terça-feira, 24 de maio de 2016

"Se há vagas no público, os contratos acabam", disse o Ministro da Educação

 


 


 


Nunca um ministro disse algo que se aproximasse. Conheço bem o tema e estou à vontade para o sublinhado. A Secretária de Estado da Educação afirmou ontem, na mesma sessão, que finalizou um estudo sobre a rede escolar e que nos anos iniciais de ciclo não ficarão salas vazias nas escolas públicas que se situem "ao lado" de colégios financiados pelo Estado.


 


Escrevi muito sobre este assunto. Pode consultar nas etiquetas do blogue. Li muitas opiniões nos últimos dias. Recordei-me de Pedro Santos Guerreiro do Expresso a propósito do Panamá Leaks: precisamos que os cidadãos mantenham a pressão alta; os jornalistas caminham numa difícil pista de obstáculos.


 


Esta variável da rede escolar tem contornos semelhantes. Todos têm que fazer o seu papel. Não adianta atrasar mais esta nódoa na decisão política. Para além das questões que interessam aos alunos e a quem os educa (mesmo que desconheçam que lhes diz respeito em primeiro lugar), professores do público e do "privado" merecem decisões civilizadas. Há duplicação de despesa, ou de investimento se não se privatizassem lucros à custa da precarização de profissionais. É imperativo que em cada concelho se apurem números reais. Quando se deu o boom de 2005 com colégios ilegais, as escolas públicas tinham cargas curriculares muito superiores ao que existe hoje. Têm, portanto, mais capacidade para a frequência de turmas. Com a associação de outras variáveis, é possível encontrar soluções que minimizem os danos para as pessoas. Quanto mais tarde se resolver este problema, mais graves serão as consequências.


 


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16 comentários:

  1. Incisivo, claro e brilhante. Fala quem sabe.

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  2. Visão lúcida, informada, imparcial. Obrigado em nome de TODOS os professores!! Parabéns!!

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  3. Pronto! Vão começar as reuniões de pais, as manifestações, os choradinhos...... dos colégios com contrato de associação.
    Mas tenho esperança que se caminhe para um ponto final nestas negociatas.
    Bom texto, Paulo.

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  4. Concordo em geral com as tuas palavras. No entanto, há situações particulares que conheço (e estou, por exemplo, a lembrar-me de Fátima ou dos Colégios de S. Teotónio e Rainha Santa, em Coimbra) em que o Estado construiu escolas públicas em locais onde elas já não se justificavam apenas (digo eu) para satisfazer caprichos de alguns autarcas. São escolas que hoje, naturalmente, estão às moscas. E. não satisfeito com isso o Estado ainda financiou, posteriormente, nessas áreas, onde a oferta privada, desequilibrando ainda mais a relação oferta/procura.
    Sou completamente contra negociatas que estão identificadas e devem ser investigadas... com consequências! Mas não me é indiferente que instituições que durante 40 ou 50 anos deram respostas de cariz público em locais onde não existiam respostas estatais possam agora ser amputadas de uma parte significativa do seu corpo docente e não docente devido a um desequilíbrio que o próprio Estado introduziu. Nos casos concretos que apontei acima, e que conheço bem, choca-me que possam estar a liquidar instituições que sempre se destacaram pelo seu bom trabalho e pelo seu serviço público por causa de algumas escolas públicas que nunca deviam ter sido construídas estarem às moscas. Reconheço, no entanto, que os casos que apontei serão uma gota de água no mar de casos de colégios que, nas últimas duas décadas nasceram "como cogumelos" em locais onde não se justificavam... nomeadamente na tua zona, Paulo. Obrigado pela tua perseverança e pela tua luta.

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  5. Quanto ao Ministro da Educação... logo conversamos.
    A primeira opinião é de "fala bem mas não me alegra", pois, aos poucos, vai-se conhecendo a sua impreparação para o cargo e até o desconhecimento da realidade portuguesa. Fala, por vezes, como se tivesse descoberto a pólvora: diz que temos de criar bancos recursos digitais para as aulas e que um manual digital não é o manual em pdf... Existem imensos repositórios de recursos digitais (muitos deles alimentados pelos trabalhos que os docentes produziram na formação contínua). Os manuais, neste momento, são extremamente interativos e cheios (até ao exagero) de recursos, ligações, "alargamentos". Ou seja, em relação a modernidade julgo que não nos podemos queixar. Já em relação à qualidade científica de alguns (que até são certificados por entidades do Ensino Superior...) ponho as minhas dúvidas. Mas a sensação que fica é a de que o Ministro aterrou, vindo de Londres, e pensou que vinha educar e civilizar os pobres tugas... E nem sei que diga de algumas medidas que começam a aparecer, como aquela das condições para redução de turmas com alunos NEE's...

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  6. Concordo e obrigado pelas palavras Jorge. Claro que a "minha" zona é o que se sabe. É uma espécie de madeira-jardim-cacique (digamos assim), mesmo que de segunda divisão, e que selecciona para alvo as vozes incómodas. E a teia chega até onde menos se espera. E quando não têm por onde ir directamente ao alvo, incomodam os mais próximos. Uma vergonha e demasiadas vezes repelente. Mas, claro, não só alimentam a razão com motivam a cidadania. Obrigado e força aí.

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  7. Em relação ao novo ME, já fiz alguns posts e nem sempre no mesmo sentido. Vamos observando. Já reparei nalguns tiques referidos no comentário e espero que não se recuperem políticas amplamente derrotadas.

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  8. Mas este homem é ministro de alguma coisa? Não passa de um pau mandado da fenprof. O que se diz primeiro ministro não passa de um derrotado nas eleições, este tiago ainda consegue ser mais triste limita-se a ser pau mandado da fenprof e a assinar percebe tanto de ensino como o costa percebe de ganhar eleições honestamente uma palhaçada

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  9. Tudo muito bonito sem dùvida, este ministro é um anormal não conhece a realidade do ensino em Portugal, só mesmo uma grande cavalgadura faria as afirmações que ele fez, retirando opções de escolha aos alunos e mandando professores do privado para o desemprego, salvo raros casos o ensino da escola pública em Portugal é um nojo, não é á toa que os Políticos metem os filhos no privado, a escola pública com tudo que acarreta viver da teta do estado já tem demasiados vícios..não digo que não existam escolas privadas igualmente más, mas existem muitas que são escolas privadas com um ensino de referência..este ministro é o ministro mais imbecil desde que existe democracia

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  10. Estranho que não comente os mais de 20 mill professores desempregados na escola pública ou os que são deslocados para muito longe das famílias por causa da proliferação de escolas "privadas". A sua linguagem não ajuda a argumentação. Mas não li qualquer referência ao ensino privado financiado por propinas. O ministro referiu-se às cooperativas financiadas pelo Estado que fazem propaganda como se fossem privadas e que privatizam lucros à custa da precarização dos profissionais que são contratados sem qualquer escrutínio público.

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  11. A interpretação conveniente do conceito de "economia privada": receber dinheiro público sem ter que se sujeitar às regras de contabilidade pública, sustentando-se à custa do orçamento de Estado. O negócio das escolas privadas, onde aparecem ex-governantes, que berram pelo liberalismo económico para terem liberdade de usar o dinheiro que recebem do Estado sem darem satisfações e desse modo enriquecerem, explorando pelo caminho quem trabalha para eles.

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  12. Existem várias zonas do país, onde o anterior governo (na verdade foram 2 governos) que promoveram os colégios privados. Alguns locais, passaram a ter 30 turmas de associação contra 15 na escola pública que fica do outro lado da rua. Interessante é que os alunos subsidiados que vão para esses colégios de associação, conseguem pagar 2500 euros, por ano, para terem aulas de equitação, natação e viagens de finalistas (no 6,7,8,9,10.11 e 12 anos).
    O que denota que existia uma protecção gigantesca dada aos colégios privados. Algumas escolas foram fechadas porque as turmas que possuiam já não compensavam ter a escola aberta, ao mesmo tempo, nascia um novo colégio, a menos de 500 metros de distância, que conseguia o contrato de associação para 20 turmas logo no primeiro ano.
    As manifestações de 2011, foram lideradas por 3 grandes grupos que possuem mais de 200 colégios privados em Portugal. Porque quem estava no governo queria baixar para 72000 euros o valor a pagar anualmente e rever as condições. O partido que ganhou essas eleições colocou o valor em 86500 euros... que baixou para 80500 em 2015.
    Interessante é que uma das razões para os protestos atuais, nem é a redução de turmas... é que o governo quer que os colégios apresentem as contas ligadas à pedagogia que seguem. E terem 3 ferraris ou gastarem 250000 euros, por ano, em viagens para destinos turísticos, não está dentro da pedagogia educativa...

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