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terça-feira, 10 de abril de 2018

Da verdade "em vias de extinção"

 


 


 


Contributo de Mário Silva.



"Com o advento e crescimento das redes sociais cibernéticas, a informação credível está em vias de extinção, pondo em perigo regimes políticos democráticos(?!) e promovendo outra vez regimes políticos autoritários, elitistas e tirânicos.


Veja-se que Hillary Clinton era a candidata dos media nacionais norte-americanos e, mesmo assim, perdeu a eleição. Talvez a explicação esteja, em parte, aqui: nos últimos três meses da campanha presidencial norte-americana de 2016, as 20 notícias falsas mais vistas no Facebook geraram mais partilhas e comentários do que as “20 mais” dos media mainstream norte-americanos. Dados idênticos existem, por exemplo, sobre o impeachment de Dilma no Brasil.


(...) Para além disso, estamos na era do “clickbait”: isto significa, para muitos operadores neste mercado, que se uma notícia não é partilhada, não é notícia. Alguns vão mesmo mais longe e confessam: “Não é importante se uma história é real, a única coisa que realmente importa é se as pessoas clicam nela” (Neetzan Zimmerman, ex-Gawker). Mas também estamos na era do microtargeting e da propaganda computacional. Obama, aliás, ganhou as eleições, já em 2008, com uma estratégia desse tipo, coordenada por Ken Strasma, seu targeting director.


(...) E surge a Cambridge Analytica. A verdade é que há muito que se dizia que esta empresa detinha uma base de dados com mais de cinco mil “data points” psicográficos e sociográficos de cada um de cerca de 220 milhões de americanos. A Cambridge não só ajudou a eleger Donald Trump como também terá tido um papel activo na vitória do “Brexit”, na campanha de Ted Cruz, etc. O que eles dizem que fazem é “engenharia social”, aliciam os eleitores para “correntes emocionais”, para falsas notícias e “dark posts” (também conhecidos por “unpublished page posts”, segmentados para perfis de utilizadores e ocultos para outros), manipulando a opinião, prevendo e mudando o comportamento do eleitor, influenciando-o através de agendas políticas específicas ou tão-somente de “junk news” e de “troll factories”. Daí que se diga que as eleições hoje dependem cada vez mais da propaganda computacional e dos automatismos criados em torno da mudança de comportamento político.


Francisco Rui Cádima,


Instituto de Comunicação da NOVA FCSH