
Os professores ainda não recuperaram todo o tempo de serviço nem beneficiaram duma qualquer mudança nas políticas específicas mais nefastas. Há, apesar do desânimo e da saturação, e muito naturalmente, uma atmosfera de revolta contida. Por exemplo, os professores mantêm uma longa greve ao sobre-trabalho (GST) que não inclui as actividades lectivas mas que coloca ruído na engrenagem que escapa à mediatização. É uma espécie de sinal de vida, depois de erros relevantes da plataforma de sindicatos na última década e meia (e dos sucessivos Governos que, com promessas vãs, excessos ideológicos ou preconceitos classistas, desacreditaram o valor democrático do sindicalismo). E se vão longe os tempos em que os radicalismos remetiam os não grevistas para uma "declaração" de renúncia às possíveis conquistas (até porque na difícil actualidade a generalidade das greves têm correspondido, efectivamente, a rituais vazios de resultados) também se sublinha o respeito pela adesão à GST. Parece pouco e óbvio, mas merece destaque. É que algo de muito preocupante estaria a suceder se não se respeitasse direitos adquiridos e fundamentais que exigiram lutas determinantes. E é oportuno recordar ao Governo o uso injusto de um cilindro sobre um grupo profissional. Aliás, já em 539 a.C, um cilindro, o Cilindro de Ciro, inscreveu uma declaração (um dos mais antigos documentos dos direitos humanos), do rei persa Ciro II, centrada na figura do "rei justo e humano que permitia ao povo viver em paz" e que depôs o rei Nabonido por ser um "ímpio opressor do povo da Babilónia".
Nota: encontrei na internet a imagem do Cilindro de Ciro.
Convém especificar que os professores de PORTUGAL CONTINENTAL não recuperaram nem vão recuperar o tempo de serviço, usando as tradicionais formas de reivindicação. Os camionistas e os enfermeiros já mostraram como se abana o regime, independentemente de todos os ataques ignóbeis que sofreram das várias instituições nacionais (governo, ministério público, etc.)...
ResponderEliminarA revolta contida publicamente pode se desviar para outras formas de greve bem mais graves mas cujos efeitos imediatos são invisíveis, não o sendo a longo prazo...
São hábitos que se adquirem ao longo dos anos com investimentos continuados e consistentes na educação. As oscilações do orçamento da educação em Portugal, depois de termos demorado tanto tempo a reduzir o analfabetismo, e a tendência para a escola transbordante em resultado de uma sociedade que se demite da educação, são alguns dos factores num assunto muito vasto.
ResponderEliminarObrigado Mário. E fica sempre tanto por dizer.
ResponderEliminarPara se aumentarem exponencialmente os hábitos de leitura, nos tempos livres, em Portugal: não são necessários investimentos (monetários) da parte de ninguém; não são necessários esforços acrescidos de: Profs; Escolas, Bibliotecas Municipais, comunidade local e afins.O aumento dos hábitos de leitura requerem tão sómente a alteração do discurso de todos nós. Isto é: alterar o "estafado" slogan de: "ler dá cultura", para "ler da saúde". E é isto mesmo, o nosso problema àcerca dos livros é a conotação à cultura. Ora, a maioria das pessoas têm "medo da cultura", da intelectualidade. Acaso os profs dessa Escola acompanham/desafiam, com regularidade, grupos de alunos em visita à Biblioteca Municipal mais próxima ? Por acaso: profs, alunos, familiares e amigos dos alunos são incetivados a inscreverem-se como leitores da Biblioteca Mun. ? Os Profs já fazem muito pela escola, mas há que tirar "umas horinhas" ao atletismo e gastá-las nas Bibliotecas Mun. À medida que a Escola vá fortalecendo os hábitos de leitura na comunidade (nos tempos livres) , verá a sua vida recompensada: os alunos estarão mais atentos, mais ordeiros e mais interessados. Cumprts fl
ResponderEliminar""Para se aumentarem exponencialmente os hábitos de leitura, nos tempos livres, em Portugal: não são necessários investimentos (monetários)". Percebo. Quando referi investimentos, estava a pensar no PIB da educação e, por exemplo, na erradicação do analfabetismo. E repare que no seu último comentário acentuou a "tendência para a escola transbordante em resultado de uma sociedade que se demite da educação, são alguns dos factores num assunto muito vasto". Quando refere tempos livres, deve omitir professores e escolas e incluir a sociedade e as famílias. Foi assim que as sociedades que lêem mais o conseguiram fazer e ao longo de muitas gerações alfabetizadas.
ResponderEliminarSe são tempos livres, são livres: também da escola e dos professores. E por que é que não escolhem ir à biblioteca e ler? E por que é que não têm tempo para brincar? Às tantas, as crianças e jovens passam tempo a mais em instituições onde não se incluem as bibliotecas municipais.
ResponderEliminarNão está em causa o trabalho dos Professores, antes pelo contrário pensamos que algo tem de ser feito para que cenas de falta de respeito de alunos para com Profs terminem de um vez por todas. O que pensamos é que tem que haver aqui uma mudança de discurso da parte da Escola e Profs. em relação a alunos, familiares destes e comunidade escolar. E essa mudança, a nosso ver, passaria pelos livros, criação de hábitos de leitura e criação de leitores. fl
ResponderEliminarEra o que mais faltava que nesse assunto estivesse "em causa o trabalho dos Professores". Repito:
ResponderEliminar"Quando refere tempos livres, deve omitir professores e escolas e incluir a sociedade e as famílias. Foi assim que as sociedades que lêem mais o conseguiram fazer e ao longo de muitas gerações alfabetizadas."
Para mim, não está em causa o trabalho dos professores, dos médicos, dos pescadores, dos jornalistas, dos escritores, etc-.Todos os profissionais me merecem o máximo respeito.
ResponderEliminarOs médicos de familia, como é do conhecimento público, recomendam pequenas caminhadas a toda a gente. Sendo que essas caminhadas são feitas nas horas livres , de cada um, como é óbvio. E se os médicos recomendassem leitura a todos nós, não estariam a contribuir para o aumento dos hábitos de leitura ? Por isso eu penso que os Professores/Escolas talvez pudessem fazer como os médicos, adoptando e adaptando aqueles conceitos ao contexto escolar. Por um Portugal melhor.
fl
Percebo e concordo: "Todos os profissionais me merecem o máximo respeito"; e todos devem aconselhar os melhores hábitos.
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