Concordo que se eliminem os exames do 4º ano e sem tibiezas. Mas não chega, embora essa decisão tenha um efeito dominó.
Primeiro: só em sociedades ausentes é que estes exames abrem telejornais e andam pelos parlamentos como disputa ideológica.
Segundo: as crianças transportam quatro responsabilidades em provas com este enquadramento: a sua, a do seu professor, a da sua escola e a do seu país (e não tarda da sua UE se os europeus descerem para sul).
Terceiro: este "estado de sítio" evidencia uma certeza antiga: os instrumentos científicos podem ser válidos, mas dependem da cabeça que os utiliza.
Quarto: um primeiro passo civilizado, que foi reconhecido recentemente pelo CNE, para estes exames teria sido óbvio (já ouvi do eduquês mais rudimentar que os "miúdos" até gostam): eliminar a sua publicitação em pautas, quadros e rankings e dar a conhecer os resultados apenas ao respectivo encarregado de educação.
Quinto: é indecente que as autoridades escolares e políticas reivindiquem os bons resultados e assobiem lateralmente quando assim não é.
Sexto: há muito que se sabe que, em regra, os resultados escolares melhoram com a elevação das sociedades e das famílias e ao longo de gerações. O bom ensino, as boas escolas e os bons ministérios são, em regra, uma consequência disso. Quem especializa precocemente exclui, empobrece e tem sempre piores resultados globais a prazo; também há muito que se conhece esta evidência, mas a eliminação da história parece associar-se aos fanatismos.
No Atenta Inquietude
ResponderEliminar"Ao que parece e embora não se saibam os contornos da proposta ou propostas o PS, BE e PCP subscreverão o fim dos exames finais do 1º ciclo.
Quem acompanha o que por aqui vou escrevendo sabe que a minha posição não é favorável à exisência de exames nacionais, obrigatórios e com impacto no trajecto dos alunos ao fim de quatro anos de escolaridade, realizando-se ainda uma avaliação no 2º ano.
Não vou repetir a argumentação, recordo apenas que a esmagadora maioria dos paíeses d OCDE não tem exame nacional tão cedo e que organizações como a OCDE e UNESCO alertam para os riscos de sobrevalorização da avaliação externa que tem cracterizado a política educativa mais recente.
Nesta conformidade, parece-me aceitável que se elimine o exame nacional do 4ºano.
No entanto, é imprescindível que se não fique por aqui, a simples eliminação. Seria uma medida de natureza simbólica mas quase irrelevante.
A questão mais importante é definir é de forma adequada e com os recursos necessários que apoios estão disponíveis para as dificuldades experimentadas por alunos e professores ao longo de todo ciclo.
Convém também não esquecer o impacto que turmas sobrelotadas, metas curriculares excessivas e burocratizadas que inibem a acomodação das diferenças entre os alunos, insuficiência de apoios às dificuldades de alunos e professores durantes todos os anos do ciclo, entre outros aspectos, podem assumir nestes resultados e não constituir o melhor contexto para sustentar a evolução pretendida.
Quem conhece minimamente as escolas sabe que o terceiro período dos anos finais de ciclo se transformou num período de preparação obsessiva para os exames que deixa insatisfeitos professores e alunos. Os resultados escolares no 1º e 2º ciclo, nas condições de funcionamento e características das nossas escolas, também não melhoravam significativamente com uma explicação intensiva realizada no 3º período e no período suplementar de explicações por maior empenho que seja colocado pelos professores e escolas.
É tudo isto que deve ser considerado ao decidir “acabar” com o exame do 4º ano."
Tinha lido. Obrigado. Muito bom.
ResponderEliminar