quarta-feira, 19 de abril de 2017

não há vida para além do défice

 


 


A inédita maioria que apoia o Governo tem um discurso mais positivo do que as anteriores, mas pouco respira para além do défice. Regista-se o abandono do discurso da austeridade virtuosa e da venialidade ao poder europeu. Mas não chega. Bruxelas continua com a agulha apontada ao pensamento que sustenta o presidente do Eurogrupo e que foi também apoiado pelo antigo arco governativo português durante boa parte do que levamos de milénio. Estamos, portanto, numa espécie de quadratura do círculo também por culpa própria. Quanto aos professores, desesperam com o atraso na concretização das boas vontades. Sabem que são o maior grupo dos funcionários públicos (e o que isso tanto financiou os interesses do antigo arco governativo) e que a massa salarial é elevada mesmo com os baixos vencimentos. Mas é cada vez mais difícil aceitar o congelamento das carreiras, os milhares de precários, os aumentos dos horários e das inutilidades e o prolongamento da desconfiança na democracia. Para além disso, o adiamento das reformas, que se está a tornar num caso sério de saúde pública, contamina as atmosferas organizacional e relacional e coloca o sistema escolar à beira de um ataque de nervos.

2 comentários:

  1. Exactamente.

    E ninguém quer a escola"à beira de um ataque de nervos".

    Assim sendo, comecem a pensar no assunto. É muito mau atirarem com diferenciações, perfis, flexibilidades, inovações várias.....e deixarem tudo o resto na mesma.

    Uma pitada de inteligência e "faro" político (OK, sensibilidade política) é mais do que necessário nesta altura.

    Lembrem-se do passado recente.....e não zarpem para o futuro assim com tanta pressa.

    O pessoal pode estar cansado e desmotivado. Mas o pessoal não é burro!

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