"A mais elevada forma de arte é a arte de viver", é uma opinião, que partilho, do cineasta iraniano Abbas Kiarostami. Aquele que é um dos meus cineastas preferidos dá uma interessante entrevista ao suplemento Ípsilon do Público de hoje. E acrescenta: "Mas a arte pode transformar a mais grosseira "arte de viver" numa forma mais elevada e ainda mais verdadeira do que a originalidade da vida". Bem sabemos como a arte de viver implica o relacionamento com os outros: o inferno ou o conforto será a eleição decisiva. Mas a arte, nas suas mais variadas expressões, pode desempenhar o papel que estava destinado à religião.
"O que é que copia o quê, a arte ou a vida?". É este o mote para o último filme de Kiarostami, apresentado no Estoril Film Festivail 2010, e já em exibição em Lisboa. Cópia Certificada é também inédito porque do Irão só tem o realizador.
Leva-me a pensar que vale. Vou ver!
ResponderEliminarBelo post Paulo!!!
ResponderEliminarNão metes no facebook?
ResponderEliminarJá vi. A não perder, apesar da sala do Monumental ser fraquita.
ResponderEliminarÉ um filme feito no estrangeiro, mas é um regresso.
ResponderEliminarVivemos um tempo demasiado complexo e angustiante. Confrontados, diariamente, com notícias que nos falam da crise em todas as tonalidades possíveis, que anunciam o empobrecimento generalizado da população e, o encerramento de empresas que lançam para o desemprego centenas de pessoas, aumentando um já insustentável nível de desemprego, de insegurança, precariedade e exclusão social.
ResponderEliminarUm tempo em que tentam vender a paradoxal teoria de que um verdadeiro estado social é aquele que reduz a protecção social e destrói os serviços públicos. Um tempo em que as perspectivas de futuro são quase um não-futuro.
Neste contexto, cinzento e asfixiante, é fácil ser dominado pelo sentimento de impotência e pelo desalento. Pela sensação de claustrofobia castradora do "não há nada a fazer". Mas há. São tempos como estes que exigem de todos uma resposta à altura. Uma resposta que passa por unir esforços e vontades para lutar por uma mudança, verdadeiramente, significativa.
A união de esforços em torno de uma luta comum levou a que a CGTP-IN e a UGT se juntassem na proposta da Greve Geral para o próximo dia 24 de Novembro. A união de esforços, porém, não isenta ninguém da individual responsabilidade de participar e agir.
Por isso, faz-me alguma confusão assistir a um grupo, não negligenciável, de cidadãos, que se arrogam no direito de assobiar para o lado, como se nada de importante se estivesse a passar. Esse grupo de cidadãos é o exemplo típico do que o economista Macur Olson caracterizou como "passageiro clandestino" na sua obra "The Logic Of Collective Action".
Como "passageiro clandestino" Olson identifica o membro de um colectivo que beneficia da acção pública desse colectivo, sem nada investir nessa acção concreta.
É o caso dos não grevistas que beneficiam da luta dos outros sem perderem o salário correspondente aos dias de greve convocadas pelos sindicatos, ou sem o incómodo de participar em vigílias, manifestações e outras acções de protesto. É fácil identificá-los.
São os "heróis" que no meio da crise e da contestação escolhem como alvo os sindicatos e os dirigentes sindicais. Que contestam as medidas anunciadas pelo Governo, fazendo, pasme-se, oposição aos sindicatos como se tivessem sido estes a apresentá-las e a aprová-las.
Incapazes de contribuir de forma construtiva para a solução dos problemas, a sua verborreia tem como único objectivo atingir as pessoas que, muitas vezes, em contextos difíceis, conseguem melhorar os seus interesses quer pessoais quer profissionais.
São os mesmos que depois arrogam direitos de interpretação como se tivessem contribuído para a mudança.
Não há como desistir de sermos protagonistas da nossa História. Temos, no entanto, a obrigação de escolher a forma como seremos recordados.
Eu vou fazer greve no dia 24 de Novembro. Porque não desisto de tentar deixar um mundo melhor para os meus filhos!