Liguei-me à rede há pouco. Viajava de carro e sintonizei a antena dois da RDP. Morreu Saramago.
No princípio não lhe conhecia a voz. Depois, quando o lia, ouvia-o. Escrevia tão bem como falava. Quase que não se distinguia nos registos. Suspeito que quem escreve muito e bem tem muito trabalho; devia ser por isso.
Foi quase amor à primeira vista. Sempre em crescendo até ao indizível memorial de convento. Até aí, nada escapou; uma espécie de subida ao cume. Depois disso falhei algumas vezes. Algum receio de desencanto. Nunca reli o memorial. Assim de repente, reler gente do mesmo nível tem valido. O recherche de Proust e o Ulisses de Joyce aumentaram o encanto.
Saramago tocava no português rectangular e dava-lhe dimensão global; e emoção; e dignidade; e humanidade. Afinal, a verdadeira razão da língua de Camões.
ResponderEliminarInteressante Paulo. Como era e é Saramago.
Interessante. Amor à primeira vista é bom. Senti o mesmo e por isso acompanhei a sua obra.
ResponderEliminarInteressante. Comovente.
ResponderEliminarSempre bem. Paz a Saramago.
ResponderEliminarTão bonito
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ResponderEliminar"Só se nos detivermos a pensar nas pequenas coisas chegaremos a compreender as grandes..."
José de Sousa Saramago
Bonitas palavras.
ResponderEliminarEu, de tão emocionada com a notícia, fiquei sem palavras, quase só deixei a foto no meu cantinho. (Mas não tinha vindo aqui, coincidência de foto por acaso)
Obrigado, extensivo aos restantes comentadores
ResponderEliminarJosé Saramago não era menos português por não pôr a bandeira à janela na véspera de um evento desportivo. Acima de tudo, a sua essência era ibérica. Convém dizer que só saiu de Portugal devido à ostracização de Sousa Lara, comprovada agora com o episódio político revisionista da não presença de Cavaco Silva no seu funeral. "Viagem a Portugal" é reflexo de amor e do encantamento que sentia pelo país, pela sua beleza e cultura, pela classe trabalhadora, espelhada na sua identidade, mesmo que isso significasse ir contra a ideologia do seu partido, contra a maioria religiosa, contra o politicamente correcto. Para o seu espírito inconformado, a morte é pouco relevante. Como diria Saramago, "o fim duma viagem é apenas o começo de outra".
ResponderEliminarVisão optimista e bonito depoimento.
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