Há medidas nestes cortes apressados que me deixam perplexo. Foi preciso chegar a este estado depauperado das contas comuns para se começar a fundir ou extinguir serviços que não têm qualquer utilidade. Foi preciso chegar a este estado para se concluir que em plena crise financeira o governo reduziu impostos e aumentou salários para tentar recuperar votozinhos. Foi preciso chegar à pré-bancarrota para cortar mordomias que nos deviam envergonhar. Qual foi, de facto, a epifania que nos escapou e que trespassou pelas cabeças da estratosfera? Ou será que foi uma espécie do que Joseph Stiglitz relata aqui?
Andou-se a esbanjar dinheiro público numa lógica que deve ser de índole criminal. Apetece-me perguntar: como é que o senhor ministro das finanças tem dormido nas outras noites todas? O que tem este senhor ministro a dizer das referências que fez aos amendoins quando lhe perguntavam pela extinção dos governos civis ou pelo excesso de autarquias? E como foi capaz de omitir o que se passava com as parcerias público-privado? Não me comovo. Há uma dimensão internacional nesta crise que não se pode negar. Mas existe uma componente interna indesculpável e que inclui todos os que governaram nos últimos vinte anos.
Porquê só agora, a reboque de toda a oposição? Apesar dos cortes serem mínimos o ministro aponta para uma poupança de 20 milhões, se os cortes fossem de 80%, como em Espanha... Ah, terão agora os tansos dos portugueses percebido o porquê desta criatura ter sido considerada, anos a fio, o pior ministro das finanças da união europeia?
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