quarta-feira, 27 de abril de 2011

da avaliatite

 


 


Nem os brutais sinais da France Telecom ou as opiniões de quem estudou mesmo o modelo de avaliação dos professores portugueses conseguem incluir sensatez e modernidade nos raciocínios do grupo "mais sociedade". Estes proponentes da direita portuguesa são uns fanáticos da medida: humanos e parafusos são recursos da mesma categoria empresarial. Usam uma linguagem bem-pensante e tão sedutora como qualquer ideia totalitária. Resguardam-se na irrefutabilidade de tudo o que é falso.


 


No caso da justiça portuguesa, não escrevem sobre o inenarrável citius que ridiculariza o sistema de informação dos tribunais através da repetição e redundância de dados ou sequer responsabilizam a incapacidade política para que a gestão dos mesmos não se situe ao nível da traquitana do Estado. Também não se lê uma vírgula sobre a comprovada falta de qualidade da legislação. A panaceia é simples: medir os juízes em quantidade e qualidade. Estão-se mesmo a ver os resultados. Têm a palavra os juízes e os políticos que defendem sem tibiezas a democracia e a liberdade.


 


Movimento “Mais Sociedade” sugere que salários dos magistrados dependam do desempenho 

8 comentários:

  1. É preciso mudar o paradigma.

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  2. o mundo ocidental adoeceu de vez

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  3. A propósito, um excerto de José Gil:

    "Porque a avaliação tende a aplicar-se a todo o tipo de actividade, estende-se da esfera da sexualidade e da saúde mental à do desposto, da cidadania e da integração social. Em todos os campos avaliados, o ser homem mede-se pela sua posição nas escalas das performances a que incessantemente é submetido.
    É inevitável, assim, que a avaliação, como diagrama transversal a toda a sociedade, tenda a transformar todas as relações humanas em relações funcionais de poder."
    ("Em busca da Identidade - o desnorte", Relógio d'Água, Lisboa, 2009 - p.52)
    - Isabel X -

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  4. Nem o desempenho de um calceteiro pode ser avaliado como eles querem. E não estou a dizer «não deve»: estou mesmo a dizer «não pode».

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  5. Quase fascismo ou fascismo de empresa parece-me acertado José Luiz; quando escrevi a primeira vez quase fascismo por via administrativa ainda me belisquei; quem diria que a palavra revolução voltasse a ser requerida.

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  6. Muito pertinente, se me permite Isabel X. A atmosfera relacional nas escolas teve uma entrada de oxigénio com a possibilidade de suspensão do desmiolo. Negar a importância do facto é inclassificável.

    José Gil sabe do que fala é pouco lido

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  7. Onde se lê "desposto" deve ler-se "desporto". Peço desculpa pelo erro.

    - Isabel X -

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