segunda-feira, 23 de março de 2015

ideologias, heranças e preconceitos

 


 


 


Os 48 anos da ditadura do século passado consolidaram uma sociedade amedrontada, desconfiada do exercício da cidadania, temerosa do contraditório, alojada na corrupção, desrespeitadora do Estado e do bem comum e que não considerou a organização como um valor precioso. É evidente que para esse estado também contribuíram outros factores históricos.


 


A jovem democracia, que ainda regista números escolares que envergonham, demorará, se tiver tempo e engenho para isso, gerações a atenuar.


 


Existem preconceitos que parecem "guardar" a sociedade que descrevi, que supervisionam a ousadia e a poesia e que reagem ao novo com medo da não conservação da herança. Controlam os danos de forma subtil: classificam de ideológico, dando-lhe uma conotação pejorativa, o que inquieta ao mesmo tempo que se põem a salvo da "radical" catalogação (e fazendo partidocracia de forma disfarçada, como sempre se percebe).


 


É a forma ideológica do mau conservadorismo. Existe em modo silencioso e espera a redenção com a chegada "anunciada" do regime protector de todos os males do mundo.

2 comentários:

  1. Pois, já éramos assim antes dos bem "espaduados" 48 anos - que, sim, talvez tenham apenas consolidado essa sociedade que descreve. Não será também preconceituoso (e, mais grave, alienante ou desresponsabilizante) dar aos "48 anos" mais importância negativa do que a que eles na verdade tiveram (sendo que alguma tiveram, claro)?

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  2. Ah sim, concordo. Estes exercícios históricos são sempre difíceis. Por isso escrevi que os 48 anos de ditadura consolidaram. Quando escrevi o post estava a pensar no ponto em que estávamos em 1974, e isso é inquestionável nos indicadores educacionais e sociais, mas também no ponto em que estamos em 2015. Qualquer que fosse o ponto de partida de cada um em 1975, e estou a falar da esperança, era improvável que alguém desenhasse um tempo assim em 2015 (bem sei que esses exercícios a 40 anos são para profetas). E a desilusão é tal que basta recuarmos à viragem do milénio para encontrarmos poucos que nos dissessem que 10 anos depois estaríamos neste estado. Apesar de todos os sinais que agora são tão evidentes.

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