"Exmo. Senhor Director,
Professora sindicalizada, considero que não há nada de mais errado, se não injusto, do que reduzir-se “a suspensão do processo de avaliação dos professores” à “ vitória de Nogueira”, como escrito no Expresso de 26 de março.
Vitória de Nogueira? O líder da Fenprof assinou esse modelo de ADD.
Vitória de Nogueira? O líder da Fenprof subscreveu o que esse modelo permitia: professores, sem formação especializada, deviam avaliar pares; professores deviam ser avaliados por pares de áreas científicas diferentes, se não opostas; professores mais experientes deviam ser avaliados por pares com posição menos elevada na carreira; professores mais qualificados deviam ser avaliados por pares com menos habilitações académicas.
Vitória de Nogueira? Professores, situados nos últimos escalões da carreira, pediram em massa a reforma com penalização. (Um país não sai “derrotado” se prescindir dos seus professores mais experientes?)
Vitória de Nogueira? Enquanto sindicatos entretinham-se em seminários sobre avaliação, a implementação da ADD desapossava os professores da sua dignidade profissional e roubava o seu tempo para os seus alunos.
Vitória de Nogueira? Das escolas, saiu a resistência contra esse modelo de ADD.
Vitória de Nogueira? É de uma escola a iniciativa da moção pela substituição desse modelo (a recolha das mais de 9 mil assinaturas ia ser entregue na AR em 30 de Março).
Vitória de Nogueira? Nas escolas, os professores que resistiram ficaram entregues a si próprios.
Vitória de Nogueira? Os sindicados foram raramente os interlocutores privilegiados desses professores, hélas!
Vitória de Nogueira? Os animadores da luta contra a ADD foram os blogues e associações de professores.
Vitória de Nogueira? As palavras capazes de dar ânimo não vieram desse líder.
Vitória, sim. Mas vitória dos professores que resistiram activamente, publicamente.
Com os melhores cumprimentos.
Maria José Cheira
Esta carta, não publicada pelo Expresso, foi já divulgada no blogue A Educação do Meu Umbigo.
ResponderEliminarSendo a autora sindicalizada, é no mínimo estranho que procure espaços fora do movimento sindical, ou mesmo abertamente anti-sindicais (não é o caso do Correntes) para divulgar as suas opiniões.
Como sindicalizada que diz ser, tem direitos de que abdica:
b) participar em todas as deliberações que lhe digam directamente respeito;
c) participar activamente na vida do Sindicato, nas diferentes estruturas em que ele se organiza, apresentando, discutindo e votando as moções e propostas que entender convenientes;
j) formular livremente críticas à actuação e às decisões dos diversos órgãos do Sindicato sem prejuízo da obrigação de acatar as decisões democraticamente tomadas;
e deveres que não cumpre:
b) respeitar as deliberações tomadas democraticamente nos órgãos competentes do Sindicato;
c) alertar os órgãos do Sindicato para todos os casos de violação da legislação do trabalho de que tenha conhecimento;
d) participar com regularidade nas actividades do Sindicato e desempenhar com zelo os cargos para que for eleito;
e) divulgar e fortalecer, pela sua acção junto dos demais trabalhadores, os princípios fundamentais e objectivos do Sindicato, com vista ao alargamento da sua influência;
f) agir solidariamente na defesa dos interesses colectivos;
k) exprimir livremente as suas opiniões sobre o Sindicato (...)
l) ter acesso, sempre que o requeira, a toda a documentação interna do Sindicato, designadamente à escrituração e livros de actas;
É caso para perguntar:
O que faz correr Maria José?
Viva.
ResponderEliminarO texto enquadra-se em "k) exprimir livremente as suas opiniões sobre o Sindicato (...)" e mesmo que não se enquadrasse.
Tb me pareceu estratosférico dizer-se que a oposição, ao derrotar o modelo, entregou de novo o poder das escolas à Fenprof. Não é verdade. O modelo caiu pela força da razão e dos professores que estão nas escolas. Podia escrever muito mais sobre isso. A Fenprof apresentou um modelo de avaliação não muito diferente e com uma ou outra coisa mais grave. Tb é verdade que um dos mentores está agora na DGRHE.
Abraço.