Quando regressei à cidade, hoje Maputo, onde nasci e cresci e pouco tempo depois da partida "definitiva", senti uma descida emocional; uma desilusão que inesquecivelmente se esbateu uns três dias depois. E a permanência por trinta dias provocou uma "dor de saudade", talvez por se tornar aguda a consciência da perda, ainda mais intensa do que no primeiro abandono. Ao ler "O essencial sobre Marcel Proust" (apenas digital do autor de uma das obras da minha vida), de Mega Ferreira, percebe-se, escrito como ninguém e com uma inigualável sensibilidade como era o caso de Marcel Proust, que isso não só acontece nos regressos como muitas vezes se repete nas deambulações pelos espaços há muito imaginados. A propósito, José Saramago tem um passagem muito boa na apresentação do seu "Viagem a Portugal": "Viaje segundo um seu projecto, dê mínimos ouvidos à facilidade dos itinerários cómodos e de rasto pisado, aceite enganar-se na estrada e voltar atrás, ou pelo contrário, persevere até inventar saídas desacostumadas para o mundo".


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