segunda-feira, 18 de maio de 2009

e cada vez vai ser pior, a não ser que...

 


 


 


Crianças trabalham tanto como adultos


 


"Uma criança pequena trabalha diariamente na escola tantas horas como um adulto e ainda leva trabalho para casa, um excesso que preocupa especialistas e deixa angustiados muitos encarregados de educação, que pedem que em casa os deixem ser apenas pais.

Quando fez a sua tese de mestrado, a investigadora Maria José Araújo, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) da Universidade do Porto, concluiu que uma criança pequena em idade escolar trabalha em média nove horas por dia, "o exacto equivalente ao trabalho profissional de vida de um adulto"(...)"


 


 


O efeito "escola armazém" associado à sociedade ausente (leia-se família sem tempo para as crianças) começa a fazer as suas vítimas. E os encarregados de educação mais conscientes começam a ficar atónitos com a vida tão ocupada dos seus petizes.

8 comentários:

  1. E verdade... acho q precisamos de reinventar a escola...

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  2. A recriação da escola é inerente e pode considerar-se mesmo o seu metabolismo. No caso português, constata-se o óbvio: precisamos de mais sociedade - de uma sociedade presente - para crescermos em termos educativos.
    A sociedade ausente é, como se sabe, o nosso fatalismo.

    Abraço e obrigado Joana.

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  3. Os trabalhos em casa ou para casa são úteis para consolidar conhecimentos ou envolver os pais, mesmo que estes não saibam ou não possam ajudar os filhos.
    É muito mais importante para uma criança saber que tem um adulto que se interessa pelo que faz, do que ter o mesmo adulto a proporcionar-lhe respostas directas ou todos os meios e nenhuma atenção.
    Não conheço nenhum professor (pelo menos dos meus filhos) que considere os TPC obrigatórios ou que os penalize por não os fazer.
    Quanto ao tempo que passam na escola, é preciso distinguir entre o tempo lectivo real e o resto - este "resto" é que é preciso analisar bem, porque são ATL's, actividades extra-curriculares...
    E ainda sobre tempo, quando andei na escola o tempo de aulas não era menos do que agora, os meus pais têm a escolaridade minima e pouco me podiam ajudar, mas interessavam-se. E, tal como eu, os meus filhos têm tempo para tudo - apenas sabem que nada vem sem esforço.

    "Penso eu de que", como dizia o outro :))

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  4. De acordo com tudo.

    A maioria dos professores têm esse bom senso; também sabemos isso.

    O problema é outro, parece-me.

    Uma escola-armazém (crianças 8 a 10 horas por dia na mesma sala) mais trabalhos de casa e mas famílias com horários de trabalho cada vez mais pesados em termos de horas e mais as dificuldades de mobilidade urbana, pode ser uma coisa explosiva; e muito mais o será quando a sociedade fica ausente e preparada para cobrar apenas às escolas os futuros insucessos.

    Claro que nada se faz sem esforço. Mas tb tem de existir uma justa medida para uma educação equilibrada e com tempo para tudo.

    Este conceito actual de escola a tempo inteiro está a ser desastroso. Foi tudo apressado e fez-se terraplanagem do que existia e não se mobilizou a sociedade toda: desde os horários de trabalho à organização das empresas passando pelos "espaços" para as crianças (desde a hora que se deitam em Portugal até ao que comem e por aí adiante).

    Há muito a fazer, mas uma escola isolada pouco conseguirá. Perder-se-á a ideia de escola pública de qualidade para todos. As escolas públicas serão "armazéns" para os filhos dos pobres e os filhos dos ricos não porão lá os pés.

    Parece-me, claro.

    Obrigado.

    Abraço.

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  5. "Uma criança pequena trabalha diariamente na escola tantas horas como um adulto e ainda leva trabalho para casa, um excesso que preocupa especialistas e deixa angustiados muitos encarregados de educação"
    Mas ela sabe o que os miúdos fazem na escola?
    Eles gastam muito do seu tempo A BRINCAR NA ESCOLA!
    Muitos professores, criativos, brincam com eles nas aulas!
    Todos os intervalos, pequenos ou grandes, antes e depois de almoço, são gastos a jogar à bola.
    Em casa, não têm os amigos...
    Ela ainda não viu que os professores estão a ser pagos para ENTRETER OS ALUNOS.
    Comparar a estadia de um aluno na escola actual com o trabalho de um adulto É UM SACRILÉGIO.
    Filha de Rousseau, cala-te, não sabes do que falas!

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  6. Boa! É isso mesmo!
    Um pai inteligente deve-se preocupar com o desempenho escolar dos seus filhos. Se não derem TPC ao seu filho, ele os arranjará, para garantir que ele aprenda bem uma língua estrangeira, matemática, leitura, escrita e ciências.
    Numa altura, em que Portugal se encontra angustiado com o baixo nível das aprendizagens escolares, vem esta verdadeira outsider com a treta rousseauniana da oposição entre trabalho e brincadeira.
    É preciso garantir que as crianças tenham tempo para brincar. A maior parte delas garantirá isso, independentemente das obrigações que lhes imponham!

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  7. Não estou em condições de comentar a tese, mas, ainda assim, avanço a minha ideia geral sobre o assunto:
    - a oposição trabalho escolar / brincadeira não é cientificamente operativa, nem sequer chega a ser um conceito.
    - se um miúdo adorar matemática e gostar de fazer mais e mais exercícios, isso para ele, poderá preencher necessidades lúdicas.
    - "fazer de conta" é uma actividade infantil que se exercita nas aulas de expressão dramática.
    - em educação física, eles fazem jogos em que investem o mesmo tipo de competências e experiências emocionais da brincadeira.
    - na escola, as crianças brincam com o trabalho escolar, mesmo quando os professores requerem uma atitude mais séria.
    - são demasiados os alunos que não estudam, não fazem os trabalhos de casa, para estarmos preocupados com o excesso de TPCs.
    - o excesso no horário dos alunos prende-se com ATLs, desporto, actividades extra-escolares que são típicas dos miúdos da classe média.
    - os outros brincam à porta da escola e à porta de casa enquanto esperam pelos pais. Este é o drama e não a falta de brincadeira!
    - a escola é o lugar onde a criança estabelece relações sociais mais consistentes. Nas festas de aniversário, estão os amigos da rua que são os mesmos da escola e, frequentemente, da turma.

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  8. Tirem os TPC desta trapalhada. Precisamos de mais escola a sério e mais brincadeira a brincar. Certo!
    O que acontece actualmente é que para muitas crianças só há uma destas coisas.
    Por isso, concordo que a escola a tempo inteiro é uma doença.
    Há outros problemas mais sérios, como o facto da relação com a família estar a ser mediatizada pela Televisão, pela novela.
    Se me falarem em crianças que não aprendem a andar de bicicleta ou a nadar, ou que estão sozinhas e não têm amigos, isso sim é uma coisa séria!

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