quinta-feira, 28 de abril de 2011

todos?!

 


 



 


 


 


Ando há dias com este post por publicar. Não o fiz antes porque não gosto muito de juízos morais nem de atribuir responsabilidades de forma injusta. Mas que raio: estou cansado de ouvir responsáveis políticos, ex-presidentes da República, por exemplo, apontarem a culpa colectiva pelo estado do país. Devemos fazer um exercício introspectivo e mudar. É isso que tento fazer.


 


Não confio em pessoas que se proclamam imaculadas. Tenho os meus pecados. Sei que por vezes excedo o limite de velocidade nas autoestradas e que nem sempre estaciono o automóvel de modo regulamentar. Por outro lado, há muitos anos que não tenho qualquer empréstimo bancário e só adquiro carros, livros, computadores, viagens, electrodomésticos e por aí fora a pronto pagamento. Nem queria entrar muito por este domínio porque não censuro mesmo quem não o faz. Só me desgostam aqueles que usaram o alguém-que-pague-depois com o resultado que se sabe: pagamos-quase-todos.


 


Tenho orgulho do meu exercício profissional e no modo como me entreguei aos cargos públicos para que fui eleito. Para esses exercícios, nortearam-me dois princípios inabaláveis: o convencimento da minha utilidade e a minha vontade.


 


Dito isto, vamos ao que mais interessa. Portugal está como está também por causas internas. Desrespeito pelo dinheiro que os contribuintes põem ao dispôr dos governantes é o primeiro. O segundo é a corrupção.


 


Para recomeçar temos de mudar de protagonistas, porque a culpa não pode ficar sem dono e ponto final. A democracia é frágil e as ditaduras espreitam em cada esquina. Leio cada vez mais a ideia da necessidade de uma revolução e isso não me agrada. Não é que me assuste. Não me agrada, repito. Sabemos dos perigos que se correm nessas alturas. Mas há uma evidencia: a culpa não é de todos e os que são exímios a advogar na barra dos tribunais não podem branquear os responsáveis. Portugal tem de mudar e devemos continuar a acreditar no valor primeiro da democracia: o voto. O sufrágio directo e universal deve funcionar como advogado de acusação e a democracia será o nosso implacável juiz.

8 comentários:

  1. Viva Paulo,
    mudar significa fazer diferente desta vez.
    Sem medo e sem preconceito.
    Ser capaz de escolher outros protagonistas que são recorrentemente desinscritos e que quando têm direito à palavra apontam soluções diversas das que trouxeram o país «ao estado a que isto chegou».
    É preciso ter coragem de reconhecer que há 25 anos que a CDU avisa sobre a necessidade de políticas europeias que garantam o desenvolvimento e a coesão social.
    É preciso reconhecer que a Política Agrícola Comum e a Política de Pescas, que PS, PSD e CDS negociaram e aceitaram em Bruxelas, foram o princípio do fim da nossa soberania.
    É tudo isso que podemos começar a mudar através do poder do voto, antes que a convulsão social atinja dimensões de que nos possamos arrepender.
    Abraço
    Francisco

    ResponderEliminar