O "Relatório estado da Educação 2013" do CNE parece que conclui que há escolas que inflacionam as notas dos alunos e que excluem os mais fracos por causa dos rankings. O Governo diz que desde de 2003 que se conhece o fenómeno, com a escolha da data a indicar que a aliança democrática está na queda habitual.
É tudo tão previsível e circular que não nos podemos queixar com o retrocesso dos indicadores escolares. E o que mais cansa é o assobio lateral dos descomplexados competitivos que mais não fazem do que debitar receitas para os filhos dos outros. Em regra, estes "especialistas" "encostam-se" aos top performers, como se estes e as suas famílias precisassem da sua existência, e lá se devem considerar sócios do clube restrito e com aversão aos que "não querem aprender".
Pedir à escola que seja, simultaneamente, exigente e inclusiva é a verdadeira quadratura do círculo já conhecida no século passado. Torna-se numa alucinação quando se absolutiza a categoria exigência que exclui sem dó no mercado puro e duro que estamos a viver há cerca de uma década.
Nem os países que eliminaram o analfabetismo no século XIX encontraram uma saída democrática na alucinação descrita. Instituíram ideias que esbarraram no aumento da desigualdade de oportunidades.
Portugal tem indicadores de exclusão escolar que aumentarão em sentido proporcional à alucinação.
Abandonámos a sensatez.
Advogar o fim dos mecanismos de mercado puro e duro ("mercado puro e duro", ou selva para se ser mais preciso, é diferente de avaliar com rigor organizações escolares onde se incluem os resultados dos alunos) é considerado pouco ambicioso e falho de modernidade. Haverá mesmo quem considere falho de empreendedorismo. Só que qualquer sistema bem sucedido na formação de pessoas foi construído com bases alargadas. Aos advogados da alucinação falta-lhes contacto com o real e humildade.
Portugal é, e escrevo-o com tristeza, cada vez mais um país com um sistema escolar em profundo estado de alucinação.
Já usei esta argumentação noutros posts.
E aquele(s) colégio(s) cujos alunos não fazem testes às disciplinas de 12.º ano, que não têm exame nacional, atribuindo as classificações pelos trabalhos, projectos e encenações?
ResponderEliminarE aquele(s) colégio(s) cujos professores das disciplinas específicas de 12.º ano (sem exame nacional) dizem aos seus alunos, na primeira aula do ano lectivo: "a nota mais baixa que dou é 16?"
E aquele colégio que se afasta, como outros, da "casa-mãe" porque esta caiu em desgraça, depois de tantos escândalos, dizendo aos alunos: "agora somos um colégio independente"?
Então, agora, o "grupo" já é mau? Então não era um ensino de excelência? Então não tinha "métodos inovadores"?
E aqueles encarregados de educação que vão atrás desta ilusão educativa? Saberão eles que os seus filhos vão bem - bem mal -preparados para o ensino superior?
O ministro Crato, grande defensor de exames e avaliações, saberá disto e continuará a assinar contratos de associação, agora em "nome individual"?
E ninguém põe termo a esta vergonha?
As tuas últimas duas interrogações são respondidas pelas conclusões dos relatórios e só podemos ficar perplexos com tanto encolher de ombros.
ResponderEliminarÀs tantas, quem se devia ter demitido no caso da fórmula, como poderás ler no blogue "da reitoria", lá saberá o que anda a fazer.
O desgoverno desinvestiu na educação e os resultados estão à vista. Quer que as escolas passem os alunos a todo o custo (lá está a treta de que os chumbos custam 220 milhões) e agora a culpa é das escolas? A culpa é vossa e assumam-na. Deixem as escolas em paz. As escolas fazem o que o ministério manda. Apenas isso.
ResponderEliminarNão acredito em relatórios de comissões do PSD sempre a denegrir a escola pública. O que interessa esta confusão que o Sr. David Justino anda a lançar? Serve os interesses privados? Olhem para a Suécia e vejam o que se passou. Os neoliberais foram corridos na passada semana do governo e uma das razões principais foi a de que pioraram os resultados de uma escola pública que era a melhor da europa. Aqui estamos nesse caminho.
ResponderEliminarCNE é constituida por ignorantes? Desde à muito que os professores são obrigados a avalilar não apenas cognitivamente os seus alunos por CNEs e comissões de encarregados de educação, logo esta preocupação é despropositada e revela o afastamento da realidade destas "comossões"de gente que revela não saber nada de nada.
ResponderEliminarEnfim.
ResponderEliminarAssim parece.
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