domingo, 25 de janeiro de 2015

Da batota no acesso ao superior

 


 


 


A batota no acesso ao superior já leva umas duas décadas a promover um rol de injustiças e de salve-se quem puder. Conhecem-se os principais instrumentos causadores da vergonha institucionalizada. Fica a ideia que a falta de coragem do poder político ficou sempre ligada à capacidade dos aparelhos partidárias para tratarem dos seus e das suas clientelas. A última década do sistema escolar ficou marcada por um conjunto de políticas que acentuaram o descrito. Não há nada a fazer? Há e, bem pelo contrário, até está tudo por fazer outra vez.


 


 


 

4 comentários:

  1. A maior batota dos colégios nem está na matéria destes estudos agora conhecidos, que se limitam a comparar as classificações internas com as classificações de exame, ou seja, só abordam, para cada aluno, quatro classificações (duas de 11.º ano (específicas) e duas de 12.º ano (Português e outra – Matemática, História ou Desenho).

    Ora, para a média de ingresso é preciso considerar mais disciplinas de 11.º ano (bienais), como o Inglês ou a Filosofia, e duas disciplinas de opção no 12.º ano (as específicas, como Física, Química, Inglês, Biologia, Geografia, Psicologia, Direito, Sociologia, etc).

    É precisamente nas classificações atribuídas nestas 4 disciplinas que é feita maior batota nos colégios. Os pais, sabendo destas “facilidades”, vão inscrever os filhos, por vezes, a meio do secundário, nestes antros de ilegalidades.

    Na realidade que conheço, há professores que dizem na primeira aula: “a nota mais baixa que dou é 16″ ou “nesta disciplina não irão realizar testes ao longo do ano”. Assim, fazem com que os alunos se concentrem nas disciplinas de exame nacional para que as classificações no exame sejam, obviamente, mais elevadas, o que, sendo bom para os alunos, é também excelente para os colégios, uma vez que ficam bem posicionados nos rankings.

    Além disso, são aplicadas estratégias infames, como a reprovação propositada dos alunos que essa gentalha sabe que não conseguirão resultados positivos nos exames, ou seja, por um lado, são atribuídas notas altíssimas, claramente inflacionadas, aos bons alunos e, por outro lado, são atribuídas classificações negativas aos alunos mais fracos, para que não prejudiquem os rankings.

    Como se prova isto: fazendo com que as pautas das classificações internas sejam tornadas públicas! Assim, acabavam-se os esquemas.

    De que estão à espera as associações de pais e encarregados de educação para se mexerem, sabendo que há muitos alunos, avaliados segundo as leis e as normas, que estão a ser claramente prejudicados no acesso ao Ensino Superior?

    De que está à espera a IGE para punir estas práticas? Ou será que precisa de GPS?

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  2. Concordo João. É todo um edifício a ruir, realmente, com nuances para as mais variadas análises.

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  3. É mesmo assim? Se sim, é de toda a conveniência que se divulgue.

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  4. Há muito que ouço estas e outras coisas do género. Acabo de publicar um texto do Paulo Guinote no mesmo sentido. Não há, pelo menos na Europa, país onde aconteça batota sequer semelhante porque os instrumentos de acesso ao superior são outros.

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