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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Do Híper que Adoece Professores e Outros Profissionais


Seria moderno e sensato que o Ministério da Educação, que licencia o software, e sempre que cria uma lei que exige dados de alunos (casos do sucesso, da flexibilização e da inclusão), indicasse às empresas a "nova" informação a obter nas plataformas digitais.



1ª versão publicada em 4 de Novembro de 2018.


Os estudos mais diversos repetem a conclusão: "os professores são vítimas de uma organização de trabalho que os adoece". Mas, e estranhamente, não há um relatório dos serviços centrais (direcções-gerais e avaliadores externos) do Ministério da Educação que o detecte e nem sequer os governantes o identificam; bem pelo contrário. São, aliás, dois híperes (a hiperburocracia e o emergente hiperagrupamento de escolas) com uma bactéria comum.


Recorde-se que escolas e agrupamentos pagam licenças a empresas para a gestão de diversas áreas onde se incluem os dados dos alunos. Seria moderno e sensato que o ministério da educação, que licencia o software, e sempre que cria uma lei que exige dados de alunos (casos do sucesso, da flexibilização e da inclusão), indicasse às empresas a "nova" informação a obter nas plataformas digitais. Como não o faz, as escolas e agrupamentos entram, como mais ou menos "criatividade", numa infernal circulação por email de ficheiros excel e word que origina uma doentia repetição de dados, de inutilidades e de reuniões de agenda repetida. É uma patologia que é ainda inúmeras vezes impressa. Ou seja, as ciências da educação ignoram os princípios elementares das ciências da administração e dos sistemas de informação e são posteriormente certificadas pelos registos info-excluídos dos avaliadores externos.


Por outro lado, foram esses serviços centrais que projectaram há mais de uma década a imposição de um (híper)agrupamento de escolas por concelho. Parece que estão perto de o conseguir. Sublinhe-se que o modelo que "gere" as escolas foi testado e desaconselhado já no século passado. Apesar de desenhado para uma escola, os serviços centrais impuseram-no (agrupando a eito dez, vinte ou trinta escolas das mais variadas tipologias) ampliando o fenómeno da hiperburocracia. Mas quem ler os relatórios dos avaliadores externos sobre uma amostra dos agrupamentos que existem, convence-se que tudo funciona entre a perfeição e o paraíso e mais se atreve ao aumento da escala de mega para híper; e sem alterar o modelo e com a municipalização como meta.


A sobrevivência implica olhar para os híperes com o desenho de Picasso - "ainda há vida com uma guitarrra" - e pensar como Goethe: "todos os dias devemos ouvir uma canção, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e dizer palavras sensatas". Cumpri os dois últimos e vou atrás dos restantes.


 


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Obtive esta imagem do "Still life with guitar",


de Pablo Picasso,


no Albertina museum em Viena.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Não é o Primeiro "Caso Centeno"

Tenho 33 publicações numa pesquisa por "centeno" e este não é o primeiro "caso centeno". E tirando o tempo de serviço dos professores e uma última intervenção na AR em que nos elogios a Portugal e ao sistema de ensino omitiu os professores de modo a que não restassem dúvidas, as opiniões são positivas. Destaco esta:



Por acaso, está patente na Alfândega do Porto a exposição "Leonardo da Vinci - As invenções do Génio". O homem do renascimento, que criou uma Geringonça (imagem), não imaginaria que um dos seus delírios náuticos transformasse turismo em petróleo e provocasse um crescimento económico que espanta esse mundo "rigoroso" que não suporta veleidades. É coisa de génio, realmente. Os austeros da escola de Schäuble têm razão e devem pensar na mala para o violão.


Por muito que custe aos avessos a qualquer curiosidade científica, há mérito português. É certo que o plano de Centeno escolhia a subida do consumo interno; não se verificou, apesar da reposição de salários e das condições interessantes que podem acontecer no futuro próximo. Mas é uma lição política para os que adivinhavam uma catástrofe com um Governo apoiado numa Geringonça. Nem as sucessivas viagens em direcção à bancarrota (conduzidas pelas "elites" que guiavam - e se guiavam - o antigo arco governativo), esmoreciam o discurso só-arco-fim-da-história. Portugal recomenda-se, o plano de Costa e Centeno, que levou Passos Coelho, em pleno parlamento, às lágrimas de tanto rir com as ousadias científicas, é olhado como alternativa numa Europa mergulhada em problemas de navegação.
E acrescento este pedaço: Por outro lado, há quatro anos, e na criação da inédita maioria parlamentar que muitos anunciaram como catastrófica, Mário Centeno aterrou em Bruxelas, e no Eurogrupo, envolto numa aura risível semelhante à da primeira intervenção no parlamento que levou Passos Coelho às lágrimas de tanto rir. Por muito que custe aos ultraliberais, como foi o caso do ex-PM, houve mérito na estabilidade portuguesa e Centeno regressa como presidente do mesmo Eurogrupo. Quem diria.



A presente questão Novo Banco tem contornos anteriores aos três protagonistas do "caso centeno". Nem sei se o PR pediu desculpa, mas o que não convinha mesmo nada é que os "abutres da alta finança" vissem em Portugal fragilidades políticas para começarem novamente a dividir para reinar como fizeram com os bancos: o bom e o mau.

sábado, 12 de outubro de 2019

Governo sem Acordo Escrito

 


Tendo em conta os resultados eleitorais, parece uma solução mais sensata não existir um acordo escrito. Seria muito difícil alcançar um acordo com todos e insensato excluir quem já integrou a geringonça. É certo que dá ideia que os eleitores "sufragaram" a solução anterior, mas a descida em número de votos do BE e da CDU complicaram a solução. Para além disso, fica a sensação que grande parte dos dirigentes socialistas considera-se injustiçado pelos eleitores por causa da não maioria absoluta. A próxima semana trará mais desenvolvimentos e resta esperar.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Notou-se, e Nota-se, a Irritação

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Tem sido um milénio de crispação política e nada fácil para os espíritos mais livres. "Não fica bem" desalinhar nem concordar com o que existe. Na vida portuguesa é também assim e o fenómeno agrava-se nos momentos sobreaquecidos de exacerbação dos clubismos. As posições autónomas tornam-se irritantes. Por exemplo, a direita está inconsolável com o facto de um Governo com um apoio parlamentar inédito ter sido bem sucedido e irrita-se com quem o sublinhe. E porquê? Porque há um temor com a severidade do julgamento histórico, uma vez que a direita aproveitou a presença da troika para se radicalizar. Para além disso, e sempre que não se está seguro do valor da obra, cresce a desorientação com a possibilidade da sucessão negar "o que se seguirá bom de mim fará". 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

O Que AÍ Vem

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António Costa abriu o discurso de vitória na direcção dos abstencionistas sublinhando a preocupação com o futuro da democracia. Nesse sentido, todo o espectro parlamentar devia inaugurar, antes que seja tarde, a descida da estratosfera e o abandono da nefasta lógica de aparelho.


Por outro lado, há quatro anos, e na criação da inédita maioria parlamentar que muitos anunciaram como catastrófica, Mário Centeno aterrou em Bruxelas, e no Eurogrupo, envolto numa aura risível semelhante à da primeira intervenção no parlamento que levou Passos Coelho às lágrimas de tanto rir. Por muito que custe aos ultraliberais, como foi o caso do ex-PM, houve mérito na estabilidade portuguesa e Centeno regressa como presidente do mesmo Eurogrupo. Quem diria. É certo que o plano priorizava a subida do consumo interno que não se verificou com a intensidade imaginada; para além disso, beneficiou da política do BCE, de um conjunto de cativações no OE, e nas carreiras com mais pessoas, dos impostos indirectos e do aumento inesperado do turismo. Mas é uma lição para os que adivinhavam o caos com um Governo assim. Como sempre defendi, todo o parlamento podia ser convocado para a aprovação de um programa de Governo e respectivos OE´s. Mas há riscos para a solução dos últimos quatro anos que poderão penalizar ainda mais as forças constituintes e aumentar a abstenção ou o recurso a votações extremas. Basta, como será a leitura de muitos abstencionistas, que o algoritmo de Bruxelas continue "aprisionado" pelas tais forças financeiras que capturaram os OE´s. O caso dos professores, que conheço melhor, vive uma espécie de quadratura do círculo que serve de exemplo: todos, com informação, claro, concordam com as razões dos professores, mas como são muitos são os mais injustiçados anos a fio. Repare-se no estado da carreira: falta grave, já indisfarçável, de professores; carreira não atractiva e não rejuvenescida com milhares de profissionais em baixa médica prolongada ou perto disso; constrangimentos para milhares que estão há muito bloqueados nas progressões; generalizado clima de desconfiança projectado em hiperburocracia e ambiente escolar doentio. Apesar do sumário descrito ser irrefutável, os professores foram literalmente excluídos da campanha eleitoral. Instalou-se a ideia de que quem defende os professores perde votos e não existiu um partido político que escapasse à "novidade". Os discursos que referiram, sempre apressadamente, a escola pública, ignoraram os professores. É um bom exemplo para a difícil equação de uma Geringonça 2.0 que aí venha e um sério aviso para os que se preocupam com o futuro da democracia e da abstenção, principalmente se se pensar nas forças não democráticas que estão disponíveis para todos os descontentamentos.


Imagem: A Geringonça criada por Leonardo da Vinci, um cientista ousado "que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquitecto, botânico, poeta e músico".

domingo, 6 de outubro de 2019

Geringonça 2.0?

 


Veremos se haverá uma Geringonça 2.0. As projecções vão nesse sentido, existindo, todavia, a hipótese remota de uma maioria absoluta do PS. Um Governo do PS sem maioria aconselha a reedição da Geringonça sufragada pelos eleitores. A direita terá uma derrota acentuada. Para os que vêem o início desse desaire no apoio à causa dos professores, é bom recordar que os eleitores talvez tenham penalizado o oportunismo de quem faria pior do que a pior versão do Governo como mais tarde se percebeu no "emendar da mão". E depois, e obviamente, há todo o restante universo político onde se percebe exactamente o mesmo: faria pior do que a versão mais contestada do Governo nos assuntos fundamentais.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Afinal, a Gerigonça

 


Em 2015, Portugal tentou um algoritmo diferente do imposto no Eurogrupo. O mainstream apressou-se a anunciar a syrização. Mário Centeno chegou a Bruxelas envolto numa aura risível, semelhante à da sua primeira intervenção no parlamento que levou Passos Coelho às lágrimas de tanto rir. Por muito que custe aos avessos a qualquer ousadia, como foi o caso do ex-PM, há mérito português. É certo que o plano de Centeno priorizava a subida do consumo interno que não se verificou com a intensidade imaginada; para além disso, beneficiou da política do BCE, de um conjunto de cativações no OE, e nas carreiras com mais pessoas, e da subida inesperada do turismo. Mas é uma lição para os que adivinhavam o caos com um Governo com este apoio. Nem as sucessivas viagens em direcção à bancarrota (conduzidas pelas "elites" que guiavam - e se guiavam - o antigo arco governativo), esmoreciam o discurso só-arco-fim-da-história. O plano de Costa e Centeno é olhado com atenção numa Europa com problemas de navegação e a fórmula parlamentar que apoiou o Governo parece aprovada pelos eleitores com desejos de continuidade acentuados pelas alternativas propostas. Aguardemos.


Nota: os professores têm justos argumentos de insatisfação e a contenda seguirá dentro de momentos.


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A Geringonça. Leonardo da Vinci.


 

segunda-feira, 22 de julho de 2019

O Híper que Adoece Professores e Outros Profissionais

 



Seria moderno e sensato que o ministério da educação, que licencia o software, e sempre que cria uma lei que exige dados de alunos (casos do sucesso, da flexibilização e da inclusão), indicasse às empresas a "nova" informação a obter nas plataformas digitais.



1ª versão publicada em 4 de Novembro de 2018.


Os estudos mais diversos repetem a conclusão: "os professores são vítimas de uma organização de trabalho que os adoece". Mas, e estranhamente, não há um relatório dos serviços centrais (direcções-gerais e avaliadores externos) do ministério da educação que o detecte e nem sequer os governantes o identificam; bem pelo contrário. São, aliás, dois híperes (a hiperburocracia e o emergente hiperagrupamento de escolas) com uma bactéria comum.


Recorde-se que escolas e agrupamentos pagam licenças a empresas para a gestão de diversas áreas onde se incluem os dados dos alunos. Seria moderno e sensato que o ministério da educação, que licencia o software, e sempre que cria uma lei que exige dados de alunos (casos do sucesso, da flexibilização e da inclusão), indicasse às empresas a "nova" informação a obter nas plataformas digitais. Como não o faz, as escolas e agrupamentos entram, como mais ou menos "criatividade", numa infernal circulação por email de ficheiros excel e word que origina uma doentia repetição de dados, de inutilidades e de reuniões de agenda repetida. É uma patologia que é ainda inúmeras vezes impressa. Ou seja, as ciências da educação ignoram os princípios elementares das ciências da administração e dos sistemas de informação e são posteriormente certificadas pelos registos info-excluídos dos avaliadores externos.


Por outro lado, foram esses serviços centrais que projectaram há mais de uma década a imposição de um (híper)agrupamento de escolas por concelho. Parece que estão perto de o conseguir. Sublinhe-se que o modelo que "gere" as escolas foi testado e desaconselhado já no século passado. Apesar de desenhado para uma escola, os serviços centrais impuseram-no (agrupando a eito dez, vinte ou trinta escolas das mais variadas tipologias) ampliando o fenómeno da hiperburocracia. Mas quem ler os relatórios dos avaliadores externos sobre uma amostra dos agrupamentos que existem, convence-se que tudo funciona entre a perfeição e o paraíso e mais se atreve ao aumento da escala de mega para híper; e sem alterar o modelo e com a municipalização como meta.


A sobrevivência implica olhar para os híperes com o desenho de Picasso - "ainda há vida com uma guitarrra" - e pensar como Goethe: "todos os dias devemos ouvir uma canção, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e dizer palavras sensatas". Cumpri os dois últimos e vou atrás dos restantes.


 


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Obtive esta imagem do "Still life with guitar",


de Pablo Picasso,


no Albertina museum em Viena.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Do Regresso a 2008

 


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Melhorou a percepção em relação à situação económica e financeira e há especialistas a concluir que os indicadores determinantes já estão ao nível de 2008. É cedo para consolidar expectativas, mas é tempo de insistir em cenários que incluam pessoas uma vez que se comprovou o efeito positivo (anulado, em parte, pelos impostos indirectos) de contrariar a austeridade a eito. Aliás, a reposição de salários foi a excepção do Governo na exclusão dos professores por serem muitos. É que se foi ouvindo (escrevi um post semelhante em Maio de 2017) o que se confrimou: se o descongelamento de carreiras incluir subidas de dois escalões, excluem-se os professores por serem muitos; se as reformas antecipadas recuperarem alguma decência, excluem-se os professores por serem muitos; se a recuperação da dignidade, e do tempo perdido, alterar o estatuto das carreiras, excluem-se os professores por serem muitos. É óbvio, portanto, que se espere um "regresso" a 2008, salvo seja, mas que se inicie, no mínimo isso, um exercício transversal. 

sábado, 25 de maio de 2019

Da Solidão Dos Professores

 


 


Há dias escrevi assim: "(...)Os professores são muitos e os credores do país, através da UE, sublinham a condição de protectorado muito endividado. Nada mudaria se PSD e CDS formassem Governo e BE e PCP syrizavam se não "amadurecessem". Os professores, que estão irremediavelmente sós, ainda respiram, apesar de serem o grande problema da nação e o único motivo que justifica dramáticas eleições antecipadas e coligações de pasmar.(...)"


Digamos de outro modo: em qualquer fórmula governativa, a recuperação do tempo de serviço nesta legislatura teria o mesmo destino. A direita evocaria uma qualquer impossibilidade financeira e a esquerda simularia, e simulou, que estaria favorável. O objectivo da esquerda era apenas impedir a fuga de votos, como se verificou na assinatura parlamentar de Outubro de 2017 (em que PS, PCP e BE, (e claro Verdes, PAN, PSD E CDS) e depois em acordo com os sindicatos, acordaram uma recuperação total que sabiam que não se cumpriria; todos sabiam). A realpolitik explicaria: um voto nos três partidos que sustentam o Governo é um voto no Governo e na sua continuidade. E isto é independente de se acreditar que a actual solução governativa é a mais adequada para o país (melhor do que qualquer maioria absoluta ou Governo de direita) e que deve continuar.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Da Erosão do Centro

 


 


 


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A erosão do centro político (ou arco governativo) explica os sucessos eleitorais dos extremos finais no universo político global. Se o triunfo em toda a linha do neoliberalismo é um argumento essencial para descrever o fenómeno, o descuido com os detalhes da democracia também integra a razão. Contudo, sublinhe-se que, e nosso caso também, a corrupção é tão ubíqua e persistente que pode funcionar como buraco negro e ocultar os outros argumentos. 


Olhe-se para a imagem que recolhi na internet e que teve inúmeras partilhas. Se formos justos e considerarmos os vencimentos e a carreira, afirmamos que o zero não é verdadeiro e que é semelhante à sobrelotação das turmas que se situa no zero vírgula um. Se o tempo de serviço não sai do zero porque a disciplina orçamental da zona euro só não tem rigor austeritário para o financiamento resolutivo da banca, os horários, na sua componente não financeira, e a gestão democrática continuam surpreendentemente no zero. O zero nos horários não é um grau determinado apenas por mais turmas por professor. Há inutilidades responsáveis por milhares de baixas médicas prolongadas e pelo aumento da despesa. Por outro lado, o zero na gestão democrática insere-se nos referidos detalhes e na decisiva qualidade educacional nas democracias. Quando ouço que o poder político não valoriza estas questões, que estão amplamente documentadas, é de recear a erosão do centro político que a breve prazo incluirá a totalidade do parlamento (impressiona o argumentário de jovens deputados do BE e do PCP sobre as lutas laborais mais mediatizadas ou a ilusão palavrosa de jovens ministros sobre a obra "feita" para eleitor ver). Alguém acredita que a oposição, PSD e CDS, faria diferente? Em regra, desprezar os detalhes da democracia e precarizar as classes médias inscreve "uma questão de tempo" para resultados eleitorais extremados (as pessoas frágeis e isoladas são vulneráveis aos excessos ideológicos). Aliás, e a exemplo do problema bancário (somos o único país em que a banca ainda não resolveu a crise de 2007), é histórico o nosso atraso na corporização do "novo".


 

domingo, 4 de novembro de 2018

O híper que adoece os professores

 


 


 


Os estudos mais diversos repetem a conclusão: "os professores são vítimas de uma organização de trabalho que os adoece". Mas, e estranhamente, não há um relatório dos serviços centrais (direcções-gerais e avaliadores externos) do ministério da educação que o detecte e nem sequer os governantes o identificam; bem pelo contrário. São, aliás, dois híperes (a hiperburocracia e o emergente hiperagrupamento de escolas) com uma bactéria comum.


Recorde-se que escolas e agrupamentos pagam licenças a empresas para a gestão de diversas áreas onde se incluem os dados dos alunos. Seria moderno e sensato que o ministério da educação, que licencia o software, e sempre que cria uma lei que exige dados de alunos (casos do sucesso, da flexibilização e da inclusão), indicasse às empresas a "nova" informação a obter nas plataformas digitais. Como não o faz, as escolas e agrupamentos entram, como mais ou menos "criatividade", numa infernal circulação por email de ficheiros excel e word que origina uma doentia repetição de dados, de inutilidades e de reuniões de agenda repetida. É uma patologia que é ainda inúmeras vezes impressa. Ou seja, as ciências da educação ignoram os princípios elementares das ciências da administração e dos sistemas de informação e são posteriormente certificadas pelos registos info-excluídos dos avaliadores externos.


Por outro lado, foram esses serviços centrais que projectaram há mais de uma década a imposição de um (híper)agrupamento de escolas por concelho. Parece que estão perto de o conseguir. Sublinhe-se que o modelo que "gere" as escolas foi testado e desaconselhado já no século passado. Apesar de desenhado para uma escola, os serviços centrais impuseram-no (agrupando a eito dez, vinte ou trinta escolas das mais variadas tipologias) ampliando o fenómeno da hiperburocracia. Mas quem ler os relatórios dos avaliadores externos sobre uma amostra dos agrupamentos que existem, convence-se que tudo funciona entre a perfeição e o paraíso e mais se atreve ao aumento da escala de mega para híper; e sem alterar o modelo e com a municipalização como meta.


A sobrevivência implica olhar para os híperes com o desenho de Picasso - "ainda há vida com uma guitarrra" - e pensar como Goethe: "todos os dias devemos ouvir uma canção, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e dizer palavras sensatas". Cumpri os dois últimos e vou atrás dos restantes.


 


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Obtive esta imagem do "Still life with guitar",


de Pablo Picasso,


no Albertina museum em Viena.


 

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

das greves e da pusilanimidade

 


 


 


Não sei o suficiente sobre a saga dos taxistas para ter opinião. Mas registei uma espécie de analogia com a recente greve dos professores às avaliações: a sensação de que o Governo adoptou a mesma táctica: "vamos vencê-los pelo cansaço". Tenho pena que o Governo não consiga fazer melhor e também registo o silêncio cúmplice de todas as forças parlamentares. Nuns casos pelo conhecido oportunismo, noutros por pusilanimidade.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Os professores e as prioridades do país

 


 


 


Os professores (e repito: como ficou claro em Outubro de 2017) não podiam ser os únicos excluídos da recuperação do tempo de serviço. Nunca os ouvi falar da impossibilidade de um faseamento a aplicar a toda a administração central. Declarar que não se recupera tempo de serviço porque é prioritário construir vias rodoviárias inadiáveis é colocar a discussão num nível inaceitável para o algoritmo (e para os princípios, já agora) enunciados pelo actual Governo.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

dos professores e do parlamento

 


 


 


Percebeu-se, pouco depois da mudança de milénio, que o arco governativo consertaria a precarização dos professores. Se o peso dos salários do Estado atinge valores de há 29 anos (11% do PIB - como em 1989 - de acordo "com as séries publicadas pela Comissão Europeia) a degradação da carreira associada às progressões remuneratórias recuará para níveis anteriores (de 160 mil professores em 2006 sobram menos de 100 mil e com uma descida da média salarial em velocidade de cruzeiro). Os professores, por serem muitos e por outras coisas mais, pagaram, como ninguém na administração pública, o desvario bancário (mas por que é que não se divulga a identidade dos grandes devedores?). Suportaram a ferocidade de Sócrates, a ideologia além da troika de Passos e olham perplexos para a confessada obsessão do Governo com o défice. Ou seja, precarizam, é factual, com a totalidade do parlamento.


 


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segunda-feira, 26 de março de 2018

O Governo mudou o algoritmo para 1989

 


 


 


Desde 1989 que o peso dos salários do Estado não atingia valores tão mínimos: 11% do PIB. É um recuo de 29 anos. Ou seja, e de acordo "com as séries publicadas pela Comissão Europeia", é já impossível tergiversar: o Governo mudou o algoritmo. Há declarações do primeiro-ministro no Parlamento (sobre aposentações e assuntos semelhantes), e toda uma argumentação de ministros e de economistas que apoiam o Governo, que carecem de fundamento.