Na parafernália de exames que os miúdos começam amanhã, cada um carrega quatro responsabilidades: a sua, a do seu professor, a da sua escola e a do seu país (e não tarda da sua UE se os europeus descerem para sul). Esta injustiça levanta, desde logo, uma certeza antiga: os instrumentos científicos podem ser válidos, mas dependem da cabeça que os utiliza ou do que fazemos com eles. Um primeiro passo civilizado para estes exames dos miúdos seria óbvio: eliminar a sua publicitação em pautas, quadros e rankings e dar a conhecer os resultados apenas ao respectivo encarregado de educação.
É até indecente como as autoridades escolares e políticas reivindicam os bons resultados e assobiam lateralmente quando assim não é. O somatório de entidades que os miúdos carregam para os exames devia ser esclarecido: há muito que se sabe que, em regra, os resultados escolares melhoram com a elevação das sociedades e das famílias e ao longo de gerações. O bom ensino, as boas escolas e os bons ministérios são, em regra, uma consequência disso. Quem especializa precocemente exclui mais e tem sempre piores resultados globais a prazo; também há muito que se conhece esta evidência, mas a eliminação da história tomou conta das inteligências.
Parabéns, é um ângulo de análise muito bom. Levo...
ResponderEliminarObrigado Lídia.
ResponderEliminarAinda acabam a fazer exames na pré-primária.
ResponderEliminarAssim parece.
ResponderEliminarE depois, ouve-se na comunicação social um ex-professor blogger a continuar a defender os exames e a preocupar-se mais com a "Técnica" da coisa.
ResponderEliminarE faz-se gala em defender os exames para mostrar um lado conservador / individualistqa / progressista por oposição a um lado supostamente Maio 68 e PREC.
O argumento mais forte é que o outro lado avança com os "traumas" causados nos alunos. E não se sai dali, sendo que a maioria dos professores e não professores que manifestam o seu desagrado pela "examocracia" (exames a rodos, porque sim) não o fazem pela questão de Traumas.
Caso assim fosse, eu, que os fiz todos e mais tantos como eu, estaríamos tão traumatizados. Coitadinhos!
A questão é outra. São outras. Em 1º lugar, como colocou bem a questão o prof. Santana Castilho, a questão é ideológica , política e de políticas educativas.
Mas há quem esteja mais preocupado com a transparência das equipas que elaboram as provas. E que continue a afirmar que tanto exame não influi no modo como se processa o ensino-aprendizagem. Uma semana ou duas chega para programar a criançada para a estrutura e concepção das provas.
Sim, pois.
Adiante, que não é para todos uma visão mais abrangente da realidade. O que custa é que sejam professores de História a afirmar isto.
Pá, publicitem os nomes das equipas que fazem as provas e mais umas cenas do género e fica tudo jóia.
A primeira questão a resolver, na minha modesta opinião, é eliminar a publicitação de resultados nas provas dos mais pequenos. E depois iniciar uma discussão séria e mais virada para o lado técnico e organizacional.
ResponderEliminarNa minha também modesta opinião, a questão a iniciar-se, séria, é a da existência de exames no 4º e 6º anos e não a publicitação ou não, a técnica e a organização. Discuta-se, seriamente, as vantagens destes exames, tal como a vantagem dos exames Key e Pet do Cambridge.
ResponderEliminarNa minha modesta opinião, é esta a discussão séria a ser começada. É a questão política e ideológica que, não parecendo, tem 1 objectico - a continuação da privatização da escola. A da escola para ricos e pobrezinhos, aquela coisa dos cheques ensino , os cortes na escola pública e os incentivos vários aos privados. Se há coisa em que os privados aparentemente são bons é na preparação para exames. E durante a realização dos mesmos.
Já agora, e porque o considero uma pessoa sensível e inteligente, aconselho-o, caso não tenha ouvido, a ouvir as palavras de Manuel Alegre ao ser agora entrevistado na sic notícias. É uma questão de lavar a alma da gente e termos confiança que o estado de anestesia e apalarmento geral pode ser revertido.
Boa noite.
Compreendo. Impendentemente do que se vier a aprovar, defendo há muito que pautas, quadros e rankings só do sétimo ano para cima. Até aí, informação individual ao E. De Educação respectivo em qualquer modelo. A partir do sétimo ano que se discutam também as formas de avaliação, os exames, os rankings e o acesso ao superior que me parece que já criou problemas e injusticas de sobra.
ResponderEliminarE também tenho escrito bastante sobre as questões políticas e ideológicas associadas. Mas há que resumir e priorizar.
ResponderEliminarSe estivermos interessados em tomarmos o pulso ao sistema educativo e das políticas educativas, há outras maneiras de o fazer, de modo a corrigir-se o que há a corrigir-se e a avançar.
ResponderEliminarUma discussão séria é (repito-me), provar-se a vantagem da existência destes exames, mesmo em anos de outros ciclos. E deixo aqui duas considerações, que pairam no meu entendimento da questão:
- se os exames se revelam necessários, então porquê um peso de 30%?
- no final do ensino secundário, porque não exames feitos e corrigidos pelas universidades para quem escolher esse percurso, incluindo uma componente de entrevista pessoal?
Estarão as instituições dispostas a discutir esta questão? A elaborarem elas as provas, a corrigirem-nas e a fazerem entrevistas aos candidatos?
Boas questões, se me permite.
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