A perenidade da felicidade deve à infância uma das danças que não sai da memória. Para quase todas, como bem retratou Roberto Benigni no enorme "La vita è bela", as recordações são prodigiosas. O pai que em plena ante-câmara do holocausto fazia dos horrores brinquedos para o filho pequeno que o acompanhava, é uma cena comovente que jamais esquecerei.
A memória é curta e transporta para o consciente apenas uma ínfima parte. É assim. Por isso, tantas vezes nos lembramos uns aos outros que a vida é curta e que passa num instante. A infelicidade com a finitude conforta-se nos únicos que nos fotografaram com precisão na infância; tanto por dentro como por fora. Sem eles, sem os nossos pais, não é só a memória que suporta uma perda irreparável e substancial. É também a felicidade, a nossa e a deles, que sofre um esgotamento sem remédio.
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