Manuel Alegre em artigo no Público
"Contra o medo, liberdade"
"Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra ele lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á. Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.(...)"
Continua aqui.
ResponderEliminarLUTAR CONTRA O MEDO. URGENTE, nas escolas.
Boa noite. Desconheço o que o fez escolher este texto de Manuel Alegre. Gostava que nada disso estivesse presente em Portugal. Mas desconfio que o pior vem sempre à superfície.
ResponderEliminarDeixo uma frase que aprecio: " porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura" -Alberto Caeiro
No céu cinzento
ResponderEliminarSob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada
Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas
São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada
Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
Para mim um dos melhores textos de Manuel Alegre.
ResponderEliminarA ler por todos e reler.
É de 2007, mas cada vez está mais actual! Talvez porque a democracia vai desaparecendo.
Devemos muito a Manuel Alegre, devemos-lhe demasiado para não ficarmos desiludidos com algumas patetices. É que este é o mesmo Manuel Alegre que defendeu José Eduardo dos Santos, tendo usado o argumento de que o próprio D. Afonso Henriques não era propriamente um democrata. É feio para quem tem palavras tão bonitas sobre a liberdade. Desculpem destoar.
ResponderEliminarViva Fernando.
ResponderEliminarObrigado por passares por aqui. Andei à procura de um texto sobre liberdade de expressão e o melhor que encontrei foi este. Realmente, essa comparação é uma coisa com muito pouco sentido. Que raio de coisa.
ResponderEliminar"O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas."
José Saramago
ResponderEliminarFernando Pessoa
Liberdade
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer !
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não !
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...