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Um bom 2026 a quem passar por aqui.
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51 anos depois do 25 de Abril, o Correntes faz 21 anos de existência. Como olhei para os blogues como actos de cidadania, de liberdade de opinião e de responsabilidade social, fiz coincidir o início do Correntes com uma comemoração do dia "inicial, inteiro e limpo".
A Revolução dos Cravos, com os seus ideais de utopia, de generosidade, de desapego pelo poder e de defesa corajosa e intransigente da democracia, integrará a história universal como o mote inquestionável do desenvolvimento do país. E se há muito por fazer na consolidação das políticas inclusivas, é também imperativo repetir e elevar os ideais de Abril.
Aliás, em "Porque falham as nações", de Acemoglu e Robinson, conclui-se nesse sentido: na história universal dos últimos três milénios, as nações não falharam por causa da geografia, da religião, da cultura ou das riquezas de subsolo, mas pela incapacidade em transformar políticas, instituições e empresas extractivas (que acumulam a riqueza em oligarquias) em inclusivas (que distribuem a riqueza e diminuem as desigualdades). Mas só a consolidação do modelo inclusivo durante décadas é que se reflecte positivamente no crescimento económico e no desenvolvimento das empresas, da cultura e da escolarização - e, naturalmente, na redução das desigualdades.
E voltando aos 21 anos do Correntes, os blogues tornaram-se uns clássicos da informação digital. Embora continue com um registo diário, os textos mais trabalhados sobre educação têm uma publicação mais espaçada e primeiro no jornal Público. De facto, vinte e um anos sempre são sete mil seiscentos e setenta e um dias.
Em suma, continuo a gostar muito de ter um blogue. Escrever é um desafio fascinante, mais ainda num tempo tão difícil e incerto. Como já afirmei noutras alturas, continuarei sem injustos pessimismos (e até a pensar nas gerações seguintes) ou optimismos inadequados, mas sempre com uma inabalável esperança num mundo melhor.
Muito obrigado.
(tem que clicar em continuar a ler para ver tudo).
O texto:
"Missão Escola Pública presta a sua homenagem a Paulo Prudêncio, bloguista de correntes.blogs.sapo.pt e um amigo da MEP, mas sobretudo um professor com provas dadas no terreno. Um companheiro dos seus pares, mesmo enquanto dirigente escolar, nunca esquecendo a sua função primordial: a de professor e pedagogo.
Vemo-lo aposentar-se antes da idade da reforma, com 40 anos de serviço prestado à Escola Pública (mais tarde até daquela que seria a idade da reforma quando se iniciou na sua profissão), mas sabemos que continuará pelo seu blogue e dará continuidade à sua missão transformadora de pedagogo e cientista da Educação.
Parabéns, Paulo, pelo teu percurso de vida. Podes ter dito Adeus aos teus alunos, mas a Escola Pública sabe que continuará a contar com a tua presença ímpar e fundamental."
As caricaturas da autoria do Rui Foles:
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Foi com surpresa e com uma profunda tristeza que li a notícia da morte de Santana Castilho. Que surpresa tão triste. Lia há muito a sua escrita distinta. Deixa um legado impressivo em quem se interessa pela defesa da escola pública. Conversámos diversas vezes. Partilhei com ele alguns momentos difíceis e inesquecíveis nesta longa luta pela escola pública. Ainda ontem comentámos a ausência das suas crónicas no Público. Foi um dos analistas mais marcantes da Educação.
O editor do Público, o jornalista Álvaro Vieira, escreveu, onde dei com a triste notícia, em
(...)Morreu o professor que detestava o “eduquês”
(...)Quando a 6 de Outubro de 2001 começou a assinar uma coluna com o título genérico "Prova escrita", numa altura em que só capa, contracapa e alguns anúncios eram a cores neste jornal, Santana Castilho deixava já claro ao que vinha e como vinha e contra quem vinha. “Ano após ano, ministro após ministro, os problemas de fundo continuam intocáveis, sujeitos ao atavismo dos ‘pedabobos’ que influenciam a 5 de Outubro. Falando um erudito ‘eduquês’, essa corte tem imposto estereótipos pedagógicos ineficazes e eternizado tabus que vão conduzindo o país à desgraça, pela mão da permissividade e do facilitismo, únicos universos em que são competentes”, escreveu.
(...)Nascido em Beja, a 7 de Junho de 1944. Manuel Henrique Santana Castilho foi professor durante mais de 40 anos em diferentes níveis de ensino. Foi presidente do Conselho Directivo da Escola Preparatória Francisco de Arruda, logo a seguir ao 25 de Abril, e presidente da direcção da Escola Superior de Educação de Santarém e do Instituto Politécnico de Setúbal. Foi também consultor e formador de quadros de várias empresas, tendo sido autor de vários livros e inúmeros artigos, publicados em vários jornais e revistas, sobre Educação."
A fotografia é de Miguel Manso e de 2020.
O blogue faz hoje 20 anos e gosto muito que coincida com os 50 anos do 25 de Abril. São 20 anos de pensamento livre, com o mote do primeiro dia de há 50 anos: a liberdade em respeito pela liberdade do outro.
- De que é que te orgulhas, quase 50 anos depois da Revolução dos Cravos e de tantos avanços nos mais diversos domínios? Perguntava-me, no ano passado e num ambiente obviamente concordante e fraterno, um amigo e colega de turma no inesquecível 25 de Abril de 1974.
E repito, acrescentando sentimentos que não imaginaria ou que se reforçaram. O meu orgulho cimeiro é a relação com a minha mulher e com a minha filha (estão nas imagens; na de 2004 está também a minha saudosa mãe). Não imaginaria que ser mulher voltasse a ser uma condição discutida.
E também me orgulho da relação com familiares, amigos (alguns de longa data de Moçambique e do desporto), colegas, outros profissionais da educação, alunos, encarregados de educação e tantos cidadãos dos sítios onde vivi. Como sou imigrante e refugiado político - factos que é oportuno sublinhar, realçando a capacidade inclusiva da democracia portuguesa -, orgulho-me disso e do modo como exerço funções públicas.
É óbvio que há coisas que me entristecem e que não imaginaria: a regressão da escola pública, principalmente a desistência por uma escola pública com os mais avançados padrões de gestão das organizações e com um ambiente inclusivo e de bem-estar para todos: alunos e profissionais. É, comprovadamente, um progresso perfeitamente possível, e só possível, em democracia.
Muito obrigado por passar por aqui. O blogue, esta segunda pele, deu-me relações inesquecíveis de amizade e profissionais. Orgulho-me disso e de tudo o que originou.
25 de Abril sempre! Eterna gratidão aos corajosos revolucionários!
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"Gostava ainda de deixar uma ideia do enorme João dos Santos, “(...)Foi meu professor porque foi meu amigo” e uma convicção pessoal que a idade cada vez mais cimenta, qualquer professor ou educador, tanto ou mais do que aquilo que sabe, ensina aquilo que é."
Muito "interessante o post" do José Morgado, donde retirei o parágrado inicial, do blogue Atenta Inquietude, dedicado ao dia Mundial do Professor.
Recebidos por email. Dois inesquecíveis desenhos. Contributo de CVC. Tem que clicar em continuar a ler para ver os dois.
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15 de Abril - o dia do aniversário da minha mãe e o dia em que faleceu a minha sogra.
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O que seria da humanidade sem as utopias, as generosidades, os desapegos ao poder e as tolerâncias que estabelecem limites éticos e democráticos. Gosto muito do 25 de Abril porque lhe reconheço esses ideais que incluíram acções elevadas nos momentos difíceis e decisivos.
Alguns países prosperaram, e reduziram as desigualdades, depois de revoluções históricas, mas precisaram de tempo e de determinação. E o 25 de Abril - a Revolução dos Cravos - integrará a história universal como o dia "inicial, inteiro e limpo". Teve um mérito inquestionável no desenvolvimento do país, apesar de ainda registarmos uma pobreza chocante de cerca de vinte por cento da população. Para além disso, a analítica da actualidade tem leituras muito divergentes quando à consolidação da jovem democracia. Cinco décadas são um piscar de olhos no tempo histórico.
O meu blogue "Correntes (da pedagogia e em busca do pensamento livre)" faz hoje 17 anos. Foi em Abril de 2004, e esperei pelo dia 25 para o primeiro texto, que dei corpo à liberdade de opinião. E é neste dia que se renovam os apelos à participação cívica e à expressão livre como ideais de Abril.
Dezassete anos depois, mantenho a edição diária. Vario o modo de partilha e divulgação, e oxigenação, do blogue. Uso as redes sociais ou opto por órgãos de comunicação social. Escrevo com muito gosto neste registo e agradeço a vossa atenção.
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Nasceu em 15 de Abril de 1928 e morreu em 2 de Abril de 2018. Maria Isabel de Oliveira Trilho, a minha mãe, faz hoje noventa e três anos e mantém a aura de serenidade, leveza, resiliência, discrição e bondade.
"A escola faz um retrato à saúde, à democracia ou a ambas?" (também a pensar no dia mundial do professor em tempo de pandemia).