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domingo, 24 de fevereiro de 2013

das empresas e das pirâmides

 


 


 


 


 



 


Imagem sem referência a direitos de autor.


 


 


 


Quando alguém quer dar mais crédito ao discurso sobre cultura organizacional invoca o substantivo empresa. Este empreendimento de difícil execução com fins lucrativos ocupa o lugar cimeiro na imagem de mercado deste tipo de saberes. Todos os modelos organizacionais devem, se querem ter poder legislativo, adaptar-se à pirâmide empresarial.


 


Os organigramas piramidais apenas oscilam no número de patamares. Os modelos tayloristas (com muitos e rígidos patamares) suavizaram-se com as ideias de empowerment (negociação de decisões) e downsizing (achatamento do modelo). E porquê? Porque o topo percebeu que estava longe da primeira linha e que perdia o controlo imediato (a tão famigerada informação de retorno imediato (feedback)) da frente de produção com prejuízo significativo para a empresa.


 


Podemos afirmar que é a imposição empresarial piramidal que acentua a crise que parece acompanhar as organizações escolares. E porquê? Porque a primeira linha das escolas é uma sala de aula que só existirá enquanto garantir a liberdade de ensinar e de aprender e, como se comprova, de dificílimo feedback. Se perder o axioma poderá existir, mas não será uma sala de aula de dimensões humanas.


 


Nesse sentido, devemos considerar que o organigrama das escolas deve ser de geometria variável, construído com fundamentos teóricos e empíricos e não fotocopiáveis. Na escola, tudo começa e acaba na sala de aula e o que gira em torno da sua existência só tem um sentido: melhorar as condições de realização de cada uma delas.


 


Aos ultraliberais que impõem às escolas os pirâmides empresariais, não chega socorrerem-se de Adam Smith e da sua divisão do trabalho. O pai da economia política referia-se a fábricas de alfinetes e não a organizações produtoras de conhecimento sem fins lucrativos imediatos.


 


 


 


 



 


 


Adam Smith (2010:80) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.


 

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

voto secreto

 


 


O sufrágio directo e universal, vulgarmente designado por voto secreto, é fundamental para o exercício democrático e para o progresso das sociedades e das organizações. Mobiliza e responsabiliza.


 


Mas não basta instituir o voto secreto. É necessário ponderar bem a composição dos cadernos eleitorais. Seria fraca a legitimidade democrática do nosso presidente da República se fosse eleito pelos membros nomeados pelos partidos políticos para o Conselho de Estado ou pelo plenário da Assembleia da República. Seria um presidente corta-fitas, como outrora se designou.


 


Também não é suficiente instituir o voto. É fundamental que seja secreto e não de braço no ar, por exemplo.


 


Muitas vezes, e principalmente nas organizações, não se compreendem os baixos níveis de capacidade mobilizadora e de autoridade de quem ocupa cargos de direcção ou coordenação. A primeiras interrogações que se devem colocar, são simples: foi eleito por voto secreto e com que caderno eleitoral? No caso de uma resposta negativa à primeira questão, deve ser colocada outra interrogação imediatamente: por que é que têm medo da democracia?


 


Há fenómenos humanos, como o medo, por exemplo, que só se espantam assim. Não há pior constrangimento à evolução de uma sociedade ou organização do que a manutenção de uma cultura de medo (mesmo que não passe das intenções). Tem sempre um triste e penoso final.