sexta-feira, 16 de abril de 2021

para lá do humano

 


 


1ª edição em 02 de Fevereitro de 2014. "Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático", é uma evidência que devia ser óbvia nas sociedades modernas que se dizem avançadas. Quando um político afirma que com a primazia da avaliação do desempenho o "Governo está a levar o "medo" às empresas", fica a ideia de que a maioria das pessoas sorrirá com a "manifestação de fraqueza" e os comentadores mainstream lá se encarregarão de colocar a "impossibilidade quantitativa" como uma inevitabilidade competitiva da pós-modernidade.


 


A avaliação quantitativa escolar é uma exigência educativa que intervém na formação da personalidade; o aluno é o outro e tem, naturalmente, uma reduzida possibilidade de contestação. O faz-de-conta reduz-se e é quase inexistente. Entre adultos, entre iguais, o faz-de-conta é galopante e a sua absolutização é uma condição de sobrevivência para os intervenientes. Mas isso não impede que o "medo" se instale e que se criem, paulatinamente, condições para um totalitarismo; por explosão ou implosão.


 


 


 


 

12 comentários:

  1. Não posso concordar mais. Finalmente alguém toma uma posição corajosa que devia ser notícia de primeira página nos Jornais de papel.
    Para onde caminham estas sociedades? Vim aqui parar numa pesquisa sobre a France Telecom, um drama que que não se pode esquecer. A avaliação de desempenho foi levada às últimas consequências.

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  2. É assim o capitalismo... elimina os mais fracos... deita-os fora...

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  3. Pedro Trindade, Lisboa3 de fevereiro de 2014 às 00:24

    A partir do momento em que o capitalismo estimula o individualismo e entroniza o indivíduo como responsável pelo seus sucessos e fracassos trabalhando unicamente para a satisfação do seu interesse, a sociedade (ou colectividade) deixa de existir como entidade e passa a ser apenas um somatório de indivíduos.
    Assim a sociedade, colectividade ou empresa não pode ser responsabilizada sendo cada "anomalia" tratada como disfunção psicológica, perfil frágil ou "erro humano"!Jérôme Kerviel, o trader que provocou um buraco de milhares de milhões de euros na Societé Générale tornou-se um caso psiquiátrico em vez dum exemplo da falha catastrófica na supervisão por parte da sua empresa! Assim as empresas se eximem das suas responsabilidades...

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  4. Totalmente de acordo.
    Muito bom!

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  5. São, se me permite, preocupações legítimas.

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  6. Comentário sem relação com o post .3 de fevereiro de 2014 às 17:39

    Soube hoje que os reformados da CP deixaram de ter direito a viagens grátis. E pelos vistos já é assim há um ano.
    A MESQUINHEZ deste governo não tem paralelo. Parece que se sentiam incomodados com qualquer pequeno prazer que um pobre reformado da CP pudesse ter. Como se, com esta medida, os reformados da CP passando a pagar fossem motivo de lucro para a companhia. Que gente IGNÓBIL!
    Sei que o insulto não é argumento mas perante isto qualquer argumento, que não o insulto, seria estúpido.

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