sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

para além da cartilha

 


 


Usava a cartilha das finanças, agora tenta sobreviver com a cartilha dos poderes presidenciais e com o exercício profissional da política. Sejamos coerentes: Cavaco Silva deu provas de que a contabilidade nem sempre ajuda a economia nas funções de um primeiro-ministro e que o seu perfil não é uma mais valia para as funções presidenciais; quem governa é o governo e não se pode responsabilizar o presidente pelos insucessos do executivo ou da conjuntura internacional.


 


Portugal precisa de prosa e de poesia, de quem esteja para além do perfil executivo e de outro presidente. O rasgo decidirá umas eleições que são importantes para a nossa democracia.

7 comentários:

  1. Vote-se no Rato Mickey, como os outros.

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  2. É engraçado como Manuel Alegre depois de ter o apoio de Sócrates nunca mais o criticou.E agora senhor Alegre? Pensa que os portugueses o perdoam? Votava Alegre e já não voto,não suporto vira-casacas

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  3. Desde que vote e não vote em Cavaco Silva...

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  4. No duelo com Nobre, Cavaco acabou por se apresentar quase sempre na defensiva, insistindo no que são os poderes do Presidente e procurando defender-se dos ataques e das acusações de ter feito pouco enquanto Presidente e, por isso, ser também responsável pela situação do país.

    Obrigado a uma intervenção justificativa da sua acção de cinco anos na Presidência e forçado a insistir nas limitações dos poderes presidenciais – de tal forma que Nobre acabou a dizer: “Não se vai para a Presidência da República para ser um vaso de flores” –, Cavaco não deixou, contudo, de apontar aquilo que são as suas ideias para tirar o país da crise.

    Por outro lado, o actual Presidente não se coibiu de se demarcar das opções de José Sócrates. Fez questão de garantir que espera que “o Governo desenvolva acção” de forma a que o FMI não entre em Portugal. E divergindo claramente do Governo, apontou o seu caminho para a saída da crise. Assim propôs “o aumento da produção nacional que concorre com a estrangeira” e garantiu peremptório: “Não é pela via dos salários baixos.”

    Mas a maior parte do tempo que falou, Cavaco ocupou-se mais a justificar-se do que a responder a Clara de Sousa. E uma das questões em que mais se sentiu atacado foi na imagem de ser conivente com a aprovação de um “mau Orçamento”.

    Aliás, foi o próprio Cavaco que puxou para cima da mesa da discussão o Orçamento para 2011, dando-o como exemplo do que foi o seu exercício da magistratura de influência. “Empenhei-me muito para que fosse aprovado o Orçamento”, disse, lembrando o risco de existir um Governo de gestão durante sete meses na actual situação e, a certa altura, afirmou mesmo: “A nossa cara estava muito perto da parede”. Todavia, acabou o debate a lembrar que ainda não tinha recebido nem analisado o documento.

    Mas Nobre não aceitou as explicações de Cavaco e perguntou “qual o interesse deste Orçamento que penaliza de forma trágica” as pessoas. Fazendo uma comparação com a sua área de formação, a medicina, Nobre disse que este Orçamento era como um remédio que um médico forçava um doente a tomar, mesmo sabendo que não o curava e até o podia matar.

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  5. Eis uma frase interessante: "Votava Alegre e já não voto, não suporto vira-casacas"

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  6. Diz o roto ao nu: porque não te vestes tu? Ou, como diz o melro ao corvo: não gosto de ti porque és preto.

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  7. Nunca me lembro de ter visto o PCP tão pouco internacionalista como nos dias que correm. O discurso anti-europeu, que noutros tempos foi bandeira de Paulo Portas e Manuel Monteiro, foi apropriado pelos comunistas portugueses, campeões do isolacionismo. Falam permanentemente em "soberania nacional", bradam contra tratados já tão remotos como os de Maastricht e Amesterdão, revelam saudades do velho escudo. "O euro significou 20% da perda de competitividade do nosso país", declarou esta noite o candidato do PCP, Francisco Lopes, no debate que o opôs a Manuel Alegre na SIC. Clara de Sousa, a moderadora, bem se esforçou para introduzir alguma dinâmica neste frente-a-frente, mas em vão: foi até agora o mais monótono e maçador dos debates desta campanha presidencial. Alegre, ao contrário do que sucedera com Fernando Nobre, tratou Lopes com grande amabilidade. Nunca o criticou e chegou mesmo a elogiá-lo: "A candidatura de Francisco Lopes é uma candidatura positiva que contribui para o debate e a clarificação de posições." Pressentia-se o incómodo de Lopes, que procurou - sem sucesso - apontar a Alegre pecadilhos tão variados como o apoio ao Orçamento do Estado para 2011, os tratados europeus e "a política do Governo". Alegre, que passou uma legislatura inteira a criticar o Executivo do PS pode bem com estas acusações, respondendo a Lopes da forma adequada: com total indiferença. Lembrando, de passagem, que é candidato a Presidente da República e não "a outra coisa qualquer". Secretário-geral do PCP, por exemplo.
    Houve perguntas da moderadora que ficaram sem resposta. O comunista recusou responder se preferia ver Portugal fora do euro, o socialista nada disse sobre o seu eventual desejo de receber o voto do ex-amigo Mário Soares. De resto, Alegre cortejou sem rodeios o eleitorado comunista. Lembrando ter sido ele o autor do preâmbulo da Constituição da República, que continua a apontar o "caminho do socialismo" para Portugal, mostrando-se indignado com a "ofensiva especulativa dos mercados financeiros contra os órgãos democráticos de países democráticos".
    Não faltaram críticas a Cavaco. A mais convincente veio de Alegre: "Cavaco Silva acrescentou problemas ao funcionamento do sistema, até pela maneira como promulga as leis, manifestando dúvidas e reservas. É um factor de instabilidade, até pela maneira como exerce os mais simples poderes, como o de promulgar leis." Não falou mais que Lopes, não falou muito diferente, mas falou melhor.

    Vencedor: Manuel Alegre

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