Tanto se criticou o anterior Governo por mudar, no sistema escolar, sem testar - Nuno Crato era até contundente - que só nos podemos surpreender por se estar agora a repetir a receita. Sabemos que quem chegou de fora, a Troika, veio dizer-nos que já era tarde para termos direito a pensar. Mas que raio: exigia-se algum trabalho de casa, até porque há matérias, exames, cortes de disciplinas e por aí fora, que permitiam alguma testagem sem prejuízos nos indicadores financeiros de curto prazo.
Para além do desespero despesista, haverá outros motivos que levem a que se mude sem testar. Incompetência (que não me parece ser o caso de Nuno Crato), dogmatismo ideológico, crença na verdade absoluta, medo do contraditório, ausência de liderança, soberba e principalmente uma inaceitável falta de respeito pelas pessoas atingidas e pela credibilidade dos sistemas e das organizações. E que diríamos se mudar sem testar resultasse em despesismo financeiro num país falido?
E se de repente se extinguisse a matemática porque depois do plano da matemática, de mais horas,de apoios, etc, as percentagens de sucesso têm sempre piorado nesta disciplina.
ResponderEliminarFoi o que foi feito no 3ºciclo com as disciplinas de educação tecnológica e educação artística, mesmo sendo as disciplinas onde normalmente o sucesso é maior.
Estamos em estado de profunda desorientação. O que conta é cumprir os indicadores financeiros impostos pela Troika.
ResponderEliminarCaro Paulo:
ResponderEliminarHá 'coisas' das quais discordo: «Incompetência (que não me parece ser o caso de Nuno Crato)».
Outras com que concordo: «dogmatismo ideológico».
Mas, na generalidade, subscreveria o que escreveu (como em muitas outras ocasiões).
Cumprimentos.
Maria Fernanda Fernandes
Obrigado Cara Maria Fernanda.
ResponderEliminarO segundo parágrafo tem uma intenção mais generalista e a referência a Nuno Crato é apenas para ser fiel ao que ainda quero acreditar. Para festa já chegam os antecessores.
Cumprimentos.
Creio que se muda sem testar desde a reforma de Veiga Simão, na longínqua década de 70 do século passado.
ResponderEliminarParece um malfadado desígnio da Educação, em Portugal: ver o sistema educativo transformado em tubo de ensaio, sem que qualquer experiência tivesse sido devidamente concluída e avaliada, de modo a que fosse realmente possível corrigir os pontos fracos e potencializar os fortes.
Não se conseguiu eliminar o abandono escolar, mas aumenta-se a escolaridade obrigatória.
Não se conseguiu reduzir a taxa de reprovações/ retenções, mas estende-se a avaliação externa (exames) a todos os ciclos.
Não se conseguiu justificar os elevados níveis de iliteracia, mas alteraram-se os programas, nomeadamente de Língua Portuguesa, e a própria terminologia linguística.
Enfim, nunca se conheceram conclusões sobre as inovações introduzidas, mas continuou/continua a inovar-se, a inventar-se.
Se até aqui o “laboratório” tem resistido às experiências, receio que o que está a desenhar-se agora resulte numa verdadeira explosão, que fará colapsar o que resta do sistema de ensino público, sendo o catalisador principal a criação destes híper-mega-ajuntamentos de escolas, onde a identidade, a proximidade, o sentimento de pertença, a articulação… perderão todo o sentido.
Ontem tive o primeiro cheirinho do que vai seguir-se na minha (nossa) vida profissional: fui alertada para a necessidade de promover a escolha de manuais escolares comuns à minha escola e à escola “herdada” ou que vai “herdar-nos”.
Poucos se conhecem, poucos se contactam e nada é igual ou parecido, nem a organização dos grupos disciplinares, que, num lado se organizam em torno de áreas disciplinares, independentemente dos grupos/ciclos a que pertençam, no outro em torno dos tradicionais grupos de docência, previstos no ECD.
Não há quaisquer manuais comuns, nem tão pouco da mesma editora… mas tem que passar a haver, por decreto.
Foi-me transmitido que seremos postos em contacto uns com os outros, assim, sem mais nem quê, e que teremos de nos organizar. Boa! Às dezenas?! Vai ser espectacular. Viva a cooperação e o trabalho colaborativo!
Obrigado Ana :) Mais um comentário que me merece uma leitura atenta. Obrigado.
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