Do modo como a luta dos professores está a decorrer, exige-se que ninguém queira ser avaliado por aquela coisa que o ministério da Educação inventou em tempos e que se tem metamorfoseado ao ritmo da música do percentil de imaginários eleitores. Só isso: não querer ser avaliado no presente ano lectivo.
Se todos agirem desse modo, em que até nem é necessário assinar qualquer papel, a única "penalização" situa-se no não acesso a um direito que existiu em tempos: a progressão na carreira.
Até nem é muito difícil decidir nesse sentido, já que se trata de abdicar de um direito perdido no tempo.
E lembrei-me do seguinte:
"(...) Suponhamos agora que começo a pensar eticamente, a ponto de reconhecer que os meus interesses, pelo simples facto de serem os meus, já não podem contar mais que os interesses alheios. Em lugar dos meus interesses, tenho agora de tomar em consideração os interesses de todas as pessoas que serão afectadas pela minha decisão. Isso exige que eu pondere todos esses interesses e adopte a acção que tenha maior probabilidade de maximizar os interesses do afectados (...)."
Peter Singer; Ética Prática; Gradiva 2000;
Tradução de Álvaro Augusto Fernandes;
pág. 29
É muito interessante, Paulo, que tenha aqui colocado uma citação do Peter Singer. É que nos últimos dias, por diversas vezes, tenho recordado o "dilema do prisioneiro" que é explicado pelo mesmo autor no livro "Como havemos de viver?". Em breves palavras, demonstra-se que, em situações dilemáticas, fazer opções tendo em conta apenas o interesse próprio pode resultar em prejuízo. Ora, na actual situação de luta dos professores, parece-me que as ilações não poderiam ser mais óbvias: quanto maior for o número de pessoas a pensar em si mesmas, maior será a probabilidade de todos ficarem a perder...
ResponderEliminarIsso, isso, dilemas.
ResponderEliminarVamos a isso.
Abraço e força aí.