistema e a melhorá-lo e não a limitar largamente a vida destes alunos e a rotulá-los como se fossem inúteis e incapazes (não me esqueço, contudo, da responsabilidade de cada um e da dos seus pais / encarregados de educação).
Aquele abraço!
Cristina
(versão corrigida do outro comentário, que pode ser apagado)
Olá Cristina.
ResponderEliminarObrigado. Já apago.
Concordo com o teu comentário.
Referi-me à decisão política. É evidente que se relataram muitos abusos. Mas, e na maior parte dos casos, penso que se deveu à tal propaganda que queria apresentar números em catadupa e acelerava os processos.
Aquele abraço também.