domingo, 19 de junho de 2016

da imagem da CGD

 


 


 


"Não concordo com uma comissão parlamentar de inquérito à CGD", disse Daniel Oliveira no Eixo do Mal de ontem. Para este comentador, que foi do BE, é do Livre e apoia o Governo, está em causa a imagem da instituição que sofrerá estragos com o inquérito porque se tornarão públicas uma série de irreguralidadades que os mentores (arco governativo) até já conhecem. E é isto. "Escondem-se" irregularidades em nome de uma suposta imagem e de um tortuoso interesse público. Imagine-se o que diria o comentador se a PàF usasse o mesmo argumentário nos casos da banca privada (e qualquer que seja o momento jurídico e público de uma instituição): o mainstream sabe o que se passou e chega: ponto final. Há que perservar a imagem; em caso contrário, sai mais caro aos contribuintes.


 


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18 comentários:

  1. Ok... mas no fim do dia o que é que se ganha com as ditas comissões de inquérito? Há punições? Há mudanças? Há responsabilidades? Em caso de resposta negativa então temos que concluir que são um espectáculo para dar a sensação que se faz algo e que a podridão não reina. E para isso não vale mesmo a pena.

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  2. Claro. Mas defender a não realização tem um efeito ainda pior.

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  3. Não posso concordar. As acções ou têm um propósito ou não passam de decorações. Mais vale não tapar o sol com a peneira. Além do mais convém dizer que a fragilização da CGD não é de facto do interesse nacional, apenas estamos a abrir as portas para que seja tomada por interesses não nacionais.

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  4. Percebo tudo isso. Até posso considerar sei lá o quê a proposta de comissão parlamentar de inquérito feita pelo PSD e que me parece que terá participação na convocatória por parte do BE e do CDS. Estas comissões podem resultar em nada ou quase. Mas desaparecem do regime do parlamento? Os contribuintes financiaram 20 mil milhões em oito anos na banca privada mais 4 mil este ano na CGD. Isso não merece uma comissão?

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  5. A CGD não está cotada em bolsa. Só cai se o poder político quiser.

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  6. Percebo. Mas temo que assim seja pior. Como alguém disse, o caso CGD tem de ser o limite da impunidade. Se alguém convoca uma comissão, que se faça, que se identifique quem deve ser identificado e que se avance. Estamos de tal modo, que já não é apenas o sistema que faliu. O regime está a abanar demasiado e oscilará mais com apelos à falta de transparência.

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  7. Eu entendo o receio do Paulo mas julgo que é infundado.

    Como poderia ser pior? Ninguém (mas mesmo ninguém) acredita na transparência política e muito menos na salubridade das relações entre a economia e a política. A credibilidade já foi. A escolha que nos é apresentada é se queremos continuar a assistir a mais melodramas coreografados e transmitidos em directo que terão zero consequências reais - como todas as comissões parlamentares. Para quê ser espectador de algo que sabemos que é uma farsa? Para manter o regime? Porquê?

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  8. Percebo o ponto de vista. É uma queda sem fim?

    Mais logo passo pelo link sugerido. Obrigado.

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  9. É uma queda até que algo de novo apareça dada a incapacidade total de regeneração mostrada.

    Se me pergunta se há salvação para o actual estado de coisas... a resposta parece ser não. Não há poder político e há demasiados excluídos, pessoas empurradas para as margens para definharem só para que tudo se possa manter tal como está para benefício de alguns.

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  10. Tendo, tento, pelo menos, para o optimismo. Ou melhor, tento contrariar o pessimismo. Mas reconheço "autoridade" ao argumento "... a resposta parece ser não". Dá ideia que se foi muito longe nos últimos 30 anos de neolberalismo (palavras do FMI :)); nesse texto, também se reconhece o erro da austeridade da troika. São apenas sinais de desespero? Haverá uma qualquer autenticidade nestas conclusões?

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  11. Há muito que se lhe diga mas deixe que lhe pergunte... conhece a história do FMI e do BCE? Vale bem a pena ver o percurso da instituição e dos seus quadros ao longo do tempo.

    Mas para o que nos interessa no presente não será a questão central "porque é que nos estamos a entregar aos caprichos de organizações que não controlamos em nada?" Esperamos algo da providência divina? Há alguma razão para que tais corpos estivessem preocupados com o nosso bem estar ou mesmo sobrevivência? Devemos olhar para fora em busca de salvação? D. Sebastião virá de Bruxelas ou Frankfurt?

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  12. Ah, sim, claro. Conheço. Toda a escola do Goldman Sachs, digamos assim.

    Percebo. Sem dúvida. Uma equação difícil, mas é a equação.

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  13. Vá mais longe... às ideias e instituições que as precederam...

    Não lhe chamaria uma equação. São perguntas. Dependendo da resposta que lhes damos assim determinamos o que fazemos (se formos homens de coerência e lógica claro). Penso que a maior parte das pessoas acaba por afastar estas questões porque não gosta do sítio onde as respostas as podem levar - um reflexo equivalente ao da criança que tapa os próprios olhos acreditando que assim os outros também não conseguem ver. Esquecem-se é que o não responder é em si uma resposta, com consequências.

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  14. São perguntas; certo. Mas contêm uma equação que historicamente se repete; ciclicamente ou nem tanto assim.

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  15. Já passei pelo link sugerido. Já tinha, noutra altura, lido o post.

    Ainda sorri com o mote do "enclave" que só desta vez reparei "O povo não quer o voto, quer cartões de crédito". Não diria tanto.

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  16. É bem possível que até já lhe tivesse referido o post... afinal de contas há temas dos quais não conseguimos desligar porque parece que estamos num ciclo vicioso.

    Há que encontrar algum humor mesmo em momentos escuros... nem que seja com "gallows humor" :) (passo o anglicismo)

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