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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O candidato presidencial estava na missa

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Saíram as projecções sobre quem passaria à segunda volta. A primeira reacção do candidato que veio a ficar em segundo lugar foi à saída da missa. Pelo que percebi, ao Domingo há várias missas. Mas o candidato escolheu a daquela hora e os jornalistas tinham conhecimento da decisão. Num país democrático, a confissão religiosa é, naturalmente e justamente, livre e pode ser estimulada publicamente. Mas imagine-se que, e como previam algumas sondagens, o candidato era o vencedor. Seria um momento de êxtase para os 1 milhão, 326 mil e 644 cidadãos que votaram no candidato: o vencedor a sair da missa. Assim, projectando-se um segundo lugar, o candidato desconhecia os números e só mais tarde reagiria. E assim foi: apareceu com a retórica inflamada do costume: vencedor numa eleição que voltou a perder e discursando num registo de ódio, divisão, racismo e xenofobia. Decerto que não terão sido esses os conselhos que ouviu na missa.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Afinal, os eleitores discordam de quem diz que as pessoas de esquerda têm uma qualquer doença contagiosa

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Afinal, os eleitores discordam de quem diz que as pessoas de esquerda têm uma qualquer doença contagiosa.


Do ponto de vista da educação e pensando também no futuro, o que é factual é que as ainda vigentes, e comprovadamente desastrosas, políticas educativas dos governos de José Sócrates foram subscritas por toda a direita (incluindo os que transitaram para os novos e extremados partidos) e mantidas ou agravadas sempre que governou.


Há, portanto, que erguer a democracia, recordando que há um conjunto de causas educativas - queda das aprendizagens, falta de professores, exposição de crianças e de adolescentes à selva digital, inferno burocrático para os professores, indisciplina nas salas de aula e valores misóginos, racistas e de ódio - que exigem mudanças e empenhamento cívico e político.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Sobre a não candidadtura presidencial de António Sampaio da Nóvoa

Apoiei, publicamente e há dez anos, a candidatura presidencial de Sampaio da Nóvoa. Foi a primeira vez que apoiei um candidato integrando publicamente o movimento. Percebi a agressiva divisão dentro do PS, nomeadamente da corrente que apoiou Maria de Belém. Não fosse isso, e talvez houvesse uma segunda volta e tudo podia acontecer. Mas foi uma campanha inesquecível. Subscrevo este post do Paulo Guinote sobre a não candidatura presidencial de António Sampaio da Nóvoa.



Finalmente!


segunda-feira, 2 de junho de 2025

terça-feira, 25 de março de 2025

A trágicomedia do país nas mãos dos votantes no Chega

Antes do mais, há sempre que considerar quem defende que os países funcionam melhor sem Governo e que o tempo é tão veloz que o que levaria anos a saltar à vista ocorre em poucos meses. Por exemplo, quem diria que em Maio de 2025 o país terá que esperar pelas decisões dos votantes do Chega da eleição anterior para saber quem vai governar.


Recuando a 2022 e à maioria absoluta do PS que caiu vertiginosamente, a sucessão de casos, casinhos e outras coisas eticamente não aceitáveis empurrou, segundo os especialistas, muitos milhares de votantes para o Chega. Os seus cartazes, que associavam candidatos de esquerda a José Sócrates (que não está ainda julgado por corrupção), foram convictamente partilhados por toda a direita (Montenegro e o seu PSD alinharam no fenómeno e associaram António Costa e Medina a corrupção), mas os votantes fixaram-se no Chega.


Mas lá está: em tempos velozes, a esperada falta de tanta coisa de eleitos pelo Chega percebeu-se em poucos meses; e, surpreendentemente ou não, os casos, casinhos e assuntos com casinos de quem governa aconteceram vertiginosamente e o Governo caiu.


Obviamente que o Chega associou as personagens a cartazes idênticos aos outrora partilhados (Montenegro foi agora para tribunal e não se sabe com que efeitos), e os seus votantes estão tão baralhados como os motes da campanha eleitoral da maioria dos partidos políticos.


Diz quem estuda os fenómenos eleitorais que há sinais dos votantes nas recentes eleições na Madeira, esse MAGA-Jardim. Mas são muito pouco conclusivos e não se sabe o que fará a velocidade aos votantes na República. Maio é muito distante.


Por outro lado, parece que já não é boa ideia surfar a onda Trumpista. O estadista do Capitólio é replicável na Europa? Há sinais contraditórios. Há quem diga, por exemplo, que a entrega de documentos à FOX foi replicada por aqui com o Observador, mas não se imagina o efeito que esses e outros movimentos autocráticos terão nos votantes no Chega.


Uma pequena nota sobre a Educação:


Por dever de opinião para um canal televisivo no dia em que se conheceu o actual e demissionário Governo, procurei informação sobre o actual ministro da pasta. Li ideias partilhadas por ultraliberais com simpatia pela serra eléctrica e defensores, entre tantas tragédias comprovadas, do cheque-ensino e da entrega da Educação novamente a privados financiados pelo orçamento do Estado. Ainda bem que não teve tempo. As finanças permitiram-lhe fasear a recuperação do tempo dos professores. Foi bom. Mas o programa de Governo anunciava o milagre da multiplicação dos professores. Falhou, como se esperava e se disse. Teve um momento mediático grave com a publicação de números falsos. Envolveu o chefe do Governo, e nova figura dos cartazes do Chega, nessa campanha. Pediu desculpa. Mas não se demitiu e até conseguiu o milagre dos milagres: suprimir da mediatização as notícias sobre alunos sem professor.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

O trumpismo não pode condenar as eleições em Moçambique ou na Venezuela

Um defensor do trumpismo não pode condenar as eleições em Moçambique ou na Venezuela. Ou melhor: pode, porque um entusiasta de Trump pode defender tudo e o seu contrário.


Vamos lá repetir o óbvio.


Como ponto prévio, sublinhe-se que Trump venceu, em 2024 e inequivocamente, as eleições presidenciais nos EUA. A transição de Biden para Trump decorrerá democraticamente. Biden respeitará as regras. Em 2020, Trump perdeu para Biden. Não aceitou os resultados, nem apareceu na posse de Biden, apesar da sua equipa o ter informado da legitimidade inquestionável de todo o processo.


Portanto e qualquer que seja o ângulo de análise, há um receio fundamentado com a fragilidade da democracia. Agrava-se com os triunfos da boçalidade e do capitalismo selvagem. Dividem as classes médias e baixa - estimulando lutas de ódio e aplicando programas massificados de meritocracia kafkiana -, enquanto sorriem com o aumento brutal do saldo bancário. O triunfo é sofisticada. Apropriou-se, magistralmente, da agenda dos partidos que têm governado (a ganância tem o dom da ubiquidade). Virou, naturalmente, ressentidos e excluídos contra um sistema promovido, imagine-se o requinte, pelo capitalismo selvagem, que conseguiu que os vencimentos ajustados à inflação sejam actualmente inferiores aos praticados há 30 anos (ou mesmo 50 anos em algumas democracias ocidentais).


E se a democracia não dispensa o seu valor fundador - a liberdade em respeito pela liberdade do outro - também exige que o voto se exerça em eleições livres e justas com o primado da lei.


Pois bem e repita-se com mais detalhe: o comportamento de Trump em relação aos processos eleitorais é delinquente e seria deportado se fosse imigrante. Como agora venceu, achou robusto o processo eleitoral dos EUA. Quando perdeu, como em 2020, "pediu ao secretário de Estado da Geórgia, republicano, que encontre os votos necessários à sua vitória" e pressionou "Mike Pence, o antigo vice-presidente dos Estados Unidos, que ouvido sob juramento sobre a invasão do Capitólio e na qualidade de presidente do Senado, declarou que foi alvo de pressões de Donald Trump para rejeitar a confirmação da vitória de Joe Biden na eleição de 2020."


De facto, centenas de invasores do Capitólio foram presos. Trump não. Usou, apenas para si, o endinheirado apelo interminável para instâncias superiores. Pode, agora, escapar desse e doutros crimes federais (mas ameaçou o processo de 2024 até perceber que ganharia as eleições). 


Portanto, Trump acha natural falsificar documentos (actas, votos e por aí fora) para vencer eleições, como se observa em Moçambique e na Venezuela. Na campanha eleitoral de 2024, Trump absolveu e elogiou Maduro. Provavelmente, o capitalismo selvagem conseguiu uma boa oportunidade de negócio na energia. Dá ideia que acontecerá o mesmo em Moçambique, se o negócio da energia o justificar (há factos de fraude eleitoral na província rica em matéria de energia).


Duas notas:


1. Olhe-se para os números de quem votou nos EUA em 2016, 2020 e 2024, num sistema em que as vitórias podem ser mais geográficas do que demográficas:


em 2016, 65 milhões em Hillary Clinton contra 62 milhões em Trump; venceu Trump; tomou posse na presença de Obama;


em 2020, 81 milhões em Joe Biden contra 73 milhões em Trump; venceu Biden; tomou posse na presença de Pence por ausência de Trump;


em 2024, 71 milhões em Kamala Harris contra 74 milhões em Trump; venceu Trump; tomará posse na presença de Biden;


9 dos 10 milhões que Kamala Harris perdeu em relação a Joe Biden abstiveram-se.


2. A apreensão adensa-se. Dá ideia que nos EUA se fragilizarão os pesos e contra-pesos. Será, no mínimo, um teste de stress. Terá resultados imprevisíveis no respeito pelos limites e separação dos poderes, com efeitos nos negócios ligados à indústria da guerra (que envolve a internet e as gigantes tecnológicas, áreas de negócio que interessam a plutocracias e autocracias) e na segurança das democracias ocidentais que têm, no seu conjunto, um número muito apetecível de consumidores.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Parece o triunfo da boçalidade

Independentemente de tantas análises que se possam fazer, há uma espécie de triunfo da boçalidade que se vai disseminando pelas democracias ocidentais. Para além do mais, os erros mais reconhecidos do mainstream e do capitalismo selvagem são também da responsabilidade dos que agora usam a boçalidade para captar ressentidos e excluídos. 


Parece que nos EUA não haverá pesos e contra-pesos o que terá resultados imprevisíveis.


(já agora, Trump, o seu círculo e os seus eleitores acharão o processo eleitoral dos EUA o mais robusto da história da humanidade).

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Conversa Sobre Educação


Um vídeo com uma Conversa Sobre Educação (tem que clicar em continuar a ler para chegar ao vídeo).

O Movimento "Vamos Mudar" (Caldas da Rainha), convidou-me para um dos seus programas "As Quintas da Mudança". A agradável conversa com Conceição Henriques foi do global ao local e da história à actualidade. É uma análise da educação - não apenas a escolar - nos diversos níveis e que se aplica a qualquer localização. Como habitualmente, arquivo o vídeo no blogue e partilho-o.


 

 

terça-feira, 28 de maio de 2019

Da Culpa da Geração Erasmus

 


 


A tal geração Erasmus votou em números muito reduzidos (é o que se diz por aí) para espanto de alguns que se apressaram a culpar a escola. Acusam os jovens adultos de ingratidão (como se empregos com um mínimo de qualidade estivessem ao virar da esquina). Não me parece uma conclusão rigorosa. O que podemos afirmar com segurança, é que os números da abstenção nas eleições europeias terão uma qualquer relação com uma sociedade que exacerbou o individualismo. Nesse sentido, é importante interrogar: que escola é que existiu na última década e meia? (a tal que adoece os jovens?) Se se educa pelo exemplo, qual é o ambiente democrático das nossas escolas há cerca de uma década?


Também seria interessante encontrar respostas para o seguinte: como é que a sociedade educa os jovens? (segundo a OCDE e a Universidade do Minho, os nossos adolescentes revelam uma "falta de autonomia assustadora", com tendência a aumentar, e são os mais ansiosos da OCDE)