Foi em 2003 que os concursos de professores iniciaram o movimento descendente. O rol de injustiças (inúmeras já irreparáveis) foi crescendo e lançou os procedimentos num labirinto. Entre tanta justificação mainstream, a avaliação do mérito dos professores destacou-se.
O sistema integrado de avaliação do desempenho da administração pública nasceu para resolver de vez, diziam os mentores, esse tipo de "lacuna". O SIADAP adaptado ao ensino (2006) reuniu uma linguagem sedutora e bem-pensante, como as que deram origem aos totalitarismos. A bem dizer, a "meritocracia industrial" é brutalmente injusta.
O SIADAP hibernou até 2017. Sobreviveu em regime de faz de conta. O renascimento degradou inexoravelmente o clima das escolas. Para que o desnorte premonitório inscrevesse mais um episódio paradoxal marcante, em "Outubro de 2012" o Governo eliminou, como corte financeiro, as distinções por "mérito" e os sindicatos exigiram a continuação.
É um processo com muita história. Exige atenção, agora que se assiste ao regresso da ideia que secundarizou a graduação profissional nos concursos e desceu ainda mais a condição dos professores contratados: a bolsa de contratação de escola.
Aliás, em Portugal há, e há muito, meios e conhecimento para que os concursos de professores por lista graduada sejam um não-assunto. A tortuosidade administrativa do ME, o clima de desconfiança e a incompetência de decisores é que criaram a situação vigente que agrava o estado geral de falta de professores nas democracias. Acima de tudo, é com tristeza que se assiste à busca de uma fórmula que consiga o milagre da multiplicação dos professores.
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