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quarta-feira, 28 de maio de 2025

O teorema da Filipa Prudêncio


Manuel Castro Grilo, da Nova FCSH, inclui na sua dissertação de Mestrado, intitulada "uma coleção de histórias de cientistas", o teorema de Filipa Prudêncio que começa na página 43 (percebe-se pelas gralhas que não será a versão definitiva) CC Trabalho de Projeto ManuelCGrilo_v2.pdf



 

sábado, 17 de fevereiro de 2024

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Maria Isabel de Oliveira Trilho (1928-2021); seriam 93

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Nasceu em 15 de Abril de 1928 e morreu em 2 de Abril de 2018. Maria Isabel de Oliveira Trilho, a minha mãe, faz hoje noventa e três anos e mantém a aura de serenidade, leveza, resiliência, discrição e bondade.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Carlos do Carmo (1939-2021)

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Decorria o ano de 1972 ou 73, vivia na então Lourenço Marques (hoje, Maputo), e fui jantar à Pizzaria "La Bússola" que tinha uma lasagna única e música ambiente com sabor a liberdade. Foi aí que ouvi pela primeira vez "As canoas do Tejo" de Carlos do Carmo. Nunca mais me saiu do ouvido. E era uma época em que os jovens moçambicanos desprezavam, naturalmente, quase tudo o que vinha de Portugal e da metrópole, onde se incluía o fado. Zeca Afonso era a música portuguesa ouvida pelos jovens moçambicanos.


Mas mal eu sabia que por essa altura o meu querido e saudoso primo, António Marques Júnior, planeava o 25 de Abril. E foi a propósito da morte de Carlos do Carmo que li este texto:


"Abraço de Abril a Carlos do Carmo


Caros associados
Neste dealbar do ano de 2021, que esperamos nos traga a recuperação de uma vida normal, onde seja possível, em Liberdade, construir um Mundo melhor, fomos confrontados com a partida de um grande Homem de Abril, nosso companheiro na jornada iniciada há 46 anos, na procura da Paz, da Liberdade, da Justiça social.
Partiu o Carlos do Carmo, português e lisboeta de gema, humanista, grande divulgador e embaixador do Fado por todo o Mundo.
Activo militante dos valores de Abril, nunca descurando uma enorme actividade cívica, em prol de uma sociedade mais livre e mais justa, Carlos do Carmo respondeu sempre presente, quando solicitado pela Associação 25 de Abril.
No momento em que evocávamos a partida de um dos principais Capitães de Abril, o António Marques Júnior - que aqui lembramos, com a eterna saudade que dura já 8 anos - o Carlos do Carmo, também vítima de um aneurisma, foi juntar-se-lhe.
Estamos certos que, lá onde estiverem, continuarão a enviar-nos o alento necessário à continuação da luta pela consolidação dos valores porque se bateram!
Por nós, tudo faremos para atingir os objectivos das vidas comuns das Mulheres e dos Homens de Abril.
Os nossos sentidos pêsames aos familiares do Carlos, nomeadamente à Judite, sua companheira de toda a vida, e ao seu filho Gil.
Até sempre, caro Amigo Carlos do Carmo!
Um grande abraço de Abril
Vasco Lourenço"

sábado, 23 de março de 2019

Em Pequeno

 


 


 



"(...)Ficara muito impressionada com a história de um ministro, estava implicado o museu, estava implicada Pompeia. Imma disse-me em tom grave: sabes, mãe, que um ministro da educação, o ministro Nasi, um representante do povo há quase cem anos, aceitou como oferta de pessoas encarregadas das escavações de Pompeia uma estatueta de valor acabada de desenterrar? Sabes que ele fez decalques das melhores obras de arte encontradas em Pompeia, para decorar a sua villa de Trapani? Esse Nasi, mãe, embora fosse ministro do reino de Itália, agiu por instinto: trouxeram-lhe de presente uma bela estatueta e ele aceitou-a, pareceu-lhe que em sua casa ficaria muito bem. Por vezes erra-se, mas quando não te ensinaram em pequeno o que é o bem público, não compreendes sequer o que é uma falta.(...)"


 


Elena Ferrante (2018:391),


"História da Menina Perdida"


- "A Amiga Genial" - quarto volume.


Relógio D´Agua. Lisboa.


sexta-feira, 20 de julho de 2018

E Jaime Neves entregou-me o "crachá" de Comando (na imagem)

 


 


 


Reedição a propósito dos


desenvolvimentos


das recentes mortes 


de instruendos


dos Comandos. 


 


 


As praxes nos cursos de Comandos eram toleradas; os excessos nem tanto. Mas eram, e são, espaços incontroláveis. E é exactamente nesse domínio, na coacção constante, violenta e não programada, sobre os jovens instruendos, que tudo começa como é retratado na muito boa peça do Público que tem um título realista: "O instrutor dos Comandos avisou-nos: vou tornar-me num animal." É uma escalada em que "farei pior do que me fizeram".


 


Fui pedir uma autorização para sair do país e acabei incorporado obrigatoriamente nos Comandos dois meses depois. Foi tudo muito rápido. Seriam dois anos "desperdiçados" numa idade, e condição, que não permitia tempo perdido. A burocracia entre Moçambique e Portugal não funcionou e o meu pai ainda me tentou ajudar no adiamento com um sobrinho que era Conselheiro da Revolução e com o próprio Jaime Neves que era um seu velho conhecido de Moçambique. Não foi boa ideia :). Numa recruta, devemos passar o mais despercebidos possível. Ainda por cima, os instruendos dos cursos de oficiais respondiam a inquéritos políticos e marquei uma posição semelhante à actual. Os candidatos a oficias e sargentos eram exactamente isso numa organização verticalizada. Os "outros", eram a tal "carne para canhão" e talvez isso explique a clubite desinformada, e em muitos casos desumana, sempre que há um pico mediático sobre o assunto. Mas todos (oficiais, sargentos e praças) formam as imprescindíveis tropas de elite ao serviço de "elites" que não saem dos salões e dos que sabem tudo o que deve ser feito com os filhos dos outros.


 


Lembro-me do momento da imagem (o lenço preto saiu com o vento; o meu amigo Gomes, que se vê a meu lado cheio de brio, já não estava grande coisa :)). É interessante que se leia a legenda. O comandante Jaime Neves, como me confirmou depois, fez questão de me entregar o crachá de Comando. O ambiente no regimento era pluralista, suficientemente profissional e com os excessos decorrentes da "inacção" de militares especialistas em combate.


 


Já fiz, ao longo dos anos, vários posts sobre os Comandos. Encontra-os aquiFica ainda muito para escrever, naturalmente.


 


Fiz um resumo das passagens mais significativas:


 



Lembrei-me do serviço militar. Vinte e poucos anos, muito poucos mesmo, e zero tiros no currículo. De uma hora para a outra raparam-me os caracóis, encheram-me de fardas e de sei lá mais o quê e disseram-me: vais ser comando; a honra suprema de um jovem português. Chamavam-me de Prudêncio, o meu último nome, coisa que até aí me parecia exclusivo do meu pai. Fui obrigado a fazer uma tropa de voluntários com detalhes engraçados: perguntavam-me: - és voluntário?; respondia: - não. Mas nos papéis punham a cruz no sim e quando mais refilasse pior: aprendi rápido e sentenciei: - se tem de ser, vamos a isso.

Depois foi aquilo que se sabe. Mesmo com uma estrela aos ombros, já que ali éramos todos iguais, valha-lhes isso, a dureza e a brutalidade diárias sucederam-se até o horror se instalar. Lembro-me, entre tantas outras coisas tremendas, de saborear um naco de pão duro barrado com pelos da barba e sangue, de rebolar em tronco nu num escarpado cheio de silvas ou de me deitar em terrenos cravejados de balas acabadas de cair. Violência acumulada em meses e meses sem fim. Valeu-me a ausência da guerra. Não sei o que faria dos "inimigos".




Fui Comando. Por obrigação numa tropa para voluntários (começou nessa altura a objecção de consciência). Condicionado a dar o melhor para ser oficial e não ir parar a soldado sem graduação e sem especialidade. Éramos 87 no curso de oficiais e sobraram 7. Na prova mediatizada (prova de choque) éramos cerca de 500: ao segundo dia estavam cerca de 250 na enfermaria improvisada. Era tal a violência e alienação, que se traficavam tampinhas de cantil com água a 500 escudos a unidade (cerca de 100 euros com "equivalência" ao custo de vida actual). Um amigo de escola (o Jaime Naldinho), queria que lhe espetasse um prego da tenda na mão para ser evacuado. Como recusei (ele ficaria com mais uma lesão para a vida), correu atrás de mim acusando-me de estar feito com os inimigos (já não bastava o esforço daqueles dias loucos e infernais que me provocaram uma indigestão inédita por ter ingerido lama em quantidade imprudente; estive para desertar a meio do curso). Dei instrução e pertenci à companhia operacional 112. Foram 18 meses inesquecíveis. Aprendi muito em diversos domínios; também na "arte da guerra" que até aí me era completamente estranha. Havia muitos exageros. Nestes cursos morreram dois ou três instruendos e alguns ficaram com lesões para a vida. Era uma coisa estúpida derivada de mau planeamento, de praxes insanas ou de insuficiências no equipamento. Não havia a mediatização actual. Era uma revolta muda.


 



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Encontrei a imagem (é de um DN de Dezembro de 1980) ontem num baú de recordações.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Selfies e a pedido

 


 


 


 Selfie em Chaves tirada pela Filipa.


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Com a Mónica, Filipa, Zara, Filipe e Céu. Fotografia tirada, a pedido, por alguém que ia a passar.


 


 


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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Pontes e poetas

 


 


 


Gosto de pontes. Gosto de olhar para a célebre ponte romana de Chaves. Sempre que estou em trás-os-montes, lembro-me das fragas, de Torga e dos poetas.


 


Recordo o final de um poema que Torga dedicou aos poetas.


 


(...)


Homens do dia-a-dia 
Que levantem paredes de ilusão. 
Homens de pés no chão, 
Que se calcem de sonho e de poesia 
Pela graça infantil da vossa mão.  

Miguel Torga, in 'Odes' 


 


Acrescento uma fotografia, da ponte romana de Chaves, que tirei em 24 de Dezembro de 2016.


 


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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

a propósito de gaudi

 


 


 


 


 



 


 


 


(Este texto não é inédito e reescrevi-o. Publiquei-o numa revista da especialidade, algures em 2000, 2001 ou 2002. "Recuperei-o" a propósito de uma conversa com quem visitou recentemente Barcelona. É uma homenagem a Gaudi, cuja igreja da sagrada família continua envolta em polémica; deveria ter sido concluída?)


 


 

 

Sempre que o tema da minha ocupação cerebral se relaciona com o pé direito, dois conceitos condicionam de imediato as minhas opiniões:



  • do lado a que sou menos dado, o das religiosidades, condiciona-me a abençoada e eterna entrada com o pé direito; foram tantos os seguidores desta superstição na passagem de ano da mudança de milénio que se esgotou a possibilidade de refutar os mais crentes;

  • do lado que mais me entusiasma, o do pé direito dos edifícios erguidos pelo esforço dos menos favorecidos dos Homens, podem contar com opiniões mais ousadas.



Suponho que este pé direito foi o verdadeiro motor da minha consciência cívica. Sei que buscar a origem da consciência dos Homens é tarefa só ao alcance de uns quantos. Mas da minha é algo que pode ficar ao critério do meu imaginário. Atrevo-me mesmo a dizer que quem em criança nunca quis tocar no tecto do mundo não pode ter uma boa consciência social. Fui tentando tocar nos tectos das minhas casas, embora a altura dos pés direitos me exigisse a adolescência para obter saborosos sucessos.

Na atmosfera do lugar onde nasci e depois cresci, vivia-se num constante apelo a duas actividades desportivas: o futebol e o basquetebol. A primeira mais do lado das religiosidades e a segunda mais do lado das ousadias.

Era com um sentimento de verdadeira transcendência que, de mãos dadas com os pais, avós ou tios, as crianças assistiam a esses rituais de boa convivência. É certo que nem sempre as coisas corriam bem. Na ânsia humana de ser mais veloz, de ser mais forte ou de chegar mais alto, os convívios tinham momentos que azedavam e se travestiam de aspectos assustadores.

Desde cedo que as crianças iniciavam os exames exploratórios. A primeira e última experiência como jogador de futebol num clube a sério ocorreu por volta dos onze anos. Vacinei-me. Como o campo de jogo era em tudo igual ao dos adultos, “o fenómeno pé direito” aparentemente só se manifestava no tamanho das balizas. Nada mais enganador. As dimensões intermináveis do campo e o peso insuportável da bola não me deixaram alternativa. Via, com uma surpresa ingénua, como os adultos desses sítios, e doutros nossos conhecidos, sentiam uma alegria esfuziante com as dificuldades das crianças. As gargalhadas eram ruidosas. A desfaçatez chegava ao ponto de equiparem “os miúdos” com calções enormes para o espectáculo ser mais completo.


Fiquei para sempre nos jogos de rua com os meus amigos, onde eram as crianças que escolhiam o tamanho do campo, das balizas, da bola ou dos calções. Mas havia algo que começava a despertar a tal consciência de direitos de que vos falei antes.

Para a divulgação do jogo de basquetebol, os seus responsáveis construíam campos só para crianças onde o “fenómeno pé direito” era o inimigo número um. As dimensões do espaço do jogo, dos cestos ou das bolas eram apropriadas. Ideias avançadas com a assinatura de alguém que não se acomodou ao facto dos tectos parecerem estar a uma altura fora do alcance do comum dos mortais.

Foi também nesta altura que entrei para o liceu. Estávamos em 1971, em plena era marcelista. O liceu era ao melhor estilo da época, o inevitável liceu Salazar. O edifício era monumental e cheio de mármores brancos. Reinavam os espaços de amplitude arrasadora. A construção obedecia a ângulos absolutamente rectos. A altura do pé direito era de tal dimensão, que parecia desenhada com a única intenção de impossibilitar veleidades, até ao mais reverente. Lembro-me, e a propósito desta nossa conversa, de uma das primeiras aulas de matemática.

Para fundamentar o facto de duas linhas paralelas nunca convergirem, o pedagogo pediu-nos que olhássemos para as "intermináveis" colunas da sala de aula e imaginássemos a possibilidade delas se encontrarem. Nunca. Uns tempos depois, um colega segredou-me que ouviu alguém também autorizado afirmar o encontro das rectas paralelas no infinito.

Antes disso, e convém lembrar, o arquitecto catalão Gaudi iniciou a construção da igreja da Sagrada Família, desrespeitando a tese das colunas que nunca se encontram. Obra incabada. Morreu em 1917 e os catalães ainda não conseguiram pôr fim ao pesadelo.

Tenho pensado muito sobre esta esquisita maneira de considerar que as crianças, os idosos ou os inadaptados não têm direito a querer tocar nos tectos dos seus mundos e ainda não encontrei as razões. 



 

 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

a filipa venceu um globo no "kia ondas de ouro surf awards"

 


 


 


A Filipa recebeu ontem, no Casino do Estoril, um globo (categoria do surfista mais sexy do ano) no "Kia Ondas de Ouro Surf Awards". Parece que a cerimónia foi muito bonita e cheia de significado. Parabéns para a Organização e para a Filipa que agradece a quem votou. A fotografia é do seu mural no facebook.


 


 


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Filipa Isabel Rodrigues Prudêncio.


 


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Imagem obtida no site da organização.