sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

sem voz

 



 


 


 


Alunos, professores e encarregados de Educação são actores com voz. Todavia, as escolas também se erguem por força da acção de uma pequena legião sem palavra: os assistentes administrativos e os assistentes operacionais (outrora designados por auxiliares de acção educativa; há até quem diga, que a mudança de nome lhes deu um super-poder tal que desempenham o papel de três dos que tinham a anterior designação).


 


Nem adianta chamarem-me populista por causa deste post. As inúmeras pessoas com essas funções que comigo privaram ao longo de anos podem vir aqui acusar-me; os outros não.


 


Estes actores do universo escolar não têm voz. Os sindicatos, mesmo os que têm mais sócios, defenderam uma proposta insana para os professores: um prémio pecuniário anual aos professores que se destacassem em cada escola ou agrupamento. O que me traz aqui é um acto da mesma família.


 


Belisque-se. Fique a saber que há escolas e agrupamentos no sistema público escolar de Portugal, que atribuíram, em pleno 2010, um 15º mês de salário aos dois assistentes operacionais que mais se destacaram. É só imaginar o efeito devastador que este cinismo manipulador tem no curto e no médio prazo na atmosfera relacional. Este tipo de políticas colocaram as democracias nos limites da sobrevivência. Estamos a insistir na construção de um sistema que urge derrubar e que empurra as pessoas para coisas destas.

10 comentários:

  1. País triste este!
    Sinto-me completamente desmotivada e desiludida com esta escola do faz de conta.
    No meu Agrupamento está tudo acomodado e trabalhar com afinco para a ADD. Queixam-se em surdina mas fazem até o que não lhes é pedido.
    Será que vai algum prémio pecuniário para o Excelente?

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  2. Que coisa horrorosa...

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  3. Belíssima e seriíssima reflexão, Paulo. Não tiro ilações generalizadoras sobre o facto, por risco de óbvia excentricidade. Mas subscrevo a tua indignação, que é minha e de muitos de nós. Condeno, e veementemente, uma decisão que, com evidência, pretende produzir um clima de submissão, que em nada concorre para um aprimoramento dos serviços. Produz, ao invés, uma potente desmotivação e atiça rancores tão inúteis como fundamentados. Esta atrbuição de prémios, para além de revelarem uma desgraçada incapacidade de avaliar objectivos e desempenhos que ninguém teve a honradez e a cultura de criterizar com rigor, revelam uma disposição eticamente inominável, de tirar partido da magreza dos vencimentos dos assistentes operacionais. Trata-se de exercer desprezíveis caridadezinhas que objectivamente menorizam quem as recebe - por lhes impor dependência - estimulando comportamentos de subserviência e de canina passividade. Tudo aquilo, em suma, que uma escola deve esforçar-se por combater e contrariar.

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  4. É. Por onde andamos. Teremos nós de voltar a ser relevantes?

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  5. Um trabalhador da France Telecom suicidou-se ontem devido a problemas de trabalho, elevando para 24 o número de funcionários da empresa que nos últimos 18 meses colocaram fim à própria vida.

    Casado e pai de dois filhos, o homem de 51 anos deixou uma carta à família afirmando que o ambiente infernal que se vivia na empresa esteve na causa do seu suicídio.

    A France Telecom confirmou o suicídio do funcionário e o presidente da empresa, Didier Lombard, viajou imediatamente para Annecy, indicou o grupo.

    Com este suicídio sobe para 24 o número de funcionários da empresa que colocaram fim à própria vida desde Fevereiro de 2008, um comportamento que os sindicatos atribuem ao stress causado pela gestão empresarial e pelas condições de trabalho.

    No início de Setembro, Lombard afirmou que a sua preocupação era acabar com a "espiral de suicídios" dentro da empresa. O presidente da France Telecom considerou necessário "sair desta situação de contágio" e com este objectivo anunciou uma série de medidas.

    Entre as medidas estão o aumento do número de médicos na empresa e das equipes de recursos humanos, além da disponibilização aos funcionários de psicólogos externos, negociações com os sindicatos sobre o contrato social e uma formação profissional mais intensa para a evolução tecnológica.

    A France Telecom tem 100.000 funcionários em França. O Estado controla 26,7% do capital da empresa, que em 2008 registou um lucro líquido superior a quatro mil milhões de euros.

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  6. bom, muito bem abordado este assunto

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  7. Já é assim desde 2008. É o Siadap em acção.

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  8. E...pasme-se, na escola que já dirigiu, a Direcção não tem (quase)ninguém competente entre os não docentes... excepção por ventura para as laureadas com o 15º.
    Cada reunião é convocada apenas para mais do mesmo.
    Os não docentes levam pancada a torto e a direito, nunca há uma palavra de boa vontade ou de reconhecimento pelo trabalho feito, apenas lhes é dito que tem falhas e que é preciso fazer mais, tudo é pouco. Isto vindo da parte duma Direcção que nao dirige, não orienta, não apoia quem deveria por eles ser orientado, dirigido e apoiado, e que, em pouco tempo deitou por terra o bom nome da escola, é de bradar aos céus.
    Esta gente não sabe dirigir porque, se soubessem, já teriam percebido há mais tempo que motivar as pessoas, começando por dar um bom exemplo, premiar as pessoas com palavras afáveis e atitudes de encorajamento proporcionando um bom ambiente no trabalho (ao invés de dividir para reinar e disso é bom exemplo avaliação e seus critérios), teria sido bem mais proveitoso e transformava-os em líderes, coisa que não são, são apenas capatazes. E em pleno século XXI, vermos gente em Direcções utilizarem métodos utilizados nas antigas herdades do Alentejo, em vez de seguirem tantos e bons exemplos que por aí há . . .


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  9. Boa noite.

    É tudo muito lamentável. Que raio de coisa.

    Vamos acreditar que é um pesadelo com fim anunciado.

    Força aí.

    Forte abraço.



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