sábado, 27 de junho de 2009

preconceitos

 






Quem nunca teve preconceitos? Quando me apercebi em plena adolescência que tinha crescido numa sociedade que discriminava as pessoas pela cor da pele, tive um choque. É que a discriminação vivia silenciosa, é certo, mas habitava-me.



Quem nunca foi vítima de preconceitos? Já fui alvo de alguns. Tenho ideia disso. Lembro-me de no início da minha fase de adulto, e em que tive de vir estudar para Portugal, ter sido alvo de uma discriminação: ser "retornado". Tinha-me tornado numa espécie de refugiado político por ser discriminado na minha terra: Moçambique. Por motivos que, e escrevo-o com toda a sinceridade, nunca me preocuparam, passei a ser discriminado na terra de quase toda a minha família: Portugal.



Ora leia, meu caro leitor, o texto que se segue:



"Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada.



Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.



Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.



Se fosse possível perguntar a algum deles por que batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: " Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui... "

 



Autor desconhecido.







"É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO


DO QUE UM PRECONCEITO"

Albert Einstein








Lembra-se dos dois exemplos que apresentei?

Pois é; contrariam a tese dos cientistas uma vez que os "substitutos" libertaram-se dos preconceitos que referi. Todavia, isto também pode servir para reforçar a importante afirmação: "só o que é refutável é que é verdadeiro".

 

 

10 comentários:

  1. No Entanto tudo isto no ser Humano deveria ser diferente pois nós somos tidos, formidável por nós próprios de seres racionais , formidável não é? Quando alguém diz que é melhor do que todos os outros , toda a gente o repreende por se achar superior , no entanto toda a humanidade se autodenomina como superior a todas as outras formas de vida. curioso não? mas voltando "a vaca fria" com tudo isto se observa que nós seres humanos afinal não somos assim tão mais inteligentes que os animais.
    Todos Seguimos o nosso Extinto , e fazemos as coisas porque as vemos fazer.
    E o pior de tudo é que qualquer um de nós já teve e às vezes ainda tem comportamentos preconceituosos , às vezes até sem dar por isso, mas o preconceito é como a sombra , umas vezes é mais pequeno outras é maior mas está sempre lá.

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  2. Paulo G. T. Prudêncio6 de julho de 2007 às 00:10

    Olá Nuno. Obrigado por comentares. Pelo que escreveste, deu para perceber que gostaste do texto. Gostei do teu comentário. Abraço.

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  3. os textos são sempre bons , mas este foi particularmente curioso.

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  4. E O ELITISMO NO PRECONCEITO?
    e o cruzamento desses dois fsctores no que resulta?
    eu vivi em angola e no brasil alem de portugal, e sempre me apercebi que o preconceito nas classes mais desfavorecidas, é muito esbatido enquanto nas mais abastadas é mais evidente. o brasil, país que se orgulha da sua sociedade multiracial, é-o apenas na base no povo que realmente é o que me interessa, ja la vivi e tenho amigos indios brancos pretos etc. a minha ex mulher é brasileira do acre meio india e o meu filho é lindo!mas nas altas esferas da politica brasileira, da alta finança ou hierarquias religiosas, quem acaba sempre por tomar os assentos do poder?... prefiro não responder.....

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  5. É, realmente, um tema que pode proporcionar um interessante debate... Um debate sem fim: apaixonante e eterno. Abraço.

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  6. A história dos macacos é extraordinária. Se corresponde, de facto, a uma experiência científica, prova muitas coisas. Por exemplo, demonstra que os macacos têm cultura e que a transmitem.
    Aqueles macacos, pelo menos, sabem que um cacho de bananas não vale a pancadaria dos outros. Talvez soubessem que o tratador lhes haveria de trazer de comer ainda que as bananas não constassem do menu. Se não, talvez optassem por outras estratégias que os fizessem chegar às bananas, ainda que os companheiros ficassem todos molhados.
    Pensem, por exemplo, nas proibições alimentares. Sei que, em Moçambique, os descendentes da família ou clã do grande rei Ngoni , Gungunhana , não podem comer peixe. Talvez algum comedor de peixe do passado tenha levado porrada ou lhe tenha acontecido algo mau.
    Preconceito é um conceito anterior, herdado. Tanto pode corresponder a uma verdade como a uma falsidade. A tradição é feita de preconceitos (Vejam Gadamer , Vérité et Methode , a tradução de que disponho). No âmbito das ciências humanas, o conhecimento produz-se pela crítica dos preconceitos, quaisquer que eles sejam.
    O relato da experiência é também uma boa parábola do que acontece nas sociedades humanas. Se os macacos falassem, teríamos uma fábula. Um mais esperto provaria que consegue chegar às bananas sem molhar ninguém. Seria o macaco alfa, envolto em santidade, o privilegiado. O único que pode transgredir o tabu sem lançar uma maldição sobre a comunidade. Se quiserem leiam sobre as proibições e sobre os que as podem transgredir em várias sociedades. O que é interdito para uns torna-se sinal de divindade para outros.
    Um dia, aparecia o revolucionário e diria: "É falso que ir às bananas prejudique a sociedade". Os macacos reúnem-se, fazem numa fila que vai do beta ao ómega e vão, um a um, às bananas, desafiando o impotente macaco alfa. O espertalhão tornava-se no grande irmão, numa nova sociedade em que todos podem ir às bananas.
    Numa história assim, os macacos seriam seres fabulosos, isto é, seres humanos. Esta fábula mostraria que há preconceitos que servem o interesse dos que têm o poder.

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  7. O preconceito mais interiorizado é o da discriminação derivada da origem social. Mas há alguma diferença na intensidade desta discriminação no mundo: quanto mais a sul maior a discriminação. Em Portugal é uma "instituição" que não tem discussão. Um bloquista mais depressa socializará com um fascista bem nascido ( até poderão ser amigos ) que com um camponês ou operário de esquerda.

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  8. um comentário com muito pano para mangas, realmente.

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