sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

poema do menino jesus

 


 


Cortesia de José Luis A. Silva.


 


 


2 comentários:

  1. Paulo, Maria do Céu e Filipa
    Como eu, a Leonor e Filó não temos palavras sábias para dizer toda a alegria de vos ter como amigos e de podermos celebrar a vida desperta que há em nós, aqui e agora, oferecemo-vos este "poema perfeito" do grande Jorge de Sena. Feliz Natal para vocês!

    Uma pequenina luz


    Uma pequenina luz bruxuleante
    não na distância brilhando no extremo da estrada
    aqui no meio de nós e a multidão em volta
    une toute petite lumière
    just a little light
    una picolla... em todas as línguas do mundo
    uma pequena luz bruxuleante
    brilhando incerta mas brilhando
    aqui no meio de nós
    entre o bafo quente da multidão
    a ventania dos cerros e a brisa dos mares
    e o sopro azedo dos que a não vêem
    só a adivinham e raivosamente assopram.
    Uma pequena luz
    que vacila exacta
    que bruxuleia firme
    que não ilumina apenas brilha.
    Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
    Muda como a exactidão como a firmeza
    como a justiça.
    Brilhando indeflectível.
    Silenciosa não crepita
    não consome não custa dinheiro.
    Não é ela que custa dinheiro.
    Não aquece também os que de frio se juntam.
    Não ilumina também os rostos que se curvam.
    Apenas brilha bruxuleia ondeia
    indefectível próxima dourada.
    Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
    Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
    Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
    Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
    Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
    brilha.
    Uma pequenina luz bruxuleante e muda
    como a exactidão como a firmeza
    como a justiça.
    Apenas como elas.
    Mas brilha.
    Não na distância. Aqui
    no meio de nós.
    Brilha



    Jorge de Sena, Fidelidade (1958)

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