quinta-feira, 10 de novembro de 2016

democracia representativa versus democracia directa

 


 


 


Não é a primeira vez que, nos EUA, vence o menos votado. Foi assim com outro republicano em 2000. George W. Bush obteve 47,9% e Al Gore 48,4% dos votos. Trump tem menos 233 mil votos do que Hillary Clinton. Não é um sistema de um homem um voto. É um sistema representativo (o detalhe tornaria o post enorme) que elege 538 grandes delegados nos 50 estados. Robert Schapiro, professor de Ciência Política na Universidade de Columbia, fala de um "sistema eleitoral abstruso. Uma alteração ao modelo do colégio eleitoral obrigaria a uma mudança da sacrossanta Constituição dos Estados Unidos, uma tarefa delicada. Este resultado questiona até que ponto é que o nosso sistema é democrático". A constituição dos EUA foi alterada 27 vezes desde 1789. A construção da democracia contraria o fim da história. Os detalhes são fundamentais. O voto directo deve substituir o representativo, com excepções do domínio da impossibilidade; obviamente. Visto a esta distância, dá ideia que o modelo foi construído a pensar numa sociedade de um só sentido.


PS: no mínimo, espera-se que o legado de Trump não seja tão trágico como o de Bush. Mas dá ideia que os humoristas não se vão queixar com uma alavancagem semelhante.


 


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6 comentários:

  1. Paulo,
    não deixando de dar relevo à diferença entre o total de votos populares e o resultado obtido no colégio eleitoral, não podemos esquecer que os EEUU são uma Federação de Estados e, na sua construção, foi determinante a distribuição de poder entre todos os estados que integram o país.
    Uma eventual solução seria a utilização da distribuição proporcional dos grandes eleitores em cada um dos estados e não a atribuição de todos ao candidato mais votado. De resto é o que acontece num dos estados e num distrito federal.
    Mais grave terá sido a forma como em alguns dos estados e condados se dificultou a participação eleitoral, sobretudo das minorias étnicas e religiosas.
    Agora, o facto é que os americanos não esquecem o contributo dos Clinton para muitos dos males deste mundo em que vivemos. Vidé a desregulação do capital financeiro, ou a invasão da Líbia, entre muito outros.
    Abraço,
    F

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  2. Viva Francisco.

    Não queria tornar o post enorme. Obrigado pelo contributo. Parece que há mais de milhares de afro americanos que votaram em Obama, apoiavam Sanders com entusiasmo, e que agora ficaram em casa.

    É Clinton fez isso. Foi grave. Não percebo como é que o Joseph Stieglitz era seu assessor. Parece que saiu em conflito. Não tenho a certeza.

    Abraço também.

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  3. Esse sistema não é necessariamente menos democrático (de resto, seria ousadia excessiva dar lições de democracia aos E.U.A.). Mas se queremos escandalizar-nos não precisamos de sair da U.E onde, por exemplo, 1/2 milhão de luxemburgueses têm direito a 6 eurodeputados, 10 milhões de portugueses a 22 eurodeputados, mas os 82 milhões de alemães apenas a 96 (teriam 984, se, como cidadãos, "valessem tanto" como os primeiros, ou 182, se "valessem tanto" como nós...)

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  4. Trump’s election provides a powerful reminder that in America the people hold the ultimate authority. Just by voting they can order wholesale changes, as rural residents and whites without a college education did Tuesday in unexpected large numbers. A surprisingly large minority of Latinos also chose Trump, overcoming any revulsion at his racist attacks on their ancestors and undocumented neighbors.
    Over the same years, incomes among the top tenth of 1 percent grew so much—and tax laws were so generous to them—that many enjoy multiple mansions and a few own his-and-her private jets.
    Many in the vast majority are worse off now than in LBJ’s day because while their real incomes remained flat, their bills—for housing, cars, college tuition—kept rising. And fear spread as unions were weakened, manufacturing required fewer workers, and all jobs became less secure, with fewer health and retirement benefits except for top executives. While food banks did not exist until 1967, today the greatest increase in requests for help at these banks comes from working families with children.
    I understand this frustration. For more than two decades I have documented inequality. I have also explained the role of myriad government policies that subtly take from the many and give to the rich few, including Donald Trump.
    These Americans were so fed up with politicians growing rich while worsening their plight that they embraced an erratic personality with no history of public service.
    These voters were so desperate, so fearful about the future, that they naïvely trusted Trump when he said he cares about them.
    These voters forgot, or did not listen, when Trump repeatedly said wages are too high. Trump is no friend of people seeking higher pay.
    Few of these voters, I suspect, know of his long history of not paying his bills, resulting in layoffs of people like themselves as small businesses struggled with paying for goods they supplied, having not gotten payment in full for those goods from Trump.
    Very few know that throughout his life Trump has embraced violent felons, Mafiosi, Russian mobsters, con artists, and most important of all a major cocaine trafficker. But while overseas television covered this extensively, not one word was spoken on ABC, CBS, NBC, or PBS about the candidate’s deep and lucrative criminal connections.
    David Cay Johnston, The Daily Beast

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  5. Claro que a democracia dos EUA tem uma longa história. Mas não é o fim da história. HC já vai com mais 2 milhões de votos. Isso não merece discussão. O sistema europeu? Esse então está recheado de incongruências na defesa dos interesses mais fortes.

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  6. Até arrepia. Esperemos que não se confirmem os piores receios.

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