quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

liberdade de expressão

 


 


 



Foi daqui.


 


 


 


 



Manuel Alegre em artigo no Público

"Contra o medo, liberdade"




 





"Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra ele lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á. Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.(...)"


 


 


 


Continua aqui.


 

8 comentários:


  1. LUTAR CONTRA O MEDO. URGENTE, nas escolas.

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  2. Amélia Pais, encarregada de educação9 de dezembro de 2009 às 21:51

    Boa noite. Desconheço o que o fez escolher este texto de Manuel Alegre. Gostava que nada disso estivesse presente em Portugal. Mas desconfio que o pior vem sempre à superfície.

    Deixo uma frase que aprecio: " porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura" -Alberto Caeiro

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  3. No céu cinzento
    Sob o astro mudo
    Batendo as asas
    Pela noite calada
    Vem em bandos
    Com pés veludo
    Chupar o sangue
    Fresco da manada
    Se alguém se engana
    Com seu ar sisudo
    E lhes franqueia
    As portas à chegada

    Eles comem tudo
    Eles comem tudo
    Eles comem tudo
    E não deixam nada

    A toda a parte
    Chegam os vampiros
    Poisam nos prédios
    Poisam nas calçadas
    Trazem no ventre
    Despojos antigos
    Mas nada os prende
    Às vidas acabadas

    São os mordomos
    Do universo todo
    Senhores à força
    Mandadores sem lei
    Enchem as tulhas
    Bebem vinho novo
    Dançam a ronda
    No pinhal do rei

    Eles comem tudo
    Eles comem tudo
    Eles comem tudo
    E não deixam nada

    No chão do medo
    Tombam os vencidos
    Ouvem-se os gritos
    Na noite abafada
    Jazem nos fossos
    Vítimas dum credo
    E não se esgota
    O sangue da manada

    Se alguém se engana
    Com seu ar sisudo
    E lhes franqueia
    As portas à chegada

    Eles comem tudo
    Eles comem tudo
    Eles comem tudo
    E não deixam nada

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  4. Para mim um dos melhores textos de Manuel Alegre.
    A ler por todos e reler.
    É de 2007, mas cada vez está mais actual! Talvez porque a democracia vai desaparecendo.

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  5. Devemos muito a Manuel Alegre, devemos-lhe demasiado para não ficarmos desiludidos com algumas patetices. É que este é o mesmo Manuel Alegre que defendeu José Eduardo dos Santos, tendo usado o argumento de que o próprio D. Afonso Henriques não era propriamente um democrata. É feio para quem tem palavras tão bonitas sobre a liberdade. Desculpem destoar.

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  6. Viva Fernando.

    Obrigado por passares por aqui. Andei à procura de um texto sobre liberdade de expressão e o melhor que encontrei foi este. Realmente, essa comparação é uma coisa com muito pouco sentido. Que raio de coisa.

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  7. "O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas."
    José Saramago

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  8. Fernando Pessoa
    Liberdade


    Ai que prazer
    Não cumprir um dever,
    Ter um livro para ler
    E não fazer !
    Ler é maçada,
    Estudar é nada.
    Sol doira
    Sem literatura
    O rio corre, bem ou mal,
    Sem edição original.
    E a brisa, essa,
    De tão naturalmente matinal,
    Como o tempo não tem pressa...
    Livros são papéis pintados com tinta.
    Estudar é uma coisa em que está indistinta
    A distinção entre nada e coisa nenhuma.

    Quanto é melhor, quanto há bruma,
    Esperar por D.Sebastião,
    Quer venha ou não !

    Grande é a poesia, a bondade e as danças...
    Mas o melhor do mundo são as crianças,
    Flores, música, o luar, e o sol, que peca
    Só quando, em vez de criar, seca.

    Mais que isto
    É Jesus Cristo,
    Que não sabia nada de finanças
    Nem consta que tivesse biblioteca...

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