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domingo, 24 de agosto de 2025

E os portugueses a empobrecer


"44 mil estudantes colocados no Ensino Superior: o número mais baixo em quase uma década. Sobram agora mais de 11 mil vagas para a 2ª fase, mais do dobro do ano passado. Voltou a descer o número de colocados com carências económicas. Matrículas serão entre dia 25 e 28 de agosto."



 

domingo, 5 de julho de 2020

Exames Escolares só Para Robustos Começam Amanhã

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O ministro da Educação garantiu, em 6 de Maio e para tranquilizar o país, "que se estava a trabalhar para ter um corpo docente robusto” na vigilância dos exames do secundário que começam amanhã. Portanto, o país sabe que só há exames porque os professores vigilantes são da estirpe dos robustos e convocados com equidade e rigor. Pudera. Se habitualmente um vigilante está mais de três horas em pé, sem beber, comer ou ler (se precisar de ir ao WC ou desfalecer é substituído e isolado, por desconfiança, até ao fim do exame), tem agora que o fazer de máscara e com as restantes etiquetas, e manter procedimentos que contrariam a distância física numa sala com temperatura elevada e onde podem estar até duas dezenas de jovens em franca laboração ("todos os ingredientes para o risco mais elevado de contágio"; e, hoje, confirma-se que "o vírus se transmite pelo ar por gotículas mínimas que ficam em suspensão, defendem 239 especialistas de 32 países que pedem à OMS que reveja as diretivas de proteção"). No caso dos alunos, que estão sentados mas igualmente a jejuar, os exames incluem não robustos e todos usam máscara.


E se tudo isto era evitável, por que é que não se cancelou, "como fizeram a Espanha, Itália, França ou Reino Unido", uma vez que os exames escolares não melhoram as situações dramáticas da economia de curto e médio prazos e o cancelamento até podia oxigenar ambientes familiares em disrupção? 


Há demasiados assuntos em que complicamos tanto que parecemos 200 milhões e não 10. Por exemplo, as candidaturas ao superior são apenas cerca de 75 mil. Como se disse, era possível testar um modelo em que os candidatos inscreviam 2 ou 3 prioridades. Quem não obtivesse colocação de acordo com a nota do secundário associada aos exames já realizados, seria entrevistado para uma solução da responsabilidade do ensino superior. E repare-se: se para a saúde das pessoas não se considera apenas a Covid-19 e tem-se em conta, e bem, a economia e a saúde mental, também na avaliação escolar dos alunos não se devia examinar sem se ter em conta a saúde psicológica e a capacidade volitiva. Por isso, defendeu-se o fim do ano lectivo no final do 2º período para se evitar tanto descontrole emocional, atenuar flagrantes desigualdades e não penalizar os jovens com exames nestas condições disfuncionais de preparação e realização. E para agravar o que foi dito, fazê-lo de máscara diminui capacidades com ênfase para quem tem problemas de oxigenação.


Por outro lado, ainda esta semana se publicaram, com insensibilidade para o detalhe, rankings de escolas. Por muito desvalorizadas que estejam estas hierarquias, a mediatização viciou-se e sempre influencia o ânimo dos alunos (os 30 a 40 primeiros lugares são dos estimulados privados). Claro que sabemos há muito da lógica que se sobrepôs exigindo exames, neste caso a qualquer custo, e rankings, para publicidade, associados a um acesso ao superior com numerus clausus. Aliás, bem se tentam estudos alternativos, com os dados sócio-económicos, mas, e incrivelmente, há anos a fio que os privados os escondem (só se conhecem os das escolas públicas). A comunicação social finge que não percebe e insiste em destaques comercializáveis.


E é isto.


E no final, lá aparecerá o temporariamente inactivo, por precaução e bem, departamento de selfies da república a homenagear os alunos e professores mais robustos. E dos prováveis infectados, assintomáticos ("que correm sérios riscos") ou não, a realidade sentenciará: é a vida, porque a prioridade à salvação de vidas foi no tempo em que havia pandemia.


Imagem: estátua de Davi, a grande obra-prima de Michelangelo; Galeria dell’Accademia; Florença.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Escolas no Meio da Ponte

 


 


1ª edição em 23 de Setembro de 2018.


"O fundamental é descobrir o fio à meada", disse Confúcio. Enquanto não temos mais classe média (o fio inquestionável da meada do sucesso escolar), o caderno de encargos da escola continua pesado. Mudar o acesso ao ensino superior (AES), por causa da saúde dos jovens e da industria dos exames e da desigualdade, será um fio comprovado que responsabilizará as instituições do ensino superior na escolha de alunos. A OCDE concluiu que os nossos estudantes são os mais ansiosos (e a Universidade do Minho diz "que a falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora"), e haverá uns dois países, em quarenta e cinco, com um AES tão "stressante". Se dermos nomes às coisas, perceberemos a contradição educativa em manter este AES e, simultaneamente, lançar três eixos: flexibilidade curricular, inclusão e sucesso escolar.


O Governo ficou-se pelo mais fácil. Legislou os eixos e não tocou no AES. Parou a meio da ponte e estacionou as escolas por lá. Não teve suporte parlamentar, e muito menos selfie presidencial e autorização do eurogrupo, para o fundamental: a dimensão civilizada e democrática das escolas (mudar ordens de grandeza: turmas a eito, horários ao minuto - e recheados de trabalho inútil, esse flagelo da actualidade -, estatuto dos professores e de outros profissionais, mega-agrupamentos e gestão de escolas e hiperburocracia). Há um risco de derrapagem nas melhores intenções (flexibilidade curricular e inclusão) e de queda da exigência através de um sucesso escolar de gabinete e dos papéis. 


Obtive a imagem a meio do tabuleiro superior da Ponte D. Luís, no Porto. A ribeira é encantadora, mas a imagem não traduz a sua complexidade quando se passeia com atenção pelas ruas "ouvindo" portuenses e o que resta dos moradores: "estamos como um tolo no meio da ponte".


 


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Ribeira do Porto.


 


 

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Entropia na Informação Escolar

Já não bastava a pandemia. Aconselha-se os alunos do secundário dos 11º e 12º anos, e os seus professores e as suas famílias, a fazerem hiatos informativos para atenuarem a ansiedade. O papel das avaliações, internas e dos exames, no acesso ao superior está a gerar informações contraditórias. Era até oportuno que o ministro da educação informasse o ministro da pasta que a informação em curso indica que a nota dos exames pesa a 100% (não influencia a nota interna) e que as auditorias às avaliações internas têm, nessa e noutras lógicas, um ar que acrescenta desconfiança e insegurança.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Regresso às Aulas a 18 de Maio

O regresso de adolescentes às aulas a 18 de Maio já está a obedecer a uma mediatização recheada de desconhecimento sobre escolas e salas de aula que surpreende numa fase tão delicada. É óbvio que existem dificuldades para concretizar este regresso muito parcial que é, naturalmente, mais incompreensível para quem defende outro acesso ao ensino superior ou até uma adaptação mais sensata de que existe. Espera-se que tudo corra bem, já que se trata de um assunto de muita responsabilidade. Mas também já se percebeu, e também é óbvio, que será ainda muito mais difícil em Setembro, ou mesmo impraticável, se as condições de medicamento específico (porque vacina é praticamente impossível) e contágio por Covid-19 forem sequer semelhantes.

sábado, 2 de maio de 2020

Heranças Escolares

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É redutor aprender somente porque se quer ser melhor do que os outros ou porque se tem uma recompensa material. Em contraposição, é mais abrangente aprender porque se quer saber mais e porque se tem curiosidade. Não é fácil conjugar as duas asserções e a natureza humana tem requerido diversas combinações.


A experiência portuguesa tem acentuado a via métrica e pavloviana com um pico exponencial na vigência de Nuno Crato. Mas não foi apenas aí: por exemplo, este acesso ao ensino superior existe há muito e condiciona todo o edifício escolar que o antecede. A fórmula encontrada já neste milénio, e apesar de assegurar algum elevador social que atenua uma sociedade muito desigual, sustenta-se no "lobismo" de fortes interesses financeiros e permite um inédito "não é nada connosco" ao ensino superior. Pensou-se que a tragédia da Covid-19 seria uma oportunidade para, no mínimo, moderar a fórmula do acesso. Mas não; pelo contrário: o acesso ao superior não só se manteve no essencial como a sua atmosfera gerou um mar de indecisões em todo o sistema que elevou os níveis de ansiedade, incerteza e ruído comunicacional e não clarificou as funções formativas por internet ou televisão. Se é sensata a solução italiana e espanhola de adoptar o fim imediato do ano lectivo para todo o sistema (e preparando, desde logo, o novo ano lectivo de Setembro) com adaptações no acesso ao superior, e neste detalhe acompanhada também por britânicos e franceses, já o universo português não se liberta de um património moral desequilibrado que as próximas gerações rejeitarão, espera-se, como herança.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Neste Caso, É Pilatos

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Quem olha para imagem, poderá perguntar: é uma aula de Pilatos ou de Pilates? Na gíria, a aula é de "Pilates" mas o meu ponto é o célebre gesto de Pilatos que se aplica que nem uma luva (apesar da sua escassez) ao sacrossanto acesso ao ensino superior em Portugal. Apesar dos anos a fio de injustiças, a fórmula garante alguma tranquilidade aos mais endinheirados (embora se reconheça no modelo soluções de elevador social) e uma espécie de "entrega ao domicílio" do ensino superior. Ou seja: se a fórmula permite lavar as mãos e manter as máscaras (e mesmo considerando a sua actual raridade), não facilita a vida aos decisores portugueses num período de calamidade (já agora, na Itália, Espanha, França ou Inglaterra as decisões neste domínio foram tomadas naturalmente).


Nota: encontrei a imagem na internet sem referência ao autor.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Um Mau Sinal aos Outros Alunos do Secundário

O Governo dá um mau sinal aos outros alunos do ensino secundário ao considerar que os "alunos do ensino profissional e artístico passam a ter acesso especial ao ensino superior. Governo cria via de acesso especial que se alarga também aos cursos de aprendizagem, de educação e formação para jovens e da rede de escolas do Turismo de Portugal." Para além disso, o tempo vai passando e percebe-se a incapacidade para se criar um acesso ao ensino superior mais saudável para os alunos que concluem o secundário regular. Imagine-se um aluno que quer escolher humanidades no 10º ano?


Nesta linha, os mentores do brexit favorecem os imigrantes doutorados em ciências e tecnologias e eliminam, por exemplo, os das humanidades como se pode ler nas novas regras para o visto de residência do Reino Unido: "(...) 7. For example, a university researcher in a STEM (science, technology, engineering, and mathematics) subject wishing to come to the UK on a salary of £22,000, (which is below the general minimum salary threshold), may still be able to enter the UK if they have a relevant PhD in a STEM subject. Likewise, a nurse wishing to come to the UK on a salary of £22,000 would still be able to enter the UK on the basis that the individual would be working in a shortage occupation, provided it continues to be designated in shortage by the MAC.(...)"


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segunda-feira, 29 de abril de 2019

"O Fundamental é Descobrir o Fio à Meada"

 


 


 


"O fundamental é descobrir o fio à meada", disse Confúcio. Enquanto não temos mais classe média (o fio inquestionável da meada do sucesso escolar), o caderno de encargos da escola continua pesado. Mudar o acesso ao ensino superior (AES), por causa da saúde dos jovens e da industria dos exames e da desigualdade, será um fio comprovado. A OCDE concluiu que os nossos estudantes são os mais ansiosos (e a Universidade do Minho diz "que a falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora"), e haverá uns dois países, em quarenta e cinco, com um AES tão "stressante". Se dermos nomes às coisas, perceberemos a contradição educativa em manter este AES e, simultaneamente, lançar três eixos: flexibilidade curricular, inclusão e sucesso escolar.


O Governo legislou os eixos e não tocou no AES. Não teve suporte parlamentar, e muito menos selfie presidencial e autorização do eurogrupo, para o fundamental: a dimensão civilizada e democrática das escolas (mudar ordens de grandeza: turmas a eito, horários ao minuto - e recheados de trabalho inútil, esse flagelo da actualidade -, estatuto dos professores e de outros profissionais, mega-agrupamentos e gestão de escolas e hiperburocracia). Há um risco de derrapagem nas melhores intenções (flexibilidade curricular e inclusão) e de queda da exigência através de um sucesso escolar de gabinete e dos papéis. 

domingo, 31 de março de 2019

(Des)Orientações

 


 


 


O injusto acesso ao ensino superior - que adoece alunos e professores e que espera por alterações que envolvam todas as candidaturas -, teve uma mediatização deslocada do essencial com o "fim dos exames para os alunos dos cursos profissionais". Sublinhe-se que democracia e educação requerem políticas inclusivas na sociedade, e escolhas pedagógicas consolidadas na escola, que possibilitem maioritárias classes médias bem escolarizadas durante décadas. Saberes estruturantes (ciências, humanidades, línguas, artes e desportos), autoridade dos professores e avaliação contínua dos alunos - formativa e sumativa - são, há muito, atributos essenciais desse escolar democrático. Não caminhámos nesse sentido. Há demasiado tempo que o poder político se congratula com 50% dos alunos do secundário a frequentar "cursos profissionais" (10% candidata-se ao superior), quando, pelo contrário, a democracia exigia o aumento substancial de alunos no ensino regular de um sistema público com civilizadas condições de realização do processo de ensino e de aprendizagem.


Mas o fenómeno explica-se: só um país com "elites" desvairadas é que apresenta, depois de mais de 40 anos de democracia e de 3 décadas de fundos estruturais, 2,5 milhões de pobres (500 mil crianças) em 10 milhões de habitantes, 3 crianças reprovadas, em cada 100, logo no 2º ano e 12% de alunos reprovados ainda no 1º ciclo ("relatório "Estado da Educação 2017" do Conselho Nacional da Educação"). A taxa de insucesso sobe nos ciclos seguintes até à tal frequência de 50% nos "cursos profissionais". Como as estatísticas internacionais nos "envergonham" na conclusão de cursos superiores, e como há, e no exemplo mais mediatizado, instituições do ensino superior de cidades do interior sem alunos (arrepia pensar que algumas "só" formam professores), recorre-se a estas "reformas" parcelares que se refugiam na estafada mudança de paradigma e mergulham o sistema escolar numa clareza próxima da imagem (Kandinsky perdoar-me-á a comparação de uma obra sua com um organograma).


Nota: há bons cursos profissionais, alunos que os frequentam como primeira opção e que depois seguem, ou não, para o ensino superior. Mas isso é outra discussão.


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Imagem: Continuous Stretch de Kandinsky.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Mais Alunos no Secundário e menos no Superior

 


 


 


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A conclusão é da OCDE e accionou os alarmes de circunstância: temos mais alunos do que a média da OCDE a frequentar o secundário (89%) e muito menos o superior (37%). Em Portugal, que tem uma histórica sociedade ausente que sobrecarrega a escola com uma agenda incumprível, a frequência obrigatória é elevada (foi assim na 4ª classe, no ciclo preparatório, mais tarde no 9º ano e actualmente no 12º). Não interessa o "como" da frequência. Como as escolas abrem todas em Setembro e sossegam as consciências, só segue para além do obrigatório quem tem retaguarda financeira ou ambição escolar familiar. 


A discussão centra-se no fim das propinas. Concordo que a gratuitidade teria importância, mas não me parece a causa primeira e surpreendem-me alguns recém-convertidos. Há, desde logo, que resolver o apoio da sociedade aos estudantes, do superior também, desde a entrada na escola. É aí que a exclusão começa.


Para além disso, o custo de vida nas cidades com mais ensino superior é insuportável (principalmente para quem vem de "fora") e da responsabilidade de toda a sociedade.


Por outro lado, o profissional exige mudanças: a organização é um inferno de inutilidades burocráticas e os currículos reduziram demasiado o essencial (sublinhe-se que cerca de 80% dos alunos não vai para o superior; 50% dos alunos do secundário frequenta este profissional e são muitos os decisores que se gabam disso). 


E depois temos o acesso ao superior. O superior deve organizá-lo. Seria mais democrático se acabassem os numerus clausus (os especialistas dizem que é possível) para evitar o clientelismo nas entradas. O secundário deve certificar o fim de um ciclo de estudos (que não é o mesmo que o fim da exigência, como há muito se comprovou). É uma mudança difícil, mas haverá mais sociedade e melhor escola e (é bom que esteja sentado) com crianças com mais tempo para brincar e adolescentes mais saudáveis. O regime actual estimula, e desde os seis anos de idade, mais trabalhos de casa, mais provas nacionais a eito (é uma praga cíclica), mais explicações, competição excessiva nos primeiros ciclos de escolaridade e exaustão de adolescentes. Não há regimes de acesso perfeitos, mas o existente tem consequências negativas directas e indirectas que explicam conclusões como esta da OCDE.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

acesso ao ensino superior - o óbvio que é muito difícil

 


 


Vamos lá repetir um post com quase um ano:


 



Já sabemos que "os nossos jovens são os campeões da ansiedade na OCDE e que estão no topo europeu em algumas adições". O modelo de acesso ao ensino superior contribui para este caso de saúde pública e contamina os ciclos escolares até ao primeiro. Ponhamos nomes às coisas: o ensino superior "resgatou" o ensino secundário. O superior demite-se da selecção de alunos e o modelo de acesso tornou o secundário numa passagem. O secundário é um ciclo sem vida própria. É uma espécie de lugar cinzento. É um estágio muito pressionante para uma dezena de horas de exame e ponto final. E mais de 50% dos estudantes que terminam o 9º ano nem a isso aspiram.


quinta-feira, 22 de março de 2018

Ainda há quem se surpreenda com estas notícias educativas?

 


 


 


 


Na sequência doutros estudos com conclusões semelhantes (e muito preocupantes), "a Universidade do Minho concluiu que os alunos com melhor desempenho escolar estudam 15 horas semanais para além das aulas, não valorizam outras actividades e revelam pouca criatividade. 40% têm explicações no secundário"Não é, portanto, de estranhar que, com base num grande estudo da OMSaúde, se conclua que "a falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora"; e sabe-se que tudo começa cedo.


Com toda a prudência em relação às causas, é factual que os últimos anos acentuaram uma sociedade - excessivamente competitiva - que depositou na escola as tarefas educativas. Para além disso, os alunos perderam os espaços não supervisionados. O "espaço livre para brincar" desapareceu. A sociedade ausente até capturou a organização escolar com detalhes elucidativos: pavor com o tempo livre no "furo" escolar, redução de intervalos e supressão de espaços não vigiados. Interroguemos assim: ainda há quem se surpreenda com estas notícias?


 


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sexta-feira, 16 de março de 2018

dos sinais e dos extremos escolares

 


 


 


Por vezes, é necessário um caso dramático para que as consciências acordem. Recordo-me muitas vezes do caso France Telecom: só ao 35º suicídio é que se decretou o fim do modelo kafkiano de avaliação do desempenho. 


Com as devidas distâncias, há sinais preocupantes no sistema escolar português e não apenas na avaliação dos professores ou doutros profissionais. Dá ideia que apenas um caso extremo parará os "teóricos da selva". O drama não é apenas para quem teme "não chegar ao topo", é também para quem se aterroriza com a ideia de "sair de lá".

quinta-feira, 15 de março de 2018

do ensino secundário e das coisas difíceis

 


 


 


Já sabemos que "os nossos jovens são os campeões da ansiedade na OCDE e que estão no topo europeu em algumas adições". O modelo de acesso ao ensino superior contribui para este caso de saúde pública e contamina os ciclos escolares até ao primeiro. Ponhamos nomes às coisas: o ensino superior "resgatou" o ensino secundário. O superior demite-se da selecção de alunos e o modelo de acesso tornou o secundário numa passagem. O secundário é um ciclo sem vida própria. É uma espécie de lugar cinzento. É um estágio muito pressionante para uma dezena de horas de exame e ponto final. E mais de 50% dos estudantes que terminam o 9º ano nem a isso aspiram.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Os nossos jovens são os campeões da ansiedade na OCDE

 


 


 


Estamos no 4.0: da indústria à política e passando pela Europa, com o sublinhado nas pessoas e "no que significa ser humano" ("A Quarta Revolução Industrial" de Klaus Schwab). Apesar da escala global e da complexidade inédita, há um conjunto controlável de mudanças.


E o que é preciso mudar, por cá, na educação 4.0? Encontrar questões chave. A OCDE "agendou" a queda do modelo de acesso ao ensino superior. Entre outras conclusões, os nossos jovens são os campeões da ansiedade: "sempre acima da média. Quando começam a estudar, ou vão fazer um teste, ou em muitas outras situações.Há uma legião de medicados para a concentração (um eufemismo), outra de viciados em jogos de computador (são horas a esquecer o mundo) e ainda outra com dificuldades relacionais (os desportos de grupo, por exemplo, "desapareceram" na idade 14-18; sobrevive o ubíquo futebol). Se todas as idades são belas e inesquecíveis, a dos 14-18 ficará marcada pela substituição de amigos por rivais e pela falta de tempo para ter tempo. É uma tristeza, um imperativo de saúde pública e um processo que se arrasta às idades inferiores. É por causa destas consequências, e de um rol de injustiças comprovadas, que defendo há muito alterações no sacrossanto acesso ao superior, como defendi o fim de provas nacionais anuais (finais ou intermédias) nos mais pequenos, a par de toda a parafernália de procedimentos que publicitam e hierarquizam as classificações das crianças e sobrecarregam a competição. E nada disto se relaciona com rigor na avaliação ou exigência. Talvez, e aí confesso algum arcaísmo, coloque em lugar cimeiro a confiança nos professores.


 


Nota: o esgotamento, e a desorientação, do modelo de acesso fica patente na argumentação (prós e contras) à volta da nota de Educação Física.


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